1.6.19

Pobre cão! Ainda acaba a ler um livro


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Pobre Marcelo!



Acumulam-se as razões para que venha a fazer o sacrifício de se recandidatar.

Já havia o anúncio da VINDA DO PAPA a Portugal em 2022, que lhe deu «uma vontade acrescida para pensar mais seriamente numa recandidatura».

Há agora a CRISE DA DIREITA que, segundo crê, pode durar alguns anos. «Só o resultado das legislativas é que permitirá dizer qual é o equilíbrio a que se chegará em Outubro e, depois, qual é o papel que o Presidente terá até ao fim do mandato, e se isso influenciará ou não a decisão sobre a recandidatura» «[esta] tem muito a ver com o papel do Presidente no quadro do equilíbrio de poderes que existe e que existirá nos futuros anos». IMPORTA-SE DE REPETIR?

Claro que podemos imaginar mais condicionantes: como estará Portugal a caminho do Campeonato do Mundo de Futebol de 2022, uma previsão de que o défice seja 0,000% ou 0,001%, etc., etc. E é preciso, obviamente, que a maioria dos portugueses continue mansa e parva…
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Dia da Criança?


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Que Europa é esta?



«Dir-nos-ão que saímos agora mesmo de um ciclo eleitoral. Saímos? Tenho sérias dúvidas. Entrámos no processo eleitoral em tumulto. O Mediterrâneo feito cemitério, a cobardia de enfrentar os problemas reais das vidas reais, o fantasma já pouco disfarçável do discurso do ódio, a divisão feita de mote para campanha. Feitas as contas, aqui continuamos e com sérias dúvidas se daqui saímos. A pergunta essencial continua por responder: que Europa é esta?

As forças políticas ditas tradicionais continuam hoje como ontem à procura do seu destino. Ainda não é possível fazer balanços, mas, mais do que com respostas aos problemas que nos trouxeram aqui, avança-se velozmente com cálculos para as maiorias possíveis. Socialistas e Partido Popular Europeu parecem querer juntar-se a Liberais para isso mesmo. Maioria em número, pouco importa a política que a comporta. Haverá verdadeira disponibilidade para gerar novas políticas? Ou, afinal, trata-se apenas de um cerco à extrema-direita mantendo o conteúdo político essencial intocável? É da vida das pessoas que se vai tratar ou é uma operação de marketing político que está em curso? Aprendeu-se alguma coisa com o Brexit? Haverá mesmo Brexit? Há espaço para a redução de incerteza ou já se desaprendeu de fazer política fora dela?

Em menos de uma semana depois de um ato eleitoral é difícil poder ter grandes análises, mas há alguns sinais e, para já, não são muito animadores. O primeiro "caso" traduziu a pior das evidências. Puigdemont e Comin, deputados eleitos na Catalunha, foram impedidos de entrar no Parlamento para "evitar problemas políticos" com Espanha. 1,025 milhões de pessoas elegeram-nos, mas a presidência em exercício decidiu que deveriam ser preventivamente proibidos de entrar. Independentemente de qualquer opinião legítima que se possa ter a respeito do partido que representam, uma posição desta natureza não é apenas uma violação dos seus direitos políticos, é também uma violação dos direitos políticos dos cidadãos e das cidadãs que os elegeram. Parece, pois, continuar a vigorar a lógica que nos trouxe aqui, seja qual for o marketing a que se recorra. Dividir, pois claro. Aparentemente, ainda não houve espaço para pensar fora da lógica da divisão.

Sempre acreditei que há espaço para a união dentro da União. Mas creio, sinceramente, que uma União só poderá basear-se no respeito, na dignidade e nos direitos. Em política e não em marketing. São vidas distintas que serão representadas dentro de quatro paredes. São direitos que têm sido negados e merecem o reconhecimento devido. É a dignidade de todos nós e do próprio projeto comum que está em causa. É um futuro que está por construir e cujas bases têm ainda de construir-se. Passaram poucos dias. Precisaremos de mais alguns para perceber se há espaço para a união dentro da União. O recomeço não foi auspicioso.»

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31.5.19

Lisboa de antanho




Um texto interessante para a história de Lisboa.

«Há exactamente 70 anos, o Mercado da Praça da Figueira, um dos mais emblemáticos edifícios de Lisboa, fechou as portas. Em nome do progresso, a enorme estrutura de ferro foi demolida e vendida para sucata por 830 contos.»
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Marcelo já tem adversário nas próximas presidenciais



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A Lei de Bases da Saúde pode ir para o charco


«O PS tem andado a pedir namoro à esquerda e à direita para aprovar a nova Lei de Bases da Saúde, e depois de ter dado o dito por não dito, chegou a acordo com a direita na legislação laboral.

Rui Rio, homem muito frontal, já veio avisar que não vai na conversa. Não é pessoa para dois amores. Assim, esclareceu que “o PSD está totalmente disponível para acatar sugestões do PS”... na aprovação da lei do PSD.

Como se escreve no Expresso, “os socialistas vão deitar a toalha ao chão”. Já não acreditam ser possível salvar a nova Lei de Bases da Saúde. O chumbo anunciado do PSD e o que o PS classifica como “a ‘enorme intransigência’ do Bloco de Esquerda”, deitam por terra as hipóteses de aprovação de uma nova lei. O PCP, assegurava ontem à noite António Filipe na SIC Notícias, manterá uma posição de abertura negocial até o último momento.

O dilema é o de sempre. O PS gosta de usufruir dos benefícios resultantes da sua inclusão no clube da esquerda, mas não gosta de assumir as consequências da opção coerente e consistente das decisões à esquerda. Por isso acaba por ter tendência a entender-se com a direita em questões tão estruturantes para a definição de uma política de esquerda, como são a Lei de Bases da Saúde ou a legislação laboral. Ficam cobertas com o véu de viúvas do PS.»

Valdemar Cruz
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Cem anos depois Marcelo iguala feito de Einstein



«Foram precisos cem anos certinhos para que de novo no Príncipe (S. Tomé) voltasse a acontecer História.

Neste jornal, no dia 29 de maio, Carlos Fiolhais explicava que há muito para se avançar no domínio da Física, nomeadamente na energia escura e a matéria escura, e que o exemplo de dedicação de Einstein exige determinação para se alcançar esse novo salto.

Aquilo que Albert Einstein “descobriu” já existia, ou seja a modificação do percurso da luz devido à atração provocada por um grande corpo. “Só” foi preciso ver o que não se tinha visto, dada a escuridão em que toda a Humanidade vivia até àquele momento grandioso.

Tudo isso foi há cem anos. Entretanto para ir à Ilha do Príncipe não se podia viajar de avião. Vieram mais tarde essas máquinas voadoras que vão levando de um canto do mundo a outros homens e mulheres à procura do que não têm no seu.

No dia em que a Humanidade celebrou a comprovação da teoria da Relatividade descoberta há 100 anos ainda permanecia por desvendar a dificuldade em aterrar no Príncipe durante a noite. Esse lado obscuro, negro como a escuridão, caiu.

Marcelo Rebelo de Sousa, o omnipresente Presidente, o entusiasta dos afetos, o mais persistente apoiante das causas do Banco Alimentar, mesmo em dia de eleições e à hora dos comentários políticos, voou no escuro e deu o salto no desconhecido não temendo o que até ali todos temiam, a escuridão noturna. Não faltou a comunicação social que descobriu pelos seus meios tal feito, só comparável ao de Bartolomeu Dias que dobrou o Cabo da Esperança.

Albert Einstein que conhecemos com a farta cabeleira espantada de tanto saber, se estivesse vivo, muito provavelmente vê-la-íamos saltar do couro cabeludo com a loucura de Marcelo Presidente, no meio do escuro, voar e aterrar para abraçar a multidão que o aguardava de telemóvel em punho para colecionar uma selfie, imediatamente a seguir ao derrube de mais um tapume em que se fechava a ignorância.

Fê-lo por uma causa nobilíssima, a de furar a escuridão que envolvia o Príncipe cem anos após a luz que do Príncipe irradiou para todo o mundo.

São assim os grandes homens. Tanto dão um mergulho no Tejo, como vão com os motoristas num TIR, como telefonam à Cristina Ferreira, como atravessam o Atlântico num veleiro de um amigo de longa data.

Marcelo, ao que consta na segurança do Presidente da República, arriscou a vida. Valeu a pena não aceitar a sugestão das secretas em descobrir um sósia. As solicitações que todos os dias envolvem o homem mais ternurento do mundo, capaz de cozer qualquer adversário em lume brando ou aproveitando as fogueiras de Pedrógão e Oliveira do Hospital são para serem carregadas até ao limite, na mais privada solidão, sem qualquer notícia.

Certo, absolutamente certo, é que cem anos certinhos após o eclipse total do Sol que ajudou a mudar o paradigma da ciência da Teoria da Relatividade, Marcelo eclipsou uma vez mais tudo e todos.

Portugal pode estar feliz. No posto do comando de Belém ele vela como mais ninguém para que todos os dias (em breve será a todas as horas mais próximo das eleições) os portugueses saibam o que ele anda a fazer desde que acorda até que fica a pé durante vinte horas comendo sandes de queijo e esperando pela meia-noite para se empanturrar a sério e fazer a tal caminhada de quatro horas...

Graças à loucura de quebrar a barreira das aterragens noturnas, o Príncipe voltou a ser falado. Só lhe faltou a coragem de provar um ensopado de macaco que no Príncipe é um must absoluto.»

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30.5.19

SNS: isto é terrível!




«A gíria médica chama-lhe "abandono hospitalar", quando o doente desiste de esperar pela sua vez e não chega a ser atendido nas Urgências. No caso de doentes psiquiátricos, idosos e outros pacientes "especialmente vulneráveis" o caso não pode ser chamado de abandono, mas sim de fuga. São doentes que podem pôr em risco a sua própria vida e a de outros.»

É importante ler o texto todo para conhecer a série de exemplos, que é descrita!
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Esta não me vai sair da cabeça durante todo o dia




Por causa disto, claro.
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34.361 mortos no Mediterrâneo




Morreram aqui à porta da nossa Europa dos valores, entretida agora com um sinistro jogo de cadeiras.
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30 de Maio, o dia em que acabou o «Maio de 68»



Há 51 anos o general de Gaulle pôs fim a um mês verdadeiramente alucinante que a França viveu em 1968. Numa alocução difundida pela rádio, que ficou célebre, dissolveu a Assembleia Nacional e anunciou a realização de eleições antecipadas: contra o perigo do «comunismo totalitário», «La Réplubique n'abdiquera pas!»



Nessa mesma noite, uma gigantesca manifestação de apoio (500.000 pessoas?) invadiu os Campos Elíseos e marcou o desejo de «regresso à ordem», que os resultados das eleições, que tiveram lugar em 23 e 30 de Junho, confirmaram com uma vitória esmagadora da direita.


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