10.12.16

Dica (453)




«In the not too distant future, technology giants will decide what news sources we are allowed to consult, and alternative voices will be silenced. (…)
The filters in the future won’t be programmed to ban pornographic content, or prevent user harassment and abuse. The next era of the infowars is likely to result in the most pervasive filter yet: it’s likely to normalise the weeding out of viewpoints that are in conflict with established interests.»
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Para mais tarde recordar



Público, 10.12.2016
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10.12.1948. Declaração dos Direitos Humanos



… lida por Eleanor Roosevelt.

Daqui.
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Por que estamos a andar para trás



«Várias coisas que sempre defendi, prezei e considerei importantes na vida política das democracias europeias estão em profunda crise e não penso que sejam capazes de sair dessa crise tão cedo. É o caso da emancipação da vida política democrática do dilema esquerda-direita, do centrismo e da moderação “central” que partidos do centro-direita e do centro-esquerda traziam às democracias, isolando os extremismos, é a aceitação de que as políticas em democracia são pela sua própria natureza plurais e resultam de uma escolha livre e não da imposição do “não há alternativa”, e que, num certo sentido, os eleitores podem, por tentativa e erro, “experimentar”, sempre com recuo e alternativa. A tudo isto somava-se a luta pela prevalência de uma cultura política civilizacional que distinguia a demagogia da democracia. Tudo isto está em profunda crise e não adianta esperar melhorias, porque o tempo não volta para trás em função dos nossos desejos, embora, num certo plano universal, esteja mesmo a voltar para trás. Para o lado errado do de trás. (…)

Os anos 60 trouxeram um novo alento para as democracias, mesmo escrevendo direito com linhas tortas. Uma geração que chegou à política nesses anos ajudou a uma renovação cultural significativa das democracias envelhecidas e trouxe novos temas e novas “libertações”, em particular nas questões de género e de raça, que iam muito para além da agenda social tradicional dos movimentos sindicais, comunistas e socialistas radicais que existiam na Europa. O radicalismo inicial da geração de 60 ajudou a criar um ponto sem retorno e a entrada desses homens e mulheres no mainstream político fortaleceu as democracias e definiu-lhes novos objectivos. Essa geração não tinha os complexos reverenciais que a esquerda, mesmo a não-comunista, tinha em relação à URSS, integrou na luta pela liberdade os judeus perseguidos e os dissidentes soviéticos e fez parte de alianças sem precedentes como aquela que deu origem ao Solidarnósc, onde o Papa e padres católicos e militantes e intelectuais trotskistas ajudaram a acabar com a Guerra Fria e a derrubar o Muro.

Foi também nesta altura que a dicotomia esquerda-direita começou a perder sentido. Na verdade, foi uma perda de sentido mais instrumental do que afectiva. As “tradições” e o sentido da história pessoal e familiar continuavam muito presos a cem anos de arregimentação, e permanecia igualmente a questão filosófico-política do optimismo e do pessimismo antropológico, que definia uma divisão, mas não era nem é suficiente para lhe definir as fronteiras no quotidiano. (…)

Podia-se dizer que aquilo que em Portugal se chamava “causas fracturantes” não era suficiente para eliminar a demarcação política, até porque ela permanecia na questão social. Mas elas assumiam uma importância considerável porque no mundo ocidental, nas grandes metrópoles, a melhoria das condições materiais associadas a uma nova pluralidade de opções de vida, sociais, escolares, de lazer, familiares, relacionais, as tornavam parte da democracia e da igualdade, por exemplo entre homens e mulheres, e de possibilidade sem exclusão de escolhas no plano sexual, que se revelavam parte da liberdade que cada um exigia para si próprio. Por isso, na vida e nas opções que se incorporaram na política nas democracias estavam cada vez mais questões em que a dicotomia esquerda-direita não tinha sentido. A emergência de partidos como o Partido Libertário nos EUA, ou mesmo em Portugal, o percurso original do PPM, ou a aparição mesmo que débil de uma esquerda liberal e de uma direita emancipada nos “costumes” revelavam essa nova tendência. Os partidos mais conservadores, o PCP, o PSD, o CDS e o PS, e a influência política da Igreja, ainda forte mas em crise, tentaram travar este processo, mas acabaram por se lhe render, uns mais, outros menos.

Mas a chave da questão a que vamos voltar é aquela em que começa o parágrafo anterior: a melhoria das condições materiais de vida. Foi isso que permitiu um aprofundamento e melhoria da democracia e é isso que hoje emperrou e nos faz voltar para trás. É porque o melhorismo que é intrínseco ao objecto das democracias, o bem comum, está em crise, que estamos a voltar para trás. O mundo novo que está a vir é um recuo no modo de pensar, nas palavras e infelizmente nas acções. Lá vou eu ter que voltar a falar de esquerda e de direita, o que bem atravessado me está. Mas se o mundo se tornou cavernícola, não posso agora pedir-lhe que pare às cinco horas para tomar chá.»

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9.12.16

Dica (452)

2016 - Fim de uma estrutura de ordem


Para ler e meditar.

«Na hierarquia dos anos históricos, 2016 deverá ser o marco que sinaliza o fim da estrutura de ordem configurada e dominada por potências ocidentais, consumando o fim dos impérios europeus com o que aparece agora como estando a ser o fim do império americano.

O traço mais relevante deste ano histórico é que este é um processo que se apresenta como um efeito de imunodeficiência, que estimula a manifestação súbita de formas patológicas e destrutivas numa estrutura que, até agora, parecia estável e coerente. As potências ocidentais não foram derrotadas por poderes superiores, elas foram fragmentadas e desagregadas porque os seus sistemas políticos deixaram enfraquecer aquele que é o seu principal dispositivo de defesa contra as mutações patológicas e os vírus agressivos: os procedimentos eleitorais.»

Continuar a ler AQUI.
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Novas esperanças, grande renovação à vista



Público, 09.12.2016
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Frase do dia


«O verdadeiro e efectivo pai do SNS é, aliás, Baltasar Rebelo de Sousa, como o presidente da república notou na biografia do pai.» - Rui Ramos no Observador.

N.B.- «república» com minúscula, eu fiz copy/paste. 
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Entrevista com o Diabo



Entrevistador: Olá, Diabo. Para começar, queríamos agradecer a sua disponibilidade para esta entrevista. (…)
Diabo: Eu é que agradeço a oportunidade que me dão de, finalmente, poder vir a público defender a minha honra. Uma coisa é dizer que eu personifico o Mal, outra é andar a fazer crer que eu nunca chego a horas. (…)

E: Portanto, acha que a sua honra foi posta em causa quando...
D: ... quando o vosso ex-PM disse que eu chegava em Setembro! Fiquei chocado. Até telefonei ao Doutor Marques Mendes, que é o meu advogado. Atenção, isto não é pessoal. Eu até aprecio algumas decisões que ele tomou enquanto PM. Era o tipo de coisas que eu faria. Até posso revelar que aquela ideia de ir além da troika deu origem a um Parque de Horrores no Inferno. Mas dizer que eu vou aparecer em Setembro, quando não combinámos nada, acho de profundo mau gosto.

E: Quer dizer que nunca pensou aparecer em Portugal em Setembro?
D: Nunca. Eu, em Setembro, estive o mês todo na Síria, tirando o último fim-de-semana, em que fui a uma reunião em Nova Iorque no Goldman Sachs. Em momento algum pensei aparecer em Portugal em Setembro. Nem faço planos para lá ir tão cedo. Eu não sou como Deus. Não sou omnipresente. Tenho um limite de milhas por ano. (…)

E: Quer dizer que os portugueses podem estar seguros de que o Diabo, tão cedo, não vai aparecer em Portugal?
D: Vocês já viram como está o mundo? Tenho o Brexit, a Le Pen nas eleições francesas, o Trump, nunca tive tanto trabalho. É a globalização. Para aí desde mil novecentos e trinta e tal que não tínhamos tantas encomendas.

E: Portanto, não adianta o nosso ex-PM insistir?
D: Acho muito complicado. Eu, em 2017, vou andar em "tournée" e única data disponível que tenho é o 13 de Maio, e o que me disseram é que nessa altura nem pensar porque têm os hotéis todos cheios por causa da visita do Papa. Eu não fico ofendido mas, no fundo, isto é não saber o que querem.»

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8.12.16

Dica (451)



France Returns to Its Conservative Roots. (Ullrich Fichtner e Simone Salden) 

«François Fillon has emerged as the center-right candidate for the French presidency. His choice is symptomatic of a country that has never left its conservative, Catholic roots behind.» 
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PISA. E nós tão contentes





«Pisa results are anxiously awaited by governments, education ministers, and the editorial boards of newspapers, and are cited authoritatively in countless policy reports. They have begun to deeply influence educational practices in many countries. As a result of Pisa, countries are overhauling their education systems in the hopes of improving their rankings. Lack of progress on Pisa has led to declarations of crisis and "Pisa shock" in many countries, followed by calls for resignations, and far-reaching reforms according to Pisa precepts. (…)

The new Pisa regime, with its continuous cycle of global testing, harms our children and impoverishes our classrooms, as it inevitably involves more and longer batteries of multiple-choice testing, more scripted "vendor"-made lessons, and less autonomy for teachers. In this way Pisa has further increased the already high stress level in schools, which endangers the wellbeing of students and teachers.»
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Alô, PSD? Já ganhei o dia