24.11.18

Imobiliário? Soma e segue



(40% das aquisições por portugueses.)

Expresso Economia, 24.11.2018
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Dica (830)




«Populism is sexy. Particularly since 2016 – the year of the Brexit referendum and the election of Donald Trump – it seems as if journalists just cannot get enough of it. (…)
The increasing popularity of the term is no coincidence. Populist parties have tripled their vote in Europe over the past 20 years. They are in government in 11 European countries. More than a quarter of Europeans voted populist in their last elections.»
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Touradas «tipo» politicamente correctas




Eu até acredito que isto seja o ovo de Colombo para satisfazer todos, de Manuel Alegre ao PAN. Mas não consigo deixar de rir: vamos todos acabar num mundo «SEM» tudo e mais alguma coisa: glúten, açúcar, gorduras e agora touros sem sangue (para eternizar as touradas…).
Morreremos velhinhos, cheios de saúde e polticamente correctíssimos. E talvez embrulhados em velcro.
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A entrada dos drones na vida política nacional



José Pacheco Pereira no Público:

«Está toda a gente indignada com o “falhanço do Estado” no caso da estrada que ruiu matando pelo menos cinco pessoas. E devem estar não tanto pelo “falhanço do Estado”, porque, para além de ser um falhanço, o falhanço é a regra. A excepção é as coisas funcionarem bem — ou seja, dito à bruta e sem rodriguinhos, Portugal é um dos países mais atrasados da Europa.

Repito: Portugal é um dos países mais atrasados da Europa, em que as infra-estruturas estão envelhecidas ou nunca foram modernizadas, não existem onde deviam existir, em que faltam serviços essenciais por todo o país, com mão-de-obra muito pouco qualificada, com patrões muito mal preparados, com baixa produtividade, com uma administração burocrática que não promove o mérito, e é corrupta e clientelar, com instituições de regulação que não regulam nada, com inspectores que não inspeccionam nada, com um território que não tem qualquer policiamento fora das cidades, com escassez de meios para tudo e abundância de desperdício por todo o lado. Podia encher o jornal todo e ainda dava para muita edição.

Comparem estatística a estatística e, de novo, salvo raras excepções, Portugal fica num mau lugar. Um país com tanto atraso estrutural gera inevitavelmente má governação a nível local e nacional, porque falta massa crítica para fazer melhor. E falta pressão para que tal aconteça. Por isso temos o Estado que temos e somos, por regra, tão mal governados. As desigualdades são talvez a melhor marca desse atraso.

Mudou muita coisa nos últimos 40 anos? Mudou, claro, e muita para melhor, mas o atraso era enorme e hoje continua grande. Como dizem os saudosistas do salazarismo, havia muito ouro no Banco de Portugal, mas o preço desse ouro entesourado era uma elevada mortalidade infantil e analfabetismo, a exploração dos mais pobres, uma guerra e uma ditadura. O 25 de Abril fez muito para retirar o país do seu atraso, através desse valor intangível da democracia, mas está longe de ter conseguido dar a volta a muito do atraso atávico do país. É como com as chuvas de 1967, que mataram em Loures, mas apenas molharam em Cascais.

PUB Mas não se iludam: a maioria dos portugueses pode protestar muito, nos cafés antigos, e nos cafés modernos que são as redes sociais, mas, com excepção dos seus imediatos interesses, não quer saber muito disto é até colabora participando na pequena corrupção, na fuga aos impostos, nos pequenos truques quotidianos com o ambiente, a qualidade dos alimentos, as obras na casa, etc., etc. Só se preocupa com a pátria pelo futebol e de resto manifesta uma indiferença cívica total.

Porque os portugueses são maus ou um caso perdido? Não, nada disso, são como todos os povos, só que pagam o preço do atraso do seu país, tornando-se, pelas suas atitudes, parte desse atraso. O que é que se espera de pessoas pobres, sem grande educação formal, vivendo uma vida dura, acantonadas num diálogo cívico miserável, que é o que se passa nas redes sociais, sem poder e com muitas dependências para exercer o pouco poder que tem, sem conhecer os seus direitos, numa sociedade e com uma política que faz tudo para os embrutecer?

Mas foram eles que permitiram a negligência criminosa daquela estrada? Não, não foram. É sempre em primeiro lugar o governo. Mas, a sua quota-parte de responsabilidades está na sistemática falta de protesto cívico, de punição pelo voto de autarcas e governantes que tão mal gerem os dinheiros públicos, e por muitas vezes fecharem os olhos ao facto de a gestão ser tão má que deixa cair pontes e estradas, como é má gestão fazer um pavilhão gimnodesportivo que custou milhões e depois deixam estar fechado a degradar-se, mas que queriam muito para a sua terra. Ou quando nem querem ouvir falar do encerramento de pedreiras ilegais ou fábricas pirotécnicas, porque dão emprego onde não existem alternativas. Por todo o país fora, até um dia em que as coisas correm mal.

E também não tenham ilusões: este caso só teve a cobertura mediática que teve porque os cenários eram espectaculares para a televisão, e os drones tornaram muito barata a filmagem aérea. Se as mesmas cinco pessoas morressem numa curva de uma estrada contra uma árvore, mesmo que a curva devesse estar há muito sinalizada e houvesse quem tivesse chamado a atenção para a incúria face ao perigo, as notícias não duravam um dia, nem havia debates, nem ia lá o Presidente, nada. Era um não-caso. Só que, aqui, aqueles gigantescos buracos eram magnífica e dramática televisão, e é por isso que temos um “caso”. Os drones entraram definitivamente na vida política portuguesa.»
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Sexta-feira negra - para o planeta


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23.11.18

Dica (829)



PART 1 - The Land That Failed to Fail. (Philip P. Pan) 

«The West was sure the Chinese approach would not work. It just had to wait. It’s still waiting.»
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Entretanto em França




Ouvi há pouco, na FR24, Nicolas Hulot, o primeiro ministro a bater com a porta a Macron. Afirma neste texto que tinha previsto há muito a bronca dos «coletes amarelos» e explica porquê.
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Estivadores: Shame



António Mariano, presidente do SEAL - Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística resumiu o dia de ontem.
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O inverno de Bolsonaro



«Uns 1100 anos antes de Cristo, reza a lenda, a Odisseia, a Ilíada e a Eneida, os troianos perderam a guerra ao permitir que um presente grego, em forma de cavalo cheio de soldados inimigos, entrasse na sua fortaleza.

Em 1812, reza a história, Napoleão fracassou, menos pela força do exército rival e mais pelos rigores do inverno, na ambiciosa invasão à gelada Rússia.

O tempo o dirá, mas o Cavalo de Troia ou o General Inverno de Jair Bolsonaro pode chamar-se "médicos cubanos".

Na semana passada, Havana resolveu abandonar a versão brasileira do Mais Médicos, um programa iniciado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff para abastecer cidades necessitadas de profissionais de saúde, por discordar dos termos propostos pelo presidente recém-eleito para manter o acordo.

Desde que, em campanha, o então candidato Bolsonaro atacara o regime do país caribenho que o fim da participação cubana no programa já era dado como provável, mas foram as condições impostas já depois da eleição que precipitaram o fim da relação.

"Condicionámos a continuação do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje a maior parte destinada à ditadura e à liberdade para trazerem as suas famílias, infelizmente, Cuba não aceitou", disse Bolsonaro, pelo Twitter, a sua forma de comunicação preferida, tal como do seu presidente preferido.

Ora, os perto de nove mil médicos cubanos prestavam serviços em cerca de 1600 municípios atendendo um total estimado pelos especialistas em 28 milhões de brasileiros.

O caso preocupa essas populações - cerca de três vezes Portugal - mas também os prefeitos das cidades e os governadores dos estados, muito deles falidos, agora com mais um problema sério para resolver porque os médicos locais não se mostram entusiasmados com a hipótese de irem para os rincões isolados no Brasil profundo.

Na imprensa, brotam entretanto relatos de clínicos cubanos exemplares, adorados pelas suas comunidades, e de doentes crónicos que, ao perderem o atendimento regular, correm agora risco de vida.

Como em intervenção na Câmara dos Deputados em 2013, logo após o início do programa, Bolsonaro o chamou de "Maus Médicos" e criticou a possibilidade de os profissionais trazerem as suas famílias para o Brasil "infestando o país de agentes cubanos perigosos para a democracia", tomemos como falsos aqueles pretextos no tweet presidencial para provocar o cancelamento do acordo.

Nesse caso, o presidente eleito preferiu prejudicar 1600 municípios e 28 milhões de compatriotas em nome da sua aversão ao (indefensável) regime cubano. Depois de anos a criticar a política externa brasileira do PT, baseada, segundo o próprio, "em critérios ideológicos", Bolsonaro usa um critério ideológico para provocar o encerramento de um programa útil ao país.

Tomemos agora o tweet presidencial como verdadeiro, ou seja, assumamos que a sua preocupação com o salário e as famílias dos médicos cubanos é genuína. Nesse caso, em nome do bem-estar de nove mil cidadãos estrangeiros, Bolsonaro não se importa de pôr em risco a saúde de 28 milhões de compatriotas?

Ninguém está livre de cometer erros. Os troianos foram ingénuos, Napoleão temerário. Sucede que, segundo Homero e Virgílio, os primeiros governaram a Anatólia por séculos e só perderam a guerra com os gregos depois de dez anos de árduas batalhas. E o segundo, antes do desaire russo, conquistara meia Europa e colocara o seu nome na história universal.

O drama de Bolsonaro é que o seu inverno pode ter começado um mês e meio antes de tomar posse.»

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Dizem que é o Black Friday



Worten, Matosinhos, 22.11.2018.
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22.11.18

O Governo não sabe o que é o direito à greve?




«Os dois partidos da esquerda parlamentar enviaram já perguntas formais aos ministros do Mar e do Trabalho. Os comunistas querem saber qual foi o papel e que conhecimento teve o Governo, através destes dois Ministérios, nas "movimentações realizadas com vista à substituição dos estivadores em luta no porto de Setúbal". Querem, nomeadamente, saber se foram "utilizados meios do Estado" nessas operações e conhecer as medidas que o Executivo pretende adotar no combate à precaridade num setor de actividade em que a larga maioria dos trabalhadores (90%, no caso de Setúbal) não tem vínculo contratual.

Já o Bloco de Esquerda usou a possibilidade parlamentar de questionar o Governo para apurar em que "condições foi feita a contratação de trabalhadores substitutos". Pretendem ainda saber "qual a justificação para que dezenas de elementos da Unidade Especial de Polícia tenham dado cobertura a esta operação" e questionam o Executivo sobre a sua disponibilidade para, "de imediato, promover uma reunião de urgência entre as partes" com o objetivo de encontrar uma solução para o Porto de Setúbal "que passe pelo reconhecimento dos vinculos laborais dos trabalhadores".»
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O país do desenrasca



«Quando cai aos trambolhões do céu uma crise que todos esperavam, mas que ninguém julgava que pudesse acontecer durante o seu mandato, os políticos e os responsáveis utilizam várias tácticas ensinadas pelos irmãos Marx. Uns, como Chico, dedicam-se a jogar cartas e a tocar piano só com a mão direita (porque nunca aprenderam a fazê-lo com a esquerda). Outros fazem como Groucho: são quimicamente puros, pegando em charutos enquanto falam sem dizer nada; alguns são angelicais como Harpo, só movem os lábios e em vez de falar usam uma buzina para se exprimirem. Quem está na plateia habituou-se ao jogo das aparências: habituados à ética do cinema somos quase incapazes de imaginar heróis complexos. Queremos que os maus sejam maus e os bons trabalhem durante 24 horas sem tempo para descansar ao domingo. Por isso nem actores nem espectadores conseguem já suportar a realidade: os pecados repartem-se por todos, mas ninguém quer assumir os seus. Como a obesidade ou a celulite, a culpa é hoje um conceito relativo.

Em Portugal, como já muitos disseram, a culpa é uma solteirona, como se dizia antigamente. Não casa com ninguém. Olha-se para a estreita estrada municipal (outrora nacional), num equilíbrio instável entre pedreiras, e julga-se estar a assistir a uma imagem da Lua ou de Marte. Não é: fica ali, junto a Borba. A estrada era uma equilibrista: lutava para não cair, sem rede por baixo. Mas não estávamos num circo, ou julgávamos não estar. Como sempre acontece em Portugal ninguém viu, ninguém tomou decisões, ninguém fez vistorias, ninguém interditou. Todos sabiam e ninguém sabia. Agora que o desastre anunciado aconteceu, com mortos à mistura, prometem-se inquéritos rigorosos. O costume. É esta a fragilidade do nosso país: desenrascamo-nos. Fazemos isso com a dívida pública e privada, com o estacionamento, com os negócios, com os aeroportos, com as alas pediátricas. Esperteza saloia e desenrascanço. Até que batemos com a cabeça na parede e ficamos com um galo. Mas depois esquecemos. E tudo volta à velha fórmula.»

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