30.6.10

China em contraponto


Ser branco - louro ou moreno - pode ser uma boa oportunidade para ganhar algum ou mesmo muito dinheiro em terras de Hu Jintao. Há empresas chinesas que alugam estrangeiros como falsos empregados, consultores ou parceiros de negócio – por um dia, por uma semana ou por alguns meses. Porquê? Porque, alegadamente, os países ocidentais ainda pensam que instituições que contratam pessoas no exterior devem ser ricas e poderosas e ter ligações internacionais importantes.

O que é fundamental? Não falar chinês e parecer que se desembarcou na véspera de um avião vindo um qualquer país mais a Oeste.

Dois relatos, neste vídeo da CNN.

Um mundo de fantasia muito elaborado, onde tudo se compra, nada se perde e tudo se vai transformando.

(Chegará o dia em que começaremos a alugar chineses?)



(Fonte)
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29.6.10

Optimus Live, uma pátria sem amos?

Nem sei exactamente o que penso deste vídeo, porque não sacralizo hinos. Mas não estariam a cair por aí raios e coriscos se a música do anúncio fosse a de «A Portuguesa» ou a do «Avé de Fátima»? É que não dou mais importância à pátria ou à fé de alguns do que a sonhos de outros e não gostaria de ouvir a «Grândola, Vila Morena» a fazer propaganda de sabonetes. Serei a única? Fica a pergunta.



(A história começou num post da Jonasnuts.)
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Cooperação estratégica é isto!


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Dia de iberistas



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Os gregos, nós e o dr. Barroso


Escrita em Atenas, a crónica de Rui Tavares, no Público de ontem, caracteriza especialmente bem o conceito e o sentimento «da crise» e é leitura mais do que aconselhável, se não mesmo obrigatória.

«A palavra é grega; a sensação também. Para os gregos antigos, crise era um termo médico. Significado: crise era o momento na evolução de uma doença em que o doente poderia ficar muito pior, ou muito melhor.
Para os médicos modernos da crise, que são os tecnocratas em Bruxelas, os governos de Sócrates a Papandreou, e os comentadores um pouco por todo o lado, a palavra crise perdeu metade do seu sentido. Agora quer apenas dizer o momento em que as coisas estão mal e vão ficar consistentemente pior. Crise deixou de ser um momento; passou a ser um estado.
Visto de Portugal e da minha geração, crise passou a ser o nome da normalidade. (…)

É até um pouco perturbador; não consigo lembrar-me de quando foi que nos convencemos de que o máximo a que podemos ambicionar é que as coisas sejam um bocadinho menos más. Desistimos de tentar fazê-las muito melhores. Estamos a falhar.(…)

Entretanto, Durão Barroso decidiu fazer comentários sobre os riscos futuros da democracia grega. Esses comentários caíram aqui muito mal e, francamente, a dois passos da Ágora não parecem menos do que ridículos. Se Barroso quer reflectir na democracia em risco, poderia começar para a instituição que dirige. Ainda não me parece que os membros da Comissão possam dar lições de democracia a atenienses.»
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28.6.10

Vaticália ou a nobreza negra do Vaticano


Em El País de ontem, um longo e detalhado artigo sobre a «Vaticália» (Vaticano + Itália) - um complicado imbróglio de influências e acusações de corrupção, pela conjugação de acções com muitos protagonistas e uma intrincada rede de interesses laicos e religiosos.

Nem tento resumir o texto, mas tudo parece girar em torno de um grupo de 147 poderosos notáveis – os «Gentil-homens de Sua Santidade» – que, «com competência e autoridade», «ajudam a engordar as arcas do estado pontifício, o paraíso fiscal mais rico, melhor decorado e mais visitado do mundo». Dos 147, 114 são italianos, sete americanos, cinco espanhóis e cinco austríacos.

Vieram agora para a boca de cena por causa de um deles, Angelo Balducci, (que, entretanto já fora demitido por Bento XVI por envolvimento em escândalos sexuais com seminaristas e com «sem papeis»). A história é longa mas transcrevo três elucidativos parágrafos:
«Balducci es un ingeniero que durante 25 años se encargó de ejecutar las obras públicas en la región del Lazio, donde se hallan Roma y el Vaticano. De ahí pasó al Gobierno central como responsable del Consejo Superior de Obras Públicas. Tras una vida dedicada a mejorar las infraestructuras italianas y vaticanas, Balducci, de 62 años, vive ahora en la cárcel romana de Regina Coeli.
Desde febrero, Balducci es el principal imputado en el escándalo de corrupción de la todopoderosa Protección Civil italiana, que de momento tiene a más de 50 personas imputadas o bajo investigación. Desde 2001 hasta ahora, el superministerio que depende de la Presidencia del Gobierno ha gastado fondos públicos por valor de 13.000 millones de euros, según el último informe de la Autoridad para la Vigilancia de los Contratos Públicos.
El dinero era gestionado por el jefe de la Protección Civil, el secretario de Estado Guido Bertolaso, también acusado de corrupción, y por el ejecutor de las obras, Balducci, gracias a una argucia autorizada por el primer ministro, Silvio Berlusconi, para superar la maldita burocracia y afrontar las emergencias con más rapidez: la licitación de contratas públicas se hacía sin concurso, a dedo, derogando los procedimientos ordinarios.»

Hérnias


Quando a notícia caiu ontem à noite, o serão animou-se no Facebook. Já muitos nomes tinham sido dados a este desgraçado país, mas «hérnia estrangulada»???

Habituados a advogados, a economistas e a poetas, a alertas para perigos de corrupção, de bancarrota ou de iliteracias, estamos todos e vamos vivendo. Mas estrangulamentos e risco de peritonite? Isso acorda a hipocondria adormecida no coração de cada lusitano e pode acabar em coisa má. (E se aparece um candidato cangalheiro, pergunta alguém e com razão, no Facebook?)

Mais vale que Fernando Nobre se deixe de comparações tão complicadas e atente em realidades mais comezinhas (*):



(*) Recomendação musical de Virgílio Vargas para o tema «Hérnias Estranguladas».
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Isto anda com muito mau aspecto


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À espera nem se sabe de quê


As recentes picardias entre Cavaco e Sócrates começam a ser insuportáveis e não auguram nada de previsivelmente bom para a tal cooperação estratégica, ainda cinicamente apregoada pelo primeiro, nem para a gestão da crise sem fim à vista.

Nem é concebível que o presidente ande por aí a apregoar, por montes e vales, que o país está numa situação insustentável que ele tão bem ajudou a criar, nem tem graça a alusão de Sócrates à falta de cultura de Cavaco (olha quem fala…), dizendo e repetindo que aprecia presidentes que gostem de Camões, numa subliminar alusão aos «onze» cantos dos Lusíadas, uma vez referidos pelo inquilino de Belém.

Num braço de ferro entre optimismos e pessimismos, valha-nos o humor de Manuel António Pina e de Woody Wallen:

«Talvez um pessimista como Cavaco seja um optimista bem informado, sobretudo se sabe do que fala pois, não tão "há bastante tempo" como isso, contribuiu activamente para a "situação insustentável". E um optimista como Sócrates? Será só um pessimista mal informado? Ou alguém como aquele personagem de Woody Allen que, mesmo quando tudo se desmorona à sua volta, e até os Giants perderam o "Super Bowl", ainda encontra por que alegrar-se: "Ao menos não tem chovido..."?»
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27.6.10

Europa, «extremo ocidental da Ásia»?


 
Mas optimista afinal continua. Porque mesmo que se aceite o princípio de que o federalismo poderia ser a grande solução para os males europeus, não se vislumbra que ele esteja no horizonte em tempo próximo - e portanto útil.

Bem a propósito, leia-se o comentário de Teresa de Sousa no Público de hoje, Desordem transatlântica, sobre o comportamento da Europa na reunião do G20.
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Mundial - Teoria da conspiração?


Circula por aí um mail com previsões:
  • O Brasil ganhou o campeonato do mundo em 1994. Antes disso, a sua última conquista do título foi em 1970. 1970 + 1994 = 3964.
  • A Argentina ganhou em 1986, antes em 1978. 1978 + 1986 = 3964.
  • A Alemanha ganhou em 1990, antes em 1974. 1990 + 1974 = 3964.
  • O Brasil ganhou em 2002, antes em 1962. 1962 + 2002 = 3964.
Seguindo esta lógica, o vencedor do Campeonato em 2010 será o mesmo que em 1954. 
1954 + 2010 = 3964.
Quem ganhou em 1954? A Alemanha… (que acaba de eliminar hoje a Inglaterra)


P-S- - O mais preocupante é que Portugal só poderá vencer em… 3964.
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Quem diz isto, quem é?



Temos homem!
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