28.1.23

Luís Moita

 


Telefonei-lhe há três dias, não atendeu nem devolveu a chamada. Fiquei quase sem dúvidas de que estaria pior, mas não pensei que o fim estivesse tão perto: morreu hoje.

Conheci-o ainda na adolescência, como irmão que era da Xexão, minha colega de escola e amiga de sempre. Mas foi quando éramos já bem adultos que vivemos juntos tantas fases importantes das nossas vidas que o dia de hoje é mais uma machadada na minha – e grande. Ainda há poucas semanas ele comentava que já restavam por cá poucos dos que connosco viveram e lutaram, em várias arenas de tempos negros, por uma vida mais decente para este país. Menos um.

Deixo para os obituários a justiça que certamente farão à sua vida grande. Pouco mais me apetece escrever. O Luís era um homem muito inteligente, muito bom, sempre com um sorriso afável mesmo nos momentos mais difíceis. É tudo.
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Pete Seeger

 


Deixou-nos há nove anos, em 27.01.2014, com 94, mas nunca o esquecemos.

Na década de 60, tornou-se um dos ícones da música de protesto contra a guerra e na defesa dos direitos civis. Transpirava força e optimismo, ajudou muitos a lutar.

Sobre a vida de Pete, ler um texto e ver cinco vídeos AQUI.
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Este altar-mor é uma pira

 


«A polémica com os custos da Jornada Mundial da Juventude – nomeadamente o do seu altar-mor – é uma ode à incapacidade de planear, como aqui escreveu já Andreia Sanches, e simboliza no seu esplendor o distanciamento (irreconhecimento) que existe entre as elites política e clerical e o povo, o que vai totalmente contra a mensagem principal do pontificado do Papa Francisco.

Nesta absoluta falta de empatia (para lembrar o que disse Jacinda Arden, a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, no momento da despedida) o papel da Igreja foi determinante e as declarações do bispo Américo Aguiar de que se tinha "magoado" a ouvir o preço total são bastante insuficientes – ou pelo menos revelam uma caridade em causa própria que, enfim, às vezes dá jeito.

O país acordou agora para uma coisa que está em preparação desde 2019? Parece que sim, até porque ninguém sabia de nada e o não saber de nada, já se sabe, é um karma dos responsáveis políticos, religiosos e afins nacionais. Mais ou menos ignorando os custos totais, todos eles pensaram que tudo se resolvia através de uma espécie de laissez faire, laissez passer. A "mágoa" do bispo auxiliar de Lisboa veio tarde e a más horas, como aqui escreveu a Helena Pereira.

Carlos Moedas diz que, apesar de ser só presidente da câmara há pouco mais de um ano, vai "dar o corpo às balas". Insiste que o palco da discórdia deve dar jeito para a Web Summit, para a requalificação de uma zona de Lisboa e que a câmara se limitou a seguir o guião da Igreja. Valha-nos Deus. Moedas tem razão numa coisa: falta muito pouco tempo para a Jornada Mundial da Juventude e todo este debate devia ter sido feito antes.

E não foi porquê? Porque ninguém quis saber. A sério, toda a gente embarcou na treta do "retorno", uma conversa insuportável que tem justificado gastos incomportáveis do erário público. Assim como a realização do Euro 2004 em Portugal resultou na construção de estádios inúteis, verdadeiros elefantes brancos, porque iria haver muito retorno, a Jornada Mundial da Juventude está desde já manchada pelo mesmo problema.

Num momento de crise económica, uma crise que afecta sobretudo os mais jovens e aqueles que têm profissões essenciais à vida da comunidade – professores, médicos, polícias –, o gasto em obras faraónicas deste género é inaceitável e incompreensível.

E é de bradar aos céus (o Estado é laico, a língua não) que os responsáveis políticos e da Igreja, que se manteve em silêncio até quinta-feira, não consigam perceber por que gastar um valor destes em tempos de crise, de inflação e de tempos duros para os mais frágeis e classe média é incompreensível. Basicamente, repete-se aqui o que se passou com o Governo no caso da indemnização da ex-secretária de Estado do Tesouro enquanto gestora da TAP. Ninguém percebeu que, para o cidadão comum, estas coisas não são normais.

A ideia de que "as contas certas" só existem e são propagandeadas quando se trata de justificar porque não se pode aumentar os salários dos pobres e da classe média – e para o resto, a questão resolve-se sempre – está a fracturar indelevelmente o tecido social. A manifestação marcada para este sábado pelo sindicato dos professores STOP – entretanto alargada a outras profissões e basicamente "a toda a gente" – pode ser um barómetro.

Foi interessante ver a evolução do pensamento do Presidente da República esta semana. Provou-se novamente que Marcelo consegue ler os sinais do povo antes dos outros, o que o levou a rodopiar em torno dos custos da Jornada. Primeiro, questionou; depois, aceitou as explicações de Carlos Moedas de que o recinto do altar (agora convertido em pira) servia para outras coisas, como para a Web Summit; finalmente, percebendo que o cidadão comum não estava a gostar da brincadeira, voltou a subir a voz sobre os custos e pediu explicações. Pelo meio, um atrito com a Igreja: um porta-voz da Conferência Episcopal veio dizer à comunicação social que Marcelo sabia dos custos desde o início. A verdade é que o bispo Américo Aguiar acabou a confirmar que Marcelo não sabia.

O clima de irresponsabilidade não é um exclusivo do Governo. Quando as instituições de um país se estão nas tintas para "o ar dos tempos" abrem as comportas a todos os populismos. E a culpa não é da comunicação social, como alguns gostam de dizer.»

Ana Sá Lopes 
Newsletter do Público, 27.01.2023
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JMJ – Outro altar???

 



Acreditem, acreditem que é verdade. Mas atenção: este projecto, que nem sei como qualificar, (ainda?) não foi aprovado.
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27.1.23

Cera perdida

 


Vaso de Cera Perdida "Feuillages composés", 1914.
René Lalique.


Daqui e não só.

«Cire Perdue significa Cera Perdida. Basicamente, um modelo seria esculpido em um bloco de cera. A cera seria então envolta em gesso. O gesso era aquecido e a cera escorria, deixando o desenho da cera no interior do molde de gesso. O vidro derretido seria então derramado ou soprado no espaço deixado pela cera que faltava. Depois de resfriado, o gesso seria quebrado para revelar a duplicata de vidro do modelo de cera original. Cada Cire Perdue é único, pois o molde é quebrado para extrair a peça. No entanto, vários designs próximos podem ser feitos, e alguns modelos R. Lalique Cire Perdue foram feitos em 2 a 6 cópias muito próximas. A grande maioria das ceras perdidas eram vasos, mas também foram criados números muito menores de cinzeiros, estátuas, frascos de perfume, relógios, luminárias e outros itens.»
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Edmundo Pedro

 


Cinco anos sem um grande homem e um grande amigo que morreu a poucos meses de chegar aos 100.

Um resumido «percurso existencial» escrito pelo próprio AQUI.
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Lê-se, relê-se e não se acredita

 



«A Igreja Católica "tem em conta a situação económica presente" e determinou que a Jornada Mundial da Juventude será "autofinanciada". Conta com o trabalho de voluntários e o investimento de parceiros como o governo e as autarquias. As contas da Fundação JMJ, criada para organizar a visita do Papa, quase só têm donativos.»

«Houve aqui alguém que se enganou» - como tão bem nos disse José Mário Branco.
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Jornada Mundial da Juventude: a Igreja e a “burrice”



 

«Ninguém sai bem na fotografia. Nem a Igreja, nem a Câmara de Lisboa, nem o coordenador do projecto da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), nem o Governo. O que é que andam afinal a fazer? A verdade é que, somando cada uma das partes, o cidadão comum ainda não percebeu quanto dinheiro e como anda a ser gasto para a recepção da JMJ e do Papa Francisco, em Agosto, no Parque Tejo, em Lisboa.

Ao terceiro dia de polémica, a Igreja Católica, empurrada pelo Presidente da República, tentou explicar a razão de um palco-altar para a JMJ custar cerca de cinco milhões de euros. O bispo auxiliar de Lisboa, Américo Aguiar, confessou ter ficado surpreso e magoado. Não chega. O presidente da Câmara de Lisboa diz que ser “o centro do mundo tem um valor”. Isso, por si só, não é justificação. O coordenador do projecto das JMJ, José Sá Fernandes, afinal, diz ao PÚBLICO que não coordena nada, só representa o Estado central, e Carlos Moedas nem lhe mostra o que anda a fazer. Não dá para acreditar.

A JMJ em Lisboa foi anunciada em 2019 e é o maior evento que o país alguma vez organizou. Vai haver com certeza retorno financeiro - pode-se repetir a discussão que houve a propósito da Web Summit ou do Euro2004. O que não pode é ser tratada de uma forma mais displicente ou leviana do que um acampamento de escuteiros.

Será preciso investir muito dinheiro, será preciso também explicá-lo bem aos cidadãos. “Fazer um erro novo é humano, repeti-lo é burrice”, dizia esta quinta-feira Américo Aguiar. Pois bem, do lado da Igreja já se percebeu que sobra arrogância. Cada vez que está em apuros, em vez de reconhecer com humildade o problema, chuta em frente. Do lado do Estado, sobra desprezo pelos dinheiros públicos. Do Governo aos autarcas, todos acham que a melhor maneira de agir é esconder e fazer de conta que ninguém dá por nada.

(Enquanto isso, falta ainda saber quanto a Câmara de Oeiras vai gastar com a cerimónia de reunião do Papa com os 10 mil voluntários da JMJ, que decorrerá em Algés, no local onde habitualmente se realiza o festival de música NOS Alive. A autarquia diz que o gasto total “não está totalmente apurado”.)

Ninguém sai bem na fotografia e quem se queixe de que se está perante um ataque à Igreja Católica só por ser a Igreja Católica a promover este encontro que pense duas vezes.»

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