14.3.20

14.03.1975 - Mário Soares dixit


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Lições de Itália




Tragédia mas com música.
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Não vimos este filme; já vimos este filme



«Há elementos de novidade radical na pandemia que enfrentamos. É óbvio que se as nossas sociedades não estão preparadas para gerir os riscos que conhecemos, ainda mais impreparadas estão para lidar com riscos novos. Como tem sido referido, o coronavírus é singular: tem um número de reprodução muito elevado e é seletivo.

Em parte, devíamos estar avisados: num mundo com mais trocas comerciais, maior densidade populacional e mais interligado, era inevitável que surgissem novas pandemias. Com a desflorestação e as alterações climáticas, os vírus encontraram terreno ainda mais fértil.

Mas os elementos de novidade do coronavírus não estão apenas na sua viralidade. É um vírus que se propaga num contexto social e político também ele novo, que acrescenta elementos contagiosos ao próprio Covid-19.

O natural alarme social é potenciado por redes sociais que não existiam e que são propícias a trazer à tona uma cultura de ressentimento que está muito disseminada desde a crise financeira. Por isso mesmo, na publicitação do coronavírus coexistem duas narrativas: a dos media tradicionais que vão reportando factos e a das redes sociais em que germinam notícias falsas e a ideia de que as elites estão a ocultar a extensão do fenómeno, enquanto se revelam incompetentes. Sintomaticamente, surge sempre um áudio, uma mensagem ou uma foto de alguém de “dentro” que revela a suposta verdade. Se os governos se limitarem a respostas racionais, fundadas nos conselhos dos técnicos, e não gerirem a dimensão cultural e social do fenómeno, vão falhar-nos.

Com maior fragmentação política, com redobrado ressentimento social e com serviços públicos depauperados, a crise financeira global deixou-nos à mercê de qualquer pandemia. Mas a impreparação de cada país e da Europa levará à repetição de um filme conhecido.

Os impactos do coronavírus serão por definição assimétricos. Os mais frágeis sofrerão mais: os países mais frágeis e as pessoas mais frágeis. Num primeiro momento, a reação será de comoção e de compromisso político. Mas logo evoluiremos para a responsabilização dos “incompetentes” que não foram capazes de gerir uma pandemia para a qual ninguém estaria preparado. Não demorará muito até que expiemos a culpa nos chineses que têm hábitos inaceitáveis ou nos italianos que insistem em se portar mal. Quando chegar a recessão, e com ela a crise social, os governos serão responsabilizados pela queda das economias e pelo aumento da dívida. A Europa recuará nas respostas e os partidos serão penalizados nas urnas.

No fim, sobra o paradoxo da prudência: se agirmos por excesso agora e se se revelar desnecessário, é porque enfrentámos a situação com sucesso. Se, pelo contrário, o cenário se agravar é porque devíamos ter sido mais exigentes. É um daqueles momentos em que se espera dos governos capacidade de decisão e liderança.»

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Sem palavras


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13.3.20

Somos assim



Até ontem, as redes sociais estavam cheios de especialistas em Coronavirus.

Hoje, transformaram-se em conselheiros de saúde pública – só falta decretarem qual a marca de sabão que deve ser usada para lavar as mãos e a que hora se deve ir passear o cão.
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Isto é bom para italianos




Por cá, não se se atinava nem se se cantasse o Hino Nacional ou o Grândola.
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E quando se lê isto logo pela manhã?


«No nosso país (ainda) ninguém morreu da nova gripe mas o nosso governo julga que devido ao contágio as nossas vidas correm um perigo tal que tomou a medida de fechar as escolas. Fechar as escolas, como o leitor se lembra, foi o momento decisivo da Revolução Cultural do Presidente Mao, imitada pela revolta de Maio de 1968 em Paris.»
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Medidas para levar a sério



«Que o encerramento das escolas e das discotecas e a redução da lotação máxima dos restaurantes e dos centros comerciais seja o que faltava para todos perceberem que não estamos num circo nem a brincar quando falamos das vidas de todos nós.

Que as corajosas palavras e as medidas difíceis anunciadas por António Costa sirvam de uma vez por todas para dar validade às recomendações das autoridades de saúde que nos últimos dias temos recebido, mas para as quais muitos portugueses olham com desdém e com escárnio.

Elogie-se o momento em que o país político encontrou equilíbrio num dos momentos mais difíceis da história e que, agora, "a luta pela nossa própria sobrevivência", como, e bem, a classificou o primeiro-ministro, se possa travar com menos pânico e mais racionalidade. Sem idas à praia, sem festas temáticas e sem açambarcamento irracional de bens essenciais. E chegamos também ao ponto em que combater o Covid-19 é também combater o vírus que prolifera na Internet como um tsunami. Que as redes sociais sejam um local de entreajuda e onde a responsabilidade de cada um possa fazer a diferença, e não o habitual desaguar de frustrações e sapiência oca. Porque "há duas coisas que são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta". A frase é do físico Albert Einstein. E lembrei-me dela por um simples motivo: é daquelas expressões que "bombam" nas redes e confere ao autor do post uma espécie de grandeza intelectual e filosófica. Mas nunca pensei que, com mais de 30 anos de jornalismo, a máxima do físico alemão servisse como argumento para entender o comportamento das pessoas neste tempo difícil que vivemos.

Que o fecho das escolas e as quarentenas e, por arrasto, o tempo que todos irão ter mais disponível para passar na Internet não sirva, portanto, para aumentar a parvoíce.»

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Roma, cidade fechada



Sim, não estamos em tempos de «Roma, cidade aberta», caro Rossellini.
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12.3.20

Solidariedade da China



«Já chegaram a Itália nove médicos chineses, que a força das circunstâncias fizeram especialistas em coronavírus, mais 31 toneladas de suprimentos médicos. Após contactos de alto nível entre os governos dos dois países a rapidez de resposta prática da China e da Cruz Vermelha chinesa é impressionante. Eles sabem melhor que ninguém o que a Itália está a passar.»

Via Isabel Sousa Lobo no Facebook.
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Bispo do Porto, um verdadeiro criminoso



É perante factos como este que se chega a ter inveja de ditaduras. Esta criatura devia poder ser detida imediatamente, ao manter a convocatória para um acontecimento inútil num recinto fechado.


«O bispo do Porto, D. Manuel Linda, fez um apelo público na sua página de Twitter para que “todos” os fiéis participassem numa celebração para assinalar os sete anos da eleição do Papa Francisco na catedral daquela cidade, apesar de o principal foco de coronavírus ser precisamente no distrito do Porto.»

P.S. - O bispo cancelou hoje o evento:

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Covid-19 – Estado da arte



O Conselho Nacional de Saúde Pública esteve ontem reunido uma montanha de horas, pariu um rato, lavou as mãos como Pilatos, atirou a decisão de fechar as escolas para as autoridades de Saúde e estas fizeram naturalmente o mesmo em relação ao Governo.

E nós? Para já, continuam a pedir-nos que lavemos muito bem as mãos – como Pilatos.
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