9.9.23

Entradas

 


Entrada da Vila Pappone, uma residência histórica em Nápoles. 1912.
Arquitecto: Gregorio Botta.

Daqui.
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09.09.1973 – Em vésperas do golpe no Chile

 


No dia 9 de Setembro de 1973, José Toribio Merino, comandante-chefe da Armada do Chile e membro da Junta do Governo durante os 16 anos que durou a ditadura militar, escreveu uma carta aos generais Gustavo Leigh e Augusto Pinochet, na qual é indicada a data e a hora para o golpe de Estado de 11 de Setembro:

9/Sept/1973 
Bajo mi palabra de honor, el día 'D' será el 11 de setiembre y la hora 'H', la hora 6. Si ustedes no pueden cumplir esta fase con el total de las fuerzas que mandan en Santiago, explíquenlo al reverso. El Almirante Huidobro - vea usted, señor Presidente, ¡qué apellido! -"está autorizado para tratar y discutir cualquier tema con ustedes. – Les saluda con esperanza y comprensión, 
Merino
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Os «Mais Poderosos» em Portugal 2023

 


O Jornal de Negócios acaba de publicar, como todos os anos, o que considera a lista de quem teve mais «poder» em/para Portugal, tendo em conta uma conjugação dos seguintes critérios: Poder da fortuna / Influência mediática / Influência empresarial / Perenidade / Influência política.

Os 5 primeiros são os que vêem na imagem (de 50 nomeados, 43 homens e 7 mulheres).

COMENTÁRIOS, PARA QUÊ…

Podem ser todos vistos aqui.
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Costa de ouvidos em Lagarde e a renegociação de créditos - parte II

 


«Não dar o passo maior que a perna. A ideia é muitas vezes vendida pelo Governo para explicar por que razão não vai mais além nos apoios que dá.

Para sustentar esta posição, o executivo lembra-nos de que a redução da dívida pública continua a ser um objectivo de Portugal e que esse esforço tem de ser feito mesmo quando os cofres do Estado mostram um excedente orçamental.

As contas certas - deixando de fora o impacto desta escolha - são hoje defendidas pelo PS e pelo PSD, pelo que o consenso sobre a importância desta causa é mais generalizado.

O problema parece ser quando se transporta o mantra do não dar o passo maior do que a perna para dimensões concretas, como por exemplo a do crédito à habitação. O que sabemos hoje é que há famílias que renegociaram o crédito à habitação uma vez e que já estão a fazer uma segunda tentativa para o fazer, porque as taxas de juro não pararam de subir e os ganhos que tiveram com a renegociação já foram comidos pela escalada do preço do dinheiro.

Nesta matéria, as respostas do executivo têm-se revelado curtas para as necessidades. Lembremo-nos de que há um ano o Governo apresentava no Orçamento a possibilidade de as famílias com crédito à habitação poderem reduzir a taxa de retenção na fonte de IRS. Um alívio de tesouraria que estava longe de responder ao aperto que se seguiu.

O Governo passou para soluções mais robustas, mas veja-se o que aconteceu com duas das principais medidas: as renegociações entre os bancos e os clientes têm encontrado resistências e já se revelam curtas nalguns casos e a medida da bonificação de juros vai ser reforçada agora pelo Governo porque tinha uma abrangência limitada.

Ao não dar o passo maior que a perna, neste particular, António Costa arriscou-se a anunciar medidas que não passaram de paliativos para as necessidades das famílias com crédito à habitação.

O primeiro-ministro já disse que espera pela decisão do Banco Central Europeu sobre juros, agendada para a próxima quinta-feira, para tomar novas medidas. De Frankfurt têm chegado sinais para quem tem empréstimos que não podem descansar: ou as taxas sobem, ou mantêm-se, e certo é que, para já, não descem, esperando-se que permaneçam num patamar elevado por um período longo.

Costa já percebeu que a subida da inflação não era transitória e que ainda pesa na vida das pessoas. Agora, com os ouvidos postos nas palavras de Christine Lagarde, pode desta vez aprovar um fato mais à medida de quem o veste.»

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8.9.23

Perfumes

 


Frasco de perfume de vidro com sobreposição de prata, iridescente. Áustria, cerca de 1900.
Loetz.

Daqui.
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Ter teto não é ter casa

 

«O Luís pede que seja feito na Serafina o que foi feito no Bairro da Boavista. Ora, eu acompanhei do interior o realojamento das pessoas do Bairro da Boavista para o novo bairro social, assim como o de uma parte do Bairro do Zambujal. Lembro-me da alegria de quem vivia nas barracas, de quem tinha um teto, mas passou a ter uma casa. “Foi o melhor dia da minha vida”, disse-me o João, que viveu o realojamento como se fosse um prémio e não como o cumprimento de um direito.

As casas eram grandes, bonitas, novas, assim como os elevadores, os espaços verdes, os equipamentos para as crianças, mas, aos poucos, vi também a degradação, a falta de manutenção, de acompanhamento. O mau funcionamento dos elevadores, os obstáculos para as pessoas com dificuldades de locomoção. A humidade nas casas, as canalizações defeituosas, os ratos, as baratas. Habitações que continuaram a ser tetos, mas que, aos poucos, se foram tornando menos “casa”.»

Daqui.
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E está mesmo

 

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A propaganda de Costa para os jovens

 


«As medidas anunciadas por António Costa não respondem aos principais problemas dos jovens nem diminuem o adiamento do ciclo familiar dos mais novos. Os agregados que ainda incluem estudantes sabem-no bem.

Este pacote de medidas não é uma “lei cartaz”, como o programa Mais Habitação foi classificado pelo presidente da República e pela Oposição, mas não está muito longe disso.

À precariedade, salários miseráveis e falta de acesso à habitação, o Governo acena com uma série de soluções e ilusões, entre as quais a devolução aos estudantes das propinas pagas no ensino público (697 euros) por cada ano de trabalho em Portugal, a devolução das propinas de mestrado, até 1500 euros, nas mesmas condições, e a gratuitidade dos passes de transporte sub-23, excluindo, assim, muitos daqueles que estão a concluir os mestrados.

Percebe-se a desilusão dos que, neste momento, precisam de uma ajuda efetiva para concluir os estudos e ingressar no mercado de trabalho, sendo que não será a devolução de 697 euros que vai convencer os jovens recém-formados a optarem por trabalhar em Portugal. Se o conseguirem ou não forem falsos recibos verdes... Nem as alterações às regras de acesso ao IRS Jovem, também anunciadas por António Costa.

Se a ideia fosse ajudar os alunos e as suas famílias, as propinas deveriam ser abolidas e não constituírem a principal fonte de financiamento do Ensino Superior, conforme defendem outros partidos.

O primeiro-ministro anunciou ainda um cheque-livro quando os alunos perfizerem 18 anos, um passe para uma semana na rede das Pousadas da Juventude e quatro bilhetes de viagem da CP para “conhecer a diversidade, a beleza, a riqueza e o interesse” do país. Prendas que só podem ser entendidas como de cortesia para um Natal que chegou mais cedo.»

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7.9.23

Portões e Casas

 


Casa Pratjusà, Barcelona, 1892-1894.
Arquitexto: Antoni Serra i Pujals.

Daqui.
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Os jovens estão a ler mais?

 

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Edgar Morin, ainda

 


A palestra de Edgar Morin que ontem referi pode ser vista e ouvida neste vídeo, de 1:53:22 a 2:24:25.


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Emprego e salários na rentrée

 


«Estamos no início de um novo ano político, tempo que a Comunicação Social gosta de designar por rentrée. O Governo prepara o Orçamento do Estado (OE) e as políticas que o acompanharão, dando sinais de fechamento e de medo em se abrir à sociedade. A Direita surge com um programa de mínimos assente em três componentes: i) agitar algumas bandeiras sem ir ao fundo dos problemas porque não tem resposta para eles, como estão a fazer com os impostos; ii) influenciar o Governo no sentido de este ser “bem-comportado” perante os poderes dominantes no plano nacional, europeu e internacional; iii) ir tratando da questão presidenciais 2026 na perspetiva de esse órgão de soberania continuar ocupado por alguém do seu espaço político. Os partidos à Esquerda parecem surgir com uma ação política mais clarificadora das relações entre as agendas social e política.

A Direita começou a acreditar que Marcelo Rebelo de Sousa conseguirá - deitando mão do seu populismo e do atrevimento que por vezes roça o golpe constitucional - subverter o papel do presidente da República e fazer da Presidência uma espécie de governação alternativa ou corretora. A discussão do Orçamento do Estado e a retoma dos trabalhos da Assembleia da República vão tornar mais evidentes estes jogos em curso e o seu distanciamento das respostas aos reais problemas das pessoas.

Uma análise à realidade económica e social conduz-nos a afirmar que o OE para 2024 deve ser acompanhado por compromissos efetivos para se qualificar o perfil de especialização da economia e o de desenvolvimento do país: ou temos um novo impulso de industrialização, em setores e em condições inerentes ao tempo em que estamos, ou definhamos. Por outro lado, precisamos de um OE que interprete os compromissos de uma sociedade democrática organizada no que é estruturante da vida das pessoas: a garantia dos direitos à saúde, à educação e formação, à habitação, à justiça, à proteção social, a uma justa distribuição da riqueza, ao trabalho e salário dignos, a rendimentos mínimos que permitam fugir à pobreza. Para isso servem, também, as políticas públicas.

A Escola inicia o novo ano letivo com os alunos carregados de expectativas e sonhos, mas o Governo teima em tratar mal os professores. Os tribunais reabrem em clima de tensão com parte dos seus trabalhadores e os cidadãos sentem o sistema de justiça entupido. Na saúde a situação é idêntica. Retoma-se a atividade laboral em pleno, com os trabalhadores sem vislumbrarem negociações salariais que lhes reequilibrem os rendimentos. Grande parte dos empresários continuam focados na promoção do individualismo e em trapaças sobre o mérito e o talento. Não aproveitam as qualificações e competências dos trabalhadores e não inovam de facto, como prova o fraco investimento que é feito por posto de trabalho.

A melhoria dos salários anda de mãos dadas com a evolução da qualidade do emprego. Numa entrevista ao “Expresso”, no passado dia 30, Paulo Pedroso, profundo conhecedor de políticas de emprego e de proteção social, afirmou, partindo de algumas observações, designadamente sobre a distribuição funcional do rendimento, que “há margem para um aumento real dos salários em 20%”.

O país ganharia muito se este objetivo fosse colocado no plano da utopia do realizável, agora. A turbulência do debate económico, social e político transformar-se-ia num impulso criativo e modernizador. O Governo pode e deve dar o tiro de partida começando a valorizar os salários dos trabalhadores da Administração Central e Local.»

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