24.7.24

A primeira «pátria» – Moçambique

 


Sinto que tenho três «pátrias» (ou talvez por isso nenhuma, o que vai dar ao mesmo).

Quanto à do Império, deixo para Marcelo & Friends os respectivos festejos aquém e além-mar. Já assinalei o 21 de Julho, Festa Nacional da Bélgica. Faltava referir esta – a de Moçambique –, onde uma cesariana de alto risco me pôs na cidade das acácias vermelhas.

Lá fiz exames da 3ª e da 4ª classe, depois de aprender todos as estações e apeadeiros da Linha do Norte na «Metrópole», de fazer redacções sobre as latadas no Minho e de pôr algodão a imitar neve na árvore de Natal, embora esta estivesse montada ao ar livre.

Com pouco mais de nove anos, vim para Lisboa que detestei. E detestei porque se gravaram em mim imagens de uma cidade tristíssima, com pessoas vestidas de preto ou cinzento, a viverem em camadas dentro de prédios em ruas estreitas, ainda ao som de pregões e de gritos de vendedeiras que espalhavam canastras de peixe pelo chão. Faltavam-me as acácias vermelhas, a Polana, o calor, os cheiros e sobretudo os grandes espaços.

Só bem mais tarde percebi o que eram colonos e colonialismo. E, mais tarde ainda, senti o que foi o inevitável drama dos retornados.

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