28.5.19

28 de Maio – Um dia que nunca deve ser esquecido



Recordo a data quase todos os anos, não só para preservar a memória, mas porque deixou marcas que ainda hoje sofremos na pele – conscientemente ou nem por isso.

Em 1926, um dia terrível e decisivo na nossa História marcou o fim da 1ª República e esteve na origem do Estado Novo. Todos os anos havia comemorações, mas duas ficaram na memória.

Foi num outro 28 de Maio, mais concretamente em 1936, no 10º aniversário da «Revolução Nacional», que Salazar proferiu um discurso que viria a ficar tristemente célebre: «Não discutimos a pátria...»



Ainda num outro aniversário – no 40º, em 1966 – o chefe do governo, então com 77 anos, viajou pela primeira vez de avião até ao Porto (entre os outros passageiros, acompanhado pela governanta) para assistir às celebrações que tiveram lugar em Braga.

Fez então um discurso que ficou célebre sobretudo pela expectativa que criou e que deixou o país suspenso - lembro-me como se fosse hoje!. Vale a pena ver a partir do minuto 30:44:

«Neste lindo dia de Maio, na velha cidade de Braga (…), ao celebrar-se o 40º ano do 28 de Maio (…), eis um belo momento para pôr ponto nos trinta e oito anos que levo feitos de amargurado Governo.» Depois de uma interrupção provocada por muitos gritos de protesto da assistência, continuou: «Só não me permito a mim próprio nem o gesto nem o propósito, porque, no estado de desvairo em que se encontra o mundo, tal acto seria tido como seguro sinal de alteração da política seguida em defesa da integridade pátria e arriscar-se-ia a prejudicar a situação definitivamente conquistada além-mar pelos muito milhares de heróis anónimos que ali se batem. É então mais que justo que os recordemos e saudemos daqui».



E ficou – até que uma cadeira cumpriu a sua missão histórica.
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3 comments:

estevesayres disse...

Também não devem ser esquecido, e creio que todos conhecem a Dra. Dulce Rocha, que teve a coragem de dizer o que se passou em 1974 com elementos do (militantes e simpatizante e amigos) do MRPP, e visto não fazer parte de qualquer organização/grupo/partido politico. O que a Dra. escreveu no Facebook:(…)" Todos os anos e há 44 anos acordo em 28 de Maio com um peso no peito. Recordo tudo como se fosse hoje. Um horror que alguns tentam branquear, como se em 1974 e em 1975, só tivesse havido cravos vermelhos. Tinha 21 anos e por muito que viva, esse dia será por mim recordado sempre como escuridão, injustiça e ausência total de liberdade. Por isso, a pena de prisão é algo de muito confrangedor, que só deve ser aplicada em situações muito limitadas, designamente quando estão em causa crimes contra as pessoas, em que os bens jurídicos violados são eminentemente pessoais" Eu não foi preso porque estava na altura o cumprir serviço militar obrigatório. Mas foi mais tarde. Um Ex-RPAC

Joana Lopes disse...

Hesitei em publicar este comentário. Este texto é sobre o 28 de Maio de Salazar. Ou pára de vir aqui fazer propaganda do MRPP ou deixo de o publicar.

estevesayres disse...

Caríssima Joana Lopes,

Não me parece que estela a fazer propaganda o MRPP, este artigo mais acima denuncia o que se passou na altura, e que a comunicação social não escreve uma só linha sobre este triste acontecimento.
E Porquê? Porque vivemos numa democracia que é só para alguns.
Porque aqueles que se atrevem a dizer alguma coisa são de imediato excluídos desta sociedade podre e corrupta!
Tem tudo o direito de me excluir/expulsar do seu blogue, mas não deixo de lhe dizer: A democracia é isto, é divulgar os nossos pontos de vista, políticos, e até edeológicos.

Por fim: Tudo é político, nunca foi incorrecto para com o blogue, sempre tive uma conduta democrática, e assinava por baixo se fosse necessário alguns dos artigos, e até os divulgava. Eu sei que não sou perfeito. Mas que o é?!

Espero que tenha a mesma coragem de divulgar a minha opinião.
Até sempre, "Entre as Brumas da Memória"!