10.9.10

Carta de Edite Estrela aos militantes do PS sobre candidatura de Manuel Alegre


Car@ Camararda,
Car@ Amig@,

No início do próximo ano, vamos ser chamados a escolher o novo Presidente da República. Trata-se de uma eleição muito importante para o nosso futuro colectivo.

A acção política do Presidente da República é determinante para a estabilidade política do país. Sem estabilidade política, as medidas de recuperação da economia e de coesão social do governo não alcançarão os resultados que o País reclama e o governo pretende.

O actual Presidente nunca perdeu uma oportunidade de se demarcar do governo, de dificultar, aberta ou dissimuladamente, a sua acção, e até de obstruir deliberadamente muitas medidas constantes do programa eleitoral sufragado pelo povo português. Durante o seu mandato, foram frequentes as quezílias, intrigas e até campanhas, dirigidas por assessores da sua confiança, destinadas a atingir a idoneidade do governo e do primeiro-ministro.

Os socialistas têm de estar conscientes de que, nas próximas eleições presidenciais, se vai definir o rumo político do País para os próximos anos. A reeleição de Cavaco Silva abrirá as portas a um governo do PSD e a políticas conservadoras e neo-liberais: o serviço nacional de saúde, a igualdade de acesso à educação, as políticas de coesão social, os direitos laborais, tudo será revisto e alterado.

As candidaturas às eleições presidenciais não emergem dos partidos. São candidaturas independentes apoiadas ou não por partidos políticos. Oportunamente, o PS deu o seu apoio inequívoco ao camarada Manuel Alegre, um histórico do PS e uma referência do Portugal democrático.

A eleição de Manuel Alegre dá garantias a todos os portugueses de que o Estado Social, que tem sido a imagem de marca dos governos socialistas, é para ser preservado e defendido.

A eleição de Manuel Alegre dá condições de estabilidade à acção governativa, indispensável à credibilização externa do País, ao desenvolvimento económico e à criação de emprego.

A eleição de Manuel Alegre será a vitória de uma visão social aberta e universalista sobre uma visão social restrita e preconceituosa; a vitória dos valores do humanismo sobre o materialismo; a vitória de uma sociedade plural e paritária sobre uma sociedade que não respeita a diferença nem promove a igualdade; a vitória da Cultura sobre a tecnocracia.

A candidatura de Manuel Alegre é um espaço de cidadania aberto à participação cívica de todos os Cidadãos Eleitores e na qual os militantes socialistas se devem empenhar activamente, dando o seu inestimável contributo para a desejada vitória. A recolha de assinaturas é uma forma activa de participação cívica em que devemos participar.

A Constituição da República Portuguesa e a lei eleitoral determinam que sejam entregues, no Tribunal Constitucional, entre 7500 e 15000 Declarações de Proponentes onde cada cidadão eleitor, devidamente identificado, subscreve uma Declaração de Propositura individual e certifica, através da Junta de Freguesia, a sua inscrição no recenseamento eleitoral.

Saudações Socialistas,

Edite Estrela
Secretária Nacional do PS
Presidente da Delegação Socialista Portuguesa no Parlamento Europe
...
...

15 comments:

Manuel Vilarinho Pires disse...

Bonita composição sobre a virtude e o vício!
Não compreendo, no entanto, a parte em que afirma: "A reeleição de Cavaco Silva abrirá as portas a um governo do PSD...".
Parece pressupor que o Governo é do PSD, mas actualmente é do PS.
Quererá dizer que ela dá como adquirido que o PSD vai ganhar as próximas legislativas (e que se o actual PR for reconduzido não vai dificultar a vida ao novo Governo)?
Ou que se as presidenciais forem ganhas pelo Manuel Alegre ele conseguirá impedir (, não explicando com que poderes,) o PSD de ganhar as legislativas subsequentes e formar governo?
Eu não compreendo, mas os destinatários certamente compreenderão...

Joana Lopes disse...

Manel,

Não faço exegese do texto da EE... Divulgo-o porque o recebi por mail e porque na imprensa só vêm excertos.

Faria o mesmo se se tratasse de um texto de apoio a Cavaco? Obviamente que não! Farei tudo o que puder (e que é praticamente nada) para que ele não fique em Belém mais 5 anos.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Porquê?
Perguntando de outra forma, o que é que prevês que objectivamente poderá ser pior para ti, para mim, para todos os portugueses, se o Cavaco for reeleito, do que seria se não fosse?

Joana Lopes disse...

Para mim, pessoalmente, seria apenas um dano intelectual e estético, digamos assim.

Para o país - ao qual dou alguma importância apesar do meu internacionalismo pós-europeu militante - acho de longe preferível, para o que der e vier, um PR com o ideário de MA do que com o de CS. Ao contrário de ti, obviamente...

Niet disse...

Meus caros: Aproveito a distinta " boleia " para informar o Mundo que vou abster-me nas Eleições Presidenciais lusitanas de 2011. Por todas as razões e mais uma:não devo estar presente em Portugal! Por outro lado, quero chamar a V. distinta atenção para o Programa dos Candidatos, em especial sobre as famigeradas Questões de Segurança. Esta semana li dois grandes artigos sobre esse tema escaldante( e fruto da terrível exploração capitalista, claro), um do deputado do PS francês,Arnaud Montebourg, e outro num estudo publicado no Le Monde.O reviravoltismo/oportunismo de alta intensidade de Sarkozy é desmascarado mais uma vez: em 8 anos os efectivos da polícia francesa baixaram de 10 mil homens... Sobretudo a panaceia das câmaras de video-controlo colocadas na rua é analisada cientificamente. Ao contrário do luso-facilitismo do edil lisboeta António Costa, ambos os artigos sublinham- preto no branco- que as câmaras só funcionam em espaços fechados, tipo silos-automóveis ou no Metro, de acordo com estudos de peritos universitários. Paris, que tem no seu " centro " 2,2 milhões de habitantes só vai, sublinho, colocar 1600 câmaras por agora. No caso de Lyon, o flop foi imenso- o edil é socialista também - e o preço de manutenção do material e dos salários dos funcionários/observadores dos monitores dava para pagar salários de 100 polícias... E o pior é que a violência urbana não diminuiu !!! Niet

Anónimo disse...

Gostaria de ser esclarecido sobre a vantagem da eleição do Manuel Alegre em relação a Cavaco Silva, dado que todos sabemos que Manuel Alegre jamais deu provas de algo ter feito pelo seu e nosso País, desde que o conhecemos, enquanto que Cavaco Silva é conhecido justamente por algo ter feito em beneficio do País. Politicas de lado, pois trata-se de uma eleição supra partidária e unipessoal.

Joana Lopes disse...

Niet,
Acho perfeitamente lógico que se abstenha nas presidenciais, mas não vejo o que isso possa ter a ver com segurança. Programas, nesse domínio, em candidaturas para PR? Não me parece...

Joana Lopes disse...

Caro Anónimo,
Pelos vistos, já fez a sua escolha por Cavaco. Não sou certamente eu, mas sim o programa que MA e os outros apresentarem que responderá, ou não, à sua pergunta.
Quanto a «políticas de lado», abro a boca de espanto: se eleições presidenciais não são «políticas», então o que é a política?!!!

Niet disse...

Caríssima Joana Lopes: As questões de Segurança implicam com o Orçamento, a Administração Interna, a Defesa, a Saúde e a Educação, pelo menos. Cada vez mais. Nós é que julgamos que isso não é bem assim... Forçosamente, isso tem que estar, directa ou indirectamente, consignado no Programa Eleitoral dos candidatos. Eu sei que o sistema semi-presidencialista português é um caldo de cultura humanista e sem grandes poderes para o PR...Mas não nos devemos deixar manietar pelo formalismo(?)da função presidencial.Também sei que o Cavaco Silva, há dois ou três meses, disse que os Governos de iniciativa presidencial já não tinham cabimento..abrindo alas para o " Centrão ",sob o seu aval. Joana Lopes, acho que está a ver as coisas um pouco de forma esotérica...Quando o PR é o CEMG das Forças Armadas e exerce- de bom ou mau agrado- grandes manobras- a todos os patamares- na sua dita " magistratura de influência"... Salut!Niet

JMG disse...

A eleição do PR antes das legislativas é muitíssimo inconveniente. Se fosse ao contrário e o PS ganhasse novamente, o ideal seria escolher Alegre, para ajudar o PS a rebentar com o País de vez - em cima das cinzas talvez se pudesse construir qualquer coisa. Agora se ganha Cavaco e a seguir ganha o PSD, o desastre adia-se e arrastaremos a nossa vil tristeza por muitos mais anos. A menos que o PSD, forçado pelas circunstâncias, se direitize de vez. Coisa pouco provável - foi sempre uma versão edulcorada e um pouco menos lunática do PS.

Anónimo disse...

Não consigo perceber a preocupação, ansiedade, eu diria quase desespero por uma candidatura que ainda nem o é!!!
Edite Estrela, que brilhou enquanto a TV pública lhe deu espaço, tem vindo a perder o brilho e o protagonismo e para se fazer ouvir resolveu falar no Mauel Alegre (ou ser+a Triste).
Este individuo pode ter um discurso inflamado e bem falante, mas aqueles mais velhos, não se esquecem do seu papel de traidor, Não sei em quem vou votar, mas seiu exactamente quem não vou apoiar.

Joana Lopes disse...

Manuel Alegre traiu quem e quando, já agora?

Manuel Vilarinho Pires disse...

Anónimo,

Junto a minha à curiosidade da Joana.
Não tendo intenção de votar nele, e nunca tendo desejado que ele fosse PR, apesar de tecnicamente ser seu eleitor, penso que os ataques em estilo "ex-combatente que atira primeiro e faz perguntas depois" o beneficiam eleitoralmente, bem mais do que as cartas das "Edites Estrelas" deste mundo que só convertem os convertidos. Esta sugestão de traidor tem fundamento ou é apenas um desses ataques?

ZéBonéOaparvalhado disse...

Camaradas, Companheiros

A Missiva é correta e é verdade. -

A conduta de Cavaco Silva, deixa a desejar.

Só uma resposta de semelhante pessoa, levou, a que um aluno no ISE, tivasse dado um estalo, ao assistente Cavaco Silva, ao qual, motivou o seu desmaio e o aluno foi expulso.

Não sou militante, já fui. Ainda hoje voto PS, não sei fazer outra coisa...mas, MAlegre??? não me esqueço do "BAILE" na A.R. que ele dava ao partido e aos deputados do PS...já o Carrilho é outro que tal.

Cumprimentos

José Luiz Sarmento disse...

Cavaco Silva é um economista "neoclássico", ou seja, é co-responsável por uma doutrina fraudulenta desde a sua génese, fabricada por encomenda e segundo um caderno de encargos que visava produzir o que de facto produziu: níveis obscenos de desigualdade.

Mesmo nos termos desta escola, é um economista medíocre: não se lhe conhece pensamento próprio nem obra publicada que lhe confira autoridade científica, quer pela qualidade, que pela qualidade.

Pior: a sua aflitiva incultura impede-o de reavaliar criticamente o que lhe foi ensinado quando era estudante universitário, e consequentemente de aceitar, ou sequer compreender, qualquer alternativa de solução para a crise que o mundo enfrenta desde 2008. Fora das velhas e falidas receitas que conhece, está e estará sempre como peixe fora de água.

Mais grave ainda: quase três anos depois de esta posição se ter tornado insustentável, continua convencido que a política deve ser determinada pela economia - ou melhor, e pior, pelas finanças.

Esta gente tem que ser afastada o mais depressa possível do poder político e económico, sob pena de provocar uma catástrofe comparada com a qual a presente crise será uma brincadeira de crianças.

Por mim, antes o Tino de Rans: é incomparavelmente menos perigoso.