18.3.09

Salvar os ricos?













Amanhã, 19 de Março, é dia de manifestações um pouco por toda a França, sendo a defesa do poder de compra a principal revindicação dos sindicatos.

Contestação, sim, mas com humor. Um novíssimo movimento, «Sauvons les riches», de jovens «cheios de compaixão», vai interpelar os ricos para os salvar de uma vida «vulgar e triste» - também eles têm direito à dignidade e a vida que levam fecha-os em gaiolas douradas. No cortejo da CGT em Toulouse, estarão representados num carro de «arrependidos».

Mais a sério, no quadro da campanha Europa-Ecologia, este colectivo tem como ambição que se venha a «repartir a riqueza e salvar o planeta», a começar (com o exemplo de Obama no horizonte...) pela luta para que seja imposto um tecto máximo de rendimento individual a nível europeu, o qual não deveria ser superior a 30 vezes o salário médio.

Versão actualizada - e mais bem-humorada - de «Os ricos que paguem a crise»?

(Esperam-se pelo menos 218 manifestações para o dia de amanhã.)

No Twitter for Hitler

Bem me parecia que isto era obra do diabo










«Os preservativos afirmam que a sida não se combate com o Papa.»
(Miguel Marujo via Twitter)

E a minha resposta a uma pergunta que, entretanto, me foi posta no Twitter:
«A sida poderia dizer que o papa (já) não se combate com preservativos.»

Dear net (2)

Bem a propósito do post anterior.

17.3.09

Pizzas, esparguete e globalização

Encontrar um restaurante italiano ao virar de uma esquina é muitas vezes a escapatória possível para turistas, acidentais ou nem por isso.
Quem não trocou um sushi caríssimo e manhoso em Tóquio, um arenque temperado com canela em Estocolmo ou qualquer prato tipicamente inglês em Londres, por um magnífico esparguete à bolonhesa? Quanto não teria dado o nosso PR para trincar um triângulo de pizza na Índia, em vez daquela terrível chamussa picante?

Dizem-nos que abriu hoje a primeira pizzaria em Pyongyang, porque Kim Jong-il quer que «os norte-coreanos tenham a possibilidade de provar as melhores comidas do mundo».
Abençoada globalização! Enfim, com alguns percalços como este, numa esplanada do Dubai.


Ils sont fous ces belges

Já que a João trouxe para a blogosfera conversas de serão no Twitter, explico melhor algumas histórias de vizinhanças na Bélgica. Além de ninguém se entender sobre que línguas falar ou deixar falar, aquela gente não nasceu para ter vizinhos.

Sim, confirmo que o regulamento do pequeno prédio onde vivi, em Bruxelas nos últimos anos da década de 80, proibia banhos e utilização de autoclismo depois das 22h. Que os elevadores tinham uma placa onde se lia que crianças com menos de 15 anos (!...) não deviam viajar sozinhas. Que uma vizinha queria que eu entrasse em marcha-atrás na garagem para que os fumos do tubo de escape do meu carro não sujassem o dela. Que era obrigatório ter cortinas «blanc uni» nas janelas da fachada. E que se recordava, no dito regulamento, que os condóminos deviam comportar-se «selon le code bourgeois des bons pères de famille». Percebe-se assim melhor o Jacques Brel, não?

Linces, fetos e mau gosto

















A Conferência Episcopal espanhola não brinca em serviço e acaba de lançar uma fortíssima campanha publicitária contra o projecto de reforma da lei do aborto: outdoors, cartazes e oito milhões de panfletos com a foto acima reproduzida.

Se for aprovada, a nova lei estabelecerá que se pode abortar, sem consentimento dos pais, a partir dos 16 anos e alargará para a 14ª semana o prazo de aborto livre em circunstâncias normais e para a 22ª se o feto apresentar anomalias graves ou se existir perigo para a mãe em termos de saúde.

O novo diploma «protege más al lince o a otras especies en vías de de-saparición que la vida de los no nacidos» - dizem eles. Alguém falou de IVG no caso dos linces?

16.3.09

Salazarices













«A sombra de Salazar (ou o seu cadáver insepulto) circula por aí já não como herói ou carrasco, mas como imagem de marca que vende. "Nem bom nem mau, incontornável!" A contra-imagem custa a sair.»

Não perderão o vosso tempo se lerem o texto de M. Manuela Cruzeiro nos Caminhos da Memória.

Dear net (1)


«Há por aí diferentes queixumes»

... disse o Presidente do Conselho alguns dias depois do golpe das Caldas, numa das suas «Conversas em Família».

Exactamente há 35 anos, em 16 de Março de 1974, uma tentativa falhada acabou por funcionar como balão de ensaio, como uma espécie de último treino indesejado para o 25 de Abril.

Entre as duas datas, ficou célebre um Sporting – Benfica, em que uma grande parte dos espectadores aplaudiu de pé Marcelo Caetano quando este apareceu na tribuna de honra - eu vi, eu estava lá. Certamente muitos que, alguns dias mais tarde, puseram cravos em espingardas e engrossaram a multidão do 1º de Maio.

E daí? Nada. É destas pequenas histórias que é feita a História – de humanos, não de anjos nem de heróis.

15.3.09

A crise quando nasce é para todos

Houve alguém aqui que se enganou














Absolutamente a não perder, um artigo de Ferreira Fernandes, no DN de hoje:
«Então, o tigre revela-se, finalmente, de papel, e o papel revela-se sem cobertura, e a China comunista queixa-se?! (...) Quer dizer, estava o capitalismo a entrar nos costumes dos chineses quando, à traição, ele os deixa, sozinhos, entregues à sua ganância capitalista. Não se faz.»

Do outro lado do mundo, a América profunda cerra fileiras contra o «socialismo» de Obama, uma espécie de Robin dos bosques acusado de querer tirar aos ricos para dar aos pobres.

Não resta pedra sobre pedra.