1.8.15

Agosto



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Eleições insólitas



No está convencido. No está para nada convencido.

Le han dado a entender que puede elegir entre una banana, un tratado de Gabriel Marcel, tres pares de calcetines nilón, una cafetera garantida, una rubia de costumbres elásticas o la jubilación antes de la edad reglamentaria, pero sin embargo no está convencido.

Su reticencia provoca el insomnio de algunos funcionarios, de un cura y de la policía local.

Como no está convencido, han empezado a pensar si no habría que tomar medidas para expulsarlo del país.

Se lo han dado a entender, sin violencia, amablemente.

Entonces ha dicho: “en ese caso, elijo la banana”.

Desconfían de él, es natural.

Hubiera sido mucho más tranquilizado que eligiese la cafetera o por lo menos, la rubia.

No deja de ser extraño que haya preferido la banana.

Se tiene la intención de estudiar nuevamente el caso.

Julio Cortázar


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Assim estamos


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O Pátio das Cantigas



«Também na política se assiste a um "remake" pimba de "O Pátio das Cantigas". A apresentação do programa eleitoral da coligação PSD/CDS é uma espécie de farsa depois da tragédia que foi a aplicação do modelo da troika (negociado e desenvolvido por mentes nacionais, não o esqueçamos). O primeiro capítulo foi encerrado: a dívida e a austeridade serviram para se cumprir a primeira parte da imolação do Estado como o conhecíamos: desagregou-se o que ele tinha de bom (substituindo os mais capazes da administração por "jotinhas" que impuseram a sua lei e incompetência), abriu-se o precedente de incumprir os contratos do Estado com os cidadãos relativamente à troca de impostos por reformas seguras, privatizou-se tudo o que estava à vista e conseguiu-se reduzir o custo do trabalho à insignificância material e moral. (...)

A coligação não nos diverte com um "remake" do "Ó Evaristo, tens cá disto?" porque o seu discurso é sonâmbulo: parece o de um zombie ideológico que quer transformar Portugal no laboratório do futuro. Afinal, não é Vasco Santana que está no palco: é Passos Coelho. Este é um país sem classe média, sem perspectivas de segurança, onde todos lutam contra todos para se salvar, enquanto o Estado (ocupado por uma elite) assiste e divide entre os seus cúmplices o que amealha dos impostos. Só falta mesmo Passos Coelho recuperar a sua velha ideia de privatizar a Caixa Geral de Depósitos para que o génio retirado da garrafa cumpra o seu objectivo. Toda a farsa se transforma nesta tragédia desenhada. Que ainda não terminou. »

Fernando Sobral
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31.7.15

Dica (104)




«A negociação orgulhosa e honesta que o governo Syriza conduziu desde o primeiro dia em que fomos eleitos já mudou para melhor os debates na Europa. O debate sobre o défice democrático que afecta a Europa é agora imparável. Infelizmente, os membros da claque doméstica da troika parecem não conseguir suportar este sucesso histórico. Os seus esforços para o criminalizar vão embater nos mesmos baixios que arrasaram a propaganda descarada contra o ’Não' no referendo de 5 de Julho: a grande maioria do destemido povo grego.»
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Dizem que há hoje





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Avança, com toda a confiança



E talvez tivesse o meu voto, sabe-se lá!...

(Cartaz anónimo, na Praça do Chile, em Lisboa,)
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Não há cinzento-esperança



«Na passada quarta-feira, 29 de Julho, à hora do regresso da praia, a coligação apresentou o seu programa eleitoral, crucial para o futuro de Portugal. Uma manobra sábia porque o programa era péssimo e a água estava óptima.

Fazendo um resumo do programa Passista: as promessas são as de 2011, o cabelo é que já não é o mesmo. No fundo, o programa da coligação também é um "remake" de "O Pátio das Cantigas". (....) O programa é um "volte-face" na estratégia da coligação. De um momento para o outro, o homem que não fazia promessas promete colocar Portugal nas dez economias mais competitivas do mundo. Se for para tirar Alemanha do "top 10", acho uma bela vingança. Mas faz um bocado de confusão ver o nosso austero PM fazer promessas que parecem desejos de Miss. Há histerismo a nível de promessas; vale tudo. (...)

Todos precisamos de um farol, e Passos Coelho é o farol dos que não acreditam num futuro, dos que nada esperam de bom a não ser empobrecer por desígnio. Se esse farol de desesperança se apaga, fica apenas a luz. Uma coisa muito desagradável. De Passos, esperamos dias cinzentos carregados da cacimba da austeridade, não o queremos a correr pelos campos a prometer borboletas. Cinzento é cinzento. Não há cinzento-esperança. Onde anda o Passos que nos deprime sempre que abre a boca?

Custa ver um bastião da realidade do ajustamento render-se ao poder do sonho. Mas felizmente passa depressa porque temos memória. Todos sabemos que as promessas de Passos são como os Mundiais de Futebol: são de quatro em quatro anos e duram menos de um mês.»

João Quadros
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30.7.15

Uma questão de fé


Quem acreditar que o voto dos portugueses será decidido pelos diferentes meandros dos programas eleitorais dos grandes partidos, que levante o braço, sff. 
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Sugestão para iPods de funcionários públicos



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Dica (103)




«Então, para mim, é assim: quem quer que apresente como solução para a tragédia grega – ou portuguesa – a ténue ou amedrontada esperança de um acordo “multilateral” que conforme o euro e os seus mandantes à recuperação das economias que antes sacrificou, está simplesmente a entregar o ouro ao bandido. Esperar que os fautores da concentração imperial se transmutem em promotores da Europa dos povos tem o mesmo valor salvífico que ficar sentado debaixo da azinheira de Fátima à espera que desça o tal Spinelli ou o tal Schuman. Não virão, nem num raio de luz. Quem espera que os poderosos actuem contra os seus próprios interesses e em nome das suas vítimas enganou-se de virtude. Quem nos pede que esperemos pacientemente pelo impossível não quer saber de nós.» 
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A estátua de sal



«O Antigo Testamento alertava sobre os perigos de passarmos a vida a olhar para o passado. Em Portugal, temos essa tentação. Na área política esse discurso é evidente: antes de nós, a peste; depois de nós, o dilúvio.

O confronto político sem quartel dos próximos meses vai ser semelhante. Tal como a mulher de Lot que olhou para trás e se transformou numa estátua de sal, as ideias que vamos escutar parecerão pedregulhos. PSD e CDS cavalgarão no delírio despesista de Sócrates. O PS na alucinação austera dos partidos do Governo. Vai lavar-se a roupa suja do passado e dela não nascerá roupa branca. Porque o mal dessa guerrilha folclórica é que se vai esgotar a si própria sem trazer para o debate o futuro de Portugal.

O relatório do FMI que refere que Portugal só deve ter desemprego abaixo de 7% daqui a 20 anos é suficientemente negro para mostrar o nó górdio em que o país está encerrado. (...).

Quando um dia destes nos confrontar a ideia de um "mar europeu" neste país que tem uma ZEE própria, enorme e repararmos que alemães, franceses e espanhóis poderão ter direitos iguais nela, veremos do que falamos. Os ciclos do despesismo e da austeridade são as duas faces da mesma moeda: a inexistência de um projecto para Portugal.»

Fernando Sobral
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