26.8.17
Marcelo, esse português simplório
Homebanking não é com ele e deve desconfiar da banca para não permitir débito directo na conta. Enfim…
. Dica (615)
«For years we’ve been told that only deep cuts can save our economy. Portugal’s socialist-led government has proved the opposite.»
. Eu não sei onde se vai legalmente buscar tanto dinheiro…
«…mas há candidaturas autárquicas que transpiram riqueza e largueza de meios por todo o lado. Acompanho, pelas razões de que falei no meu último artigo, quase 500 campanhas diferentes de concelhos e freguesias e a desproporção de meios nalguns casos é flagrante, assim como a abundância de recursos. A ostentação de meios é tão patente, que me pergunto se alguém que deve fazer essa pergunta em termos institucionais, seja a Comissão Nacional de Eleições, seja a Procuradoria, seja lá quem for, não vê o mesmo que eu vejo. Na rua, diante de todos.
Caça aos independentes
As tentativas de usar expedientes processuais para afastar listas de independentes por parte de candidaturas partidárias ou pessoas que lhes fazem o serviço, mostra como se "engole" mal o facto destas listas serem possíveis nas eleições autárquicas e, a julgar pelas últimas eleições, terem um considerável sucesso. O caso de Oeiras com Isaltino e o do Porto com Rui Moreira são exemplo disso mesmo, até porque, quer num caso quer noutro, se trata de candidaturas potencialmente ganhadoras.
Será muito difícil convencer alguém em Oeiras que assinou a propositura de Isaltino sem saber quem estava a apoiar. Isaltino é uma figura muito controversa, muito conhecida e muito popular, e quem de perto ou de longe lhe deu o nome para assinar a candidatura sabia muito bem o que estava a fazer. É muito mais provável que quem tenha assinado as candidaturas de Paulo Vistas ou em particular do candidato do PSD, saiba bastante menos o que está a fazer, e vá ao engano.
Do mesmo modo, o PSD do Porto que processou Rui Moreira por usar a expressão o "Porto é o meu partido", objectando que a palavra "partido" não pode ser usada numa candidatura independente, também não tem estado em Portugal nos últimos anos. Só dando exemplos que recentemente me passaram pelas mãos, o PS em Favaios, freguesia de Alijó tem uma lista intitulada "Favaios o nosso partido", ecoando a lista concelhia que diz "o concelho é o nosso partido", e a lista de uma candidatura independente na Vidigueira diz "o nosso partido é a Vidigueira". E movimento "O nosso partido é a Lourinhã"? Dei exemplos de campanhas eleitorais do Portugal profundo, mas há muito mais por todo o lado.
As candidaturas independentes nas autárquicas são um factor de renovação do pessoal político, e aumentam a competitividade eleitoral. Mesmo quando nessas listas estão os "rejeitados" das listas partidárias, como ainda é muito comum, isso transporta para o eleitorado a decisão que deveria corresponder a uma maior democraticidade interna. Mas é essencialmente o aumento da competitividade que preocupa os partidos e por isso, quer a lei, quer as dificuldades impostas às candidaturas independentes, destinam-se a armadilhar a competição e obrigar a maior militância, maior organização e muitas vezes ter de concorrer com muito pouco dinheiro.»
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25.8.17
Entretanto em Macau
Os nossos órgãos de comunicação social, ocupados com fogos, atentados, Angola e futebóis, noticiaram pouco o que se passou em Macau. E, pelo menos até ontem, previa-se que um novo tufão chegue na próxima 2ªfeira.
Segui um pouco, com uma amiga portuguesa que lá vive, o terror por que passou, não só pela tempestade mas também pela falta de informação – propositada para não prejudicar o negócio dos casinos.
. De Ágata a Ventura
«Está a acabar a silly season mas calma que vem lá a campanha para as autárquicas. De Loures a Castanheira de Pêra, a coisa promete.
Ágata foi a candidata escolhida por Assunção Cristas para representar o CDS em Castanheira de Pêra. Sou do tempo em que os cantores pimba apareciam nos comícios contratados para cantar. Entrámos numa nova fase. Se esta moda pegar, Marcelo Rebelo de Sousa, afinal, pode ver a sua recandidatura posta em causa pelo Tony Carreira.
Ágata já confessou que não percebe nada daquilo para que se candidatou mas Assunção Cristas diz que acredita na candidata. Eu também, no sentido que ela falou verdade. Eu vi as fotografias de casa da candidata e o meu medo é que o objectivo dela é que Castanheira de Pêra seja toda em cristais e cetim.
Em Loures continua a saga do candidato do PSD. Com três balões em forma das setas do PSD lá vai, dobrando e fazendo chiar, o símbolo PPD, até o transformar numa suástica.
Depois de André Ventura, numa tentativa de desmarcação à Trump, ter dito que o PNR e Bloco de Esquerda são uma vergonha para a democracia portuguesa, o presidente do Partido Nacional Renovador (PNR), José Pinto Coelho, acusou o candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures, André Ventura, de "roubar" o discurso e as bandeiras ao seu partido por "puro oportunismo eleitoral", explorando o facto de ser "muito mediatizado". Nunca pensei que um dia viria a concordar com alguma coisa que o líder do PNR dissesse, mas desta vez ele tem razão.
O PR do PNR acusa o candidato a Loures pelo PSD de fazer contrafação da marca do seu partido. Isto é uma espécie de: "Esse tipo de ódio aos outros é meu! Era só o que faltava. Quer ser ignóbil como eu. Isto dá muita trabalho e azia. E a suástica dele nem está bem desenhada, parece um jogo do galo! Anda aqui uma pessoa anos a espalhar o ódio e chega um tipo todo pimpão e rouba-nos a ideia! Isto causa-me ódio que é uma coisa que eu não gosto nada de sentir por brancos heterossexuais de direita."
Segundo os jornais, José Pinto Coelho diz que enviou mensagens para o Ventura de modo personalizado e cito: "pensava que era um simpatizante, mas ele já nem é meu amigo no Facebook, bloqueou-me no Facebook!" É nesta altura que devia entrar uma música da Ágata. Mas o líder do PNR estava à espera de quê?! Um indivíduo que quer proibir a entrada de emigrantes está chateado porque outro tipo, que quer proibir a entrada de gente, o bloqueou no Facebook.
Acho que há aqui demasiada sensibilidade de um lado e do outro. Nos velhos tempos, um fascista não se indignava por ter sido bloqueado no Facebook, isso é demasiado de esquerda. Até o meu pai, que não é facho, vai mais longe que isso e indigna-se por o Facebook existir. Não faz muito sentido: "eu sou contra os judeus, os muçulmanos e todos aqueles que põem cadeados no Twitter".
Estas autárquicas ainda vão acabar com o André Ventura e a Ágata a gravar um disco com versões dos Gipsy Kings.»
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A grande estratégia do medo
«O terrorismo moderno, tal como o mais idealista que Joseph Conrad nos trouxe em "O Agente Secreto", deseja sobretudo acertar na alma do inimigo, fazendo com que o medo e o terror o leve à confusão e que passe a utilizar mal as suas forças.
O terrorismo actual é uma estratégia de características militares em que se pretende ganhar uma guerra através do medo e da confusão do adversário. Não é uma guerra clássica, com exércitos e Estados em confronto. É feita de meios pouco convencionais (aliados a outros mais esperados), como se tem visto em Barcelona ou em França. Quem recorre ao terrorismo sabe que não ganha uma guerra convencional. Os alvos são cada vez mais diferentes: antigamente supunha-se que os alvos dos terroristas seriam as comunicações, os arsenais, os dirigentes políticos e militares. Hoje são cidadãos anónimos. Os ataques destinam-se a causar o medo na população civil, a fazer tremer os pilares da sociedade civil que sustentam as democracias. É um outro estilo de espectáculo aterrador, tal como já tinha sido de alguma maneira o ataque às Torres Gémeas, em Nova Iorque. Os terroristas pretendem sobretudo utilizar o poder adversário e a sua força para o vencer. Derrotá-lo no mundo da comunicação e da percepção. O terrorismo é uma estratégia militar que deseja a mudança numa situação política causando sobretudo o medo. Em vez de causar danos materiais. O medo é a arma essencial de quem utiliza estas tácticas de terrorismo.
Ninguém duvida que estes terroristas (ligados ao Daesh) nunca conseguirão vencer o Ocidente. Mas podem moer as suas sociedades, torná-las mais radicais e xenófobas. A nova vaga do populismo cresce com o terrorismo e com as guerras nos limites do império ocidental que trazem refugiados de todos os tipos em busca da sobrevivência. E aqui coloca-se uma questão: entre a necessidade de derrotar o terrorismo e as formas legítimas e democráticas de o fazer qual é o caminho estreito onde se podem mover as democracias? Entre as medidas preventivas, dissuasoras e estruturais há muito espaço para limitar os direitos dos cidadãos em nome da segurança. Como manter esse equilíbrio. É aqui que joga o poder teatral dos ataques nas grandes cidades, com meios pouco habituais, contra multidões indefesas e incapazes de reagir a um perigo desconhecido. O Ocidente só perderá esta guerra se começar a cometer erros e centrar-se em guerrilhas internas é uma boa forma de isso ser possível.
Os terroristas de hoje jogam com a lógica da resposta desproporcionada de quem tem o maior poder. O objectivo do Daesh é que o Ocidente responda sem tino a estas provocações. Atacando às cegas e causando dor nas sociedades onde consegue angaria simpatia. Pelo meio deste jogo ficam as atrocidades e os inocentes. A ideia é que o Ocidente se derrote a si próprio. A resposta deve ser pensada numa lógica desta terrível "sociedade do espectáculo" onde actua o terrorismo actual. O jogo é mais interessante. O terrorismo quer mudar os equilíbrios do poder político numa altura em que têm apenas algum poder militar. Por isso colocam aos Estados um desafio quase impossível: que estes demonstrem ser capazes de proteger os seus cidadãos da violência. E que para isso, baralhem as cartas políticas da estabilidade, e entrem numa vertigem alucinada e lhes forneçam um trunfo inesperado. O terrorismo joga com o impacto teatral da imagem: matar 14 pessoas em Barcelona vale mais do que liquidar 200 na Nigéria ou 500 no Iraque em termos do que os cidadãos ocidentais intuem. Ao considerarem que é impossível haver qualquer acto de violência política dentro das suas fronteiras, algo que é imanente ao Estado moderno, os países (especialmente os ocidentais) têm de actuar. E é esperando por passos errados que os terroristas anseiam.»
Fernando Sobral
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24.8.17
24.08.1916 – Nasceu o grande Léo Ferré
Nasceu no Mónaco em 24 de Agosto de 1916, o pai trabalhava no Casino, a mãe era costureira e Léo, com 7 anos, já cantava no coro da catedral.
Deixou-nos preciosidades que resistem a todas as décadas, com letras suas ou de Aragon, Rimbaud e mais uns tantos. Quatro dessas «preciosidades», entre muitas outras:
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