23.3.09

Doutor Mourinho

A tal cerimónia é hoje.
E o «Prós e Contras» desta noite é sobre futebol. Mas porque é que eu não jogo no Euromilhões?

22.3.09

Hà Nội 河内













Claro que o trânsito é caótico em Hanoi, cidade onde vivem mais de três milhões de pessoas (na China seria uma pequena vila...), habitada pelo menos desde 3.000 anos a.c. História acidentada. Recuando apenas até ao séc. XIX, sabe-se que foi ocupada pelos franceses em 1873, dominada pelos japoneses entre 1940 e 1945, reocupada pelos franceses um ano mais tarde. Depois de uma guerra pela independência que durou nove anos, tornou-se capital do Vietname do Norte em 1954 e de todo o país em 1976. Apesar de todas as evoluções dos últimos tempos, garantem-me que mantém ainda um característico «old fashion charme». Sei que verei templos, mausoléus e pagodes. Passearei pela tal parte da velha da cidade e assistirei a um espectáculo com marionetas de água (?...).

Em jeito de preparação para o dia seguinte em que darei um longo passeio na Baía de Halong, cheia de ilhas e de grutas. (Quem já andou pelo rio Guilin, na China, reconhecerá facilmente o desenho das montanhas.) Almoçarei num barco, sabendo que, para o bem ou para o mal, não haverá por ali nada parecido com agentes da ASAE.



Entretanto, já terão passado quatro dias desde a saída de Lisboa. A blogosfera parecerá um pouco fantasmagórica, nem sei como imaginarei o Twitter.

Deve ser do apelido

«As sondagens são uma coisa e o que o povo pensa é outra. Acho que é preciso ter muito respeito pelo bom senso do povo português.»
Elisa Ferreira ao Correio da Manhã.

Afirmação de que a outra não desdenharia.

Diário de Notícias













Alguém pode pedir ao DN que publique um guia turístico para navegarmos no seu novo site? Ando lá há dez minutos e ainda não consegui encontrar o que queria.

21.3.09

It's a long way to Indochina



















A ideia de contar viagens em blogues funciona sempre mais ou menos mal e resulta em meia dúzia de recados, ilustrados com fotos descarregadas à pressa. Quando se está do outro lado do mundo, tudo parece estranho até a blogosfera, há sempre muito pouco tempo livre, um minuto de internet custa por vezes os olhos da cara e as prosas ficam esquisitas sem caracteres portugueses. E se o destino é um dos doze países onde a internet é censurada...

Assim, desta vez, «conto» a viagem antes de partir. Quando lá estiver, confirmo ou desminto... Dento de duas semanas, passarei 24 horas (estou a ser muuuito optimista...) em três aviões e quatro aeroportos – o que não me incomoda absolutamente nada. A Portela terá certamente obras em curso, em Frankfurt conheço as passadeiras e os elevadores quase como os meus pés. Passarei algum tempo em Bangkok, mas nem terei tampo para ir lá fora provar uns gafanhotos, e chegarei finalmente a Hanoi – Vietname, portanto, o 53º país dos meus circuitos turísticos (escalas em aeroportos não incluídas), 5º asiático depois de China, Japão, Índia e Nepal.

As expectativas são grandes e a primeira e excelente notícia é que o meu hotel fica no centro da parte antiga, numa das 36 ruas do Bairro Francês. A primeira saída será num destes simpáticos triciclos, uma das melhores maneiras para conhecer a cidade – dizem-me e eu acredito por experiência semelhante que tive em Pequim. Entre outras coisas verei o lago Hoan Kiem (ou lago da Espada), verdadeiro centro da cidade para os seus habitantes, carregado de história e de lendas.

Leio que Hanoi é uma cidade lidíssima e acredito. Amanhã vou tentar explicar porquê.

Música folclórica tradicional
(Hue & Em por Hurang Lan)







Luzes anti-sono?











Parece que sim, na Assembleia da República, na sala das sessões agora recauchutada. São azuladas e funcionarão uma ou duas horas pela manhã e também depois do almoço (não consigo deixar de pensar nuns aparelhómetros, também com luzes azuis, que existem nos cafés para afastar moscas...)
Várias outras novidades: anti-sísmicas, anti-fogo, anti-bicho da madeira (madeira com minúscula). Nada anti-berros, pelos vistos.

E muitos, muitos computadores que vão servir para tudo e mais alguma coisa. Aí é que eu gostava de ser mosca, sem luzes azuis que me enxotassem, para ver a dimensão da azelhice. Em breve, muito em breve, haverá muita gente a «tuitar» (vai uma aposta?). Mas cuidado com os hackers!!!

(Fonte)

20.3.09

Pelo Choupal

Amanhã, 21 de Março, pelas 21:30
No TAGV, em Coimbra

Espectáculo musical/protesto contra
a construção do IC2
sobre a Mata Nacional do Choupal.





Estará por lá o Miguel Cardina (na bateria), dos Diabo a Sete.

«Um negócio obsceno»

Uma crónica de Manuel António Pina, publicado no JN de hoje.

O autor disse-me que tinha tomado conhecimento do site do «Paço do Duque» através da leitura deste texto. Agradeço a atenção e republico aqui a sua excelente crónica.


Os 38 apartamentos de luxo construídos no edifício que foi a sede da PIDE, em Lisboa («um edifício com história» que, diz a imobiliária, se mostra «novamente orgulhoso da sua herança») estão a ser vendidos convidando os compradores a «reviver tempos de esplendor» e um passado de «luzes a reflectirem-se nas pratas do aparador e nas vestes de gala de cavaleiros e damas».

A suja história de sangue e horror do edifício e os gritos de dor de milhares de portugueses que as «velhas e nobres paredes com um metro de espessura» abafavam, são agora, pelo turvo milagre da usura, uma memória doirada, transbordante de festas e de bodas, e de duques, príncipes e embaixadores. Num país onde o dinheiro compra tudo, até a memória colectiva, os antigos torturadores tornaram-se «copeiros e gentis homens» ao serviço de ricaços e recém-chegados ansiosos por reconhecimento. Bem pode o poeta clamar que «com usura homem algum terá casa de boa pedra» e que «com usura, pecado contra a natureza,/ sempre teu pão será rançosa côdea»; os usurários não têm pesadelos nem temem fantasmas. O esquecimento é o seu «estilo de vida».

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P.S. - Ler também este texto de João Tunes.

Simplex? O que faria se não fosse

Dizem-me que não é fácil passar por todas as etapas necessárias para tirar o tal Cartão de Cidadão - não sei, não fiz a experiência.

Mas vi ontem o olhar perplexo de alguém que tinha acabado de receber o aviso para o ir levantar. Ora leiam, se faz favor.

















Eu nem sei se tudo isto é necessário ou indispensável. Mas penso nos meus compatriotas de Barrancos do Vale de S. Francisco, da Texugueira, ou mesmo de Alguidares de Baixo, e dou por mim a cismar.

19.3.09

Dear net (3)



Borla e capelo












Se há algo que me torça o sistema nervoso, desde sempre, é esta história de doutoramentos «honoris causa». Sei que vem de longe, da Idade Média, mas nós por cá já temos as medalhas do 10 de Junho, que cumprem com vantagem a mesma função. Apetece-me dizer que trabalho é trabalho e conhaque é outra coisa, talvez porque ainda tenho pesadelos recorrentes com a minha tese de doutoramento, que tanto me fez penar.

Ora li hoje, um pouco por toda a parte, que a faculdade que «induca» os nossos desportistas vai consagrar José Mourinho para (sua) honra, por causa da honra ou por honra da causa – tanto faz. Precipitei-me para um título que anunciava contestação por parte de alguns docentes da faculdade em questão e o que leio? Para além de objecções puramente processuais, uns acham que ele é demasiado novo para o título, outros que passou indevidamente à frente de Carlos Queirós (oz), Jesualdo Ferreira e Nelo Vingada. No comments.

A cerimónia será na próxima 2ª feira, durará todo o dia (!...), o nosso PR estará presente (para honra da pátria, no seu caso), Mourinho já chegou a Lisboa para se preparar (?...). E a drª Fátima, futeboleira como é, escusa de procurar outro tema para os P&C dessa noite...

O «Paço do Duque»

Leia o texto que está na imagem, até ao fim. Se preferir vê-la maior, pode clicar AQUI e voltar depois a este post.



Acaba de ler a história do prédio situado na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, onde, durante décadas, funcionou a sede da PIDE. É assim que ela é contada no site do empreendimento de luxo «Paço do Duque», neste momento em fase de acabamentos.

Apetecia-me parar aqui – palavras para quê quando a indignação nelas não cabe.

Ninguém obrigava a imobiliária a escrever qualquer história do edifício, mas, ao decidir fazê-lo, correu um grande risco. Porque os novos inquilinos acabarão por saber o resto da história. Quando e como, interessa pouco – infelizmente, já não há grande pressa. Todos aqueles que não aceitaram que um lugar de tal modo ligado à memória histórica da ditadura tenha sido transformado em condomínio de luxo certamente que não se calarão.

Porque à noite, à hora da ceia, nada brilhava – ouviam-se gritos. As luzes não se reflectiam nos pratos do aparador – mantinham-se acesas para que os presos não adormecessem. E até provocavam alucinações. Ninguém envergava vestes de gala, mas sim roupa amarrotada e muitas vezes rasgada pelos actos de tortura.

P.S.– O link para este texto será enviado para o contacto indicado no site: pacododuque@temple.pt

(Publicado também em Caminhos da Memória.)
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