17.4.12

Portugal versus Guiné



É isto mesmo:

«Há algum paternalismo de extracção vagamente neocolonial na forma como Portugal aborda e enfrenta as questões relacionadas com os novos países de língua oficial portuguesa. (…) 

Vem isto a propósito do modo como Portugal reagiu ao golpe militar na Guiné-Bissau, mobilizando e mandando de imediato avançar a tropa, o que poderá ser visto como dar continuação à política por outros meios (...). Ou seja, comportando-se como potência administrante de um país independente. 

Há governantes portugueses que parecem não perdoar a si próprios o facto de terem perdido a oportunidade histórica de seguir a política da velha senhora.» 
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4 comments:

Jorge Conceição disse...

No que respeita ao presente problema da Guiné existem, que eu saiba, apenas duas abordagens na imprensa e, sobretudo nas redes sociais: ou aquela aqui citada de paternalismo colonial, ou a de um total alheamento e desinteresse.

E porque também estão ali em causa direitos constitucionais e democráticos, até nem ficaria mal citarem-se algumas tomadas de posição da sociedade civil guineense, por muito simplista que as possam achar (juízos de valor também com laivos paternalistas...).

Por exemplo, a Liga Guineense dos Direitos Humanos e o Movimento Nacional da Sociedade Civil para Paz Democracia e Desenvolvimento fizeram no passado dia 14 comunicados à imprensa que a Lusa resumiu. Mas que não tiveram eco.

Por não poder, tecnicamente, colocar aqui os documentos timbrados a que tive acesso, deixo aqui links para esses textos, caso alguém tenha interesse em os ler:

- Comunicado da LGDH:http://blogues.publico.pt/asclaras/comunicado-da-liga-guineense-dos-direitos-humanos/.

- Comunicado do MNSC:http://blogues.publico.pt/asclaras/comunicado-do-movimento-nacional-da-sociedade-civil-para-paz-democracia-e-desenvolvimento/.

Septuagenário disse...

Não devemos ver as coisas assim.

Nós apenas tentamos imitar os ingleses e os franceses, que até têm "legiões" próprias para estas intervenções.

Costa do Marfim, Nigéria, Mali, para falar no recente.

Só que imitamos sempre de uma maneira incompleta e sempre tarde e a más horas.

Jorge Conceição disse...

A poropósito, recebi um pedido de divulgação da "Marcha Internacional pelo Respeito ao Povo Guineense" a efectuar-se a partir do Rossio no próximo dia 21 de Abril, sábado. Concentração às 16H00 e início da Marcha às 17H00, em direcção à sede da CPLP, na Rua de São Mamede ao Caldas. Ver o Manifesto, o programa e o vídeo no link: http://www.diasporadaguinebissau.blogspot.pt/.

Recebi também o apelo dos Bispos da Guiné-Bissau, datado de 17 de Abril, mas não possuo o link.

Fúser disse...

Se já foi um erro histórico Portugal não ter abandonado as colónias à medida que a França e a Inglaterra iam dando as independências africanas durante os anos 50 e 60, mais estúpidas foram as atitudes do governo durante este "golpe de Estado".
Tivessem sido entregues nos anos 60 e livrar-nos-iamos de tantos problemas que essa comunidade continua a causar em Portugal.