«E o desfile segue – o desfile dos tipos que sobem as escadarias dos ministérios, dos que descem as escadarias dos ministérios, uns já com o olhar de donos, mas vacilantes ainda, sem poderem acreditar na realidade, outros com um sorriso estampado que lhes dói. Estamos todos lívidos, por fora e por dentro…»
Foi há 50 anos, em 12 de Outubro de 1960, durante uma agitadíssima Assembleia Geral da ONU, que Nikita Kruschev tirou um sapato e bateu furiosamente com ele na sua bancada.
O incidente produziu-se num momento de grande tensão na Guerra Fria, cinco meses depois de um avião-espia americano ter sido abatido em territorio soviético e quando o recentíssimo governo de Fidel Castro se aproximava cada vez mais da URSS.
Na origem do gesto de Kruschev esteve uma intervenção do representante das Filipinas, em que este acusou a União Soviética de «colonizar» os países da Europa de Leste e os privar de direitos civis e políticos.
Seguiu-se uma sequência rocambolesca: Nikita protestou com o sapato, o presidente da Assembleia tentou controlá-lo batendo na mesa com um martelo, partiu-o, apagou a comunicação das traduções simultâneas e interrompeu a sessão.
Nos días que se seguiram, não se falou de outra coisa - num mundo muito menos mediático do que hoje e quando niguém ainda se lembrava de fazer corninhos em parlamentos.
«Face a solicitações de vários órgãos de comunicação social sobre a atribuição do prémio Nobel da Paz deste ano, o PCP divulga o seguinte:
A decisão da atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo – inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China - é, na linha da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao Presidente dos EUA, Barack Obama, mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos.»
Quando tudo parece ter limites, o PCP consegue ainda surpreender.
«If Liu [Xiaobo]’s calls for a multi-party democracy in China were followed, a commentary in the paper said: "China’s fate would perhaps be no better than the former Soviet Union and Yugoslavia, and the country probably would have quickly collapsed"»
Para evitar palavrões:Oxalá! Deus é grande, etc., etc., etc.
Kim Jong-il e o seu filho e sucessor Kim Jong-Un assistiram hoje, em Pyongyang, a um desfile comemorativo do 65º aniversário do partido comunista da Coreia do Norte, em que participaram 20.000 militares e uma parafernália de dispositivos de guerra.
Tudo já foi dito sobre esta caricata ditadura monárquica e nem a referiria se não tivesse chegado a este terrível vídeo onde se vê a Praça Kim Il Sung, em Pyongyang, como uma réplica assustadora de Tiananmen, com tudo o que essa semelhança implica.
Absolutamente impossível não temer que algo parecido com 1989 possa um dia vir a repetir-se aqui. Sim, porque a dinastia Kim será inevitavelmente quebrada - mais ano, menos década -, mas não se sabe como.
Cá está um tema fundamental em tempos de crise e de que se fala muito pouco: os anjos, esses seres que «têm alguns elementos comuns com Deus e outros com os homens: com estes porque são criados, com Deus porque não morrem».
Isto e muitíssimo mais deve explicar Marcello Stanzione, um padre italiano que já escreveu mais de quarenta livros sobre o assunto e que acaba de publicar Os Anjos. Um Guia Essencial.
Eu já devo ter sabido isto tudo, mas juro que tinha esquecido. Há três categorias: na primeira, cabem Serafins, Querubins e Tronos; na segunda, Dominações, Virtudes e Potestades; na terceira, Principados, Arcanjos e Anjos (propriamente ditos).
E nem quero pensar na azáfama em que vivem certamente aqueles a quem calhou o nosso PM e o seu principal interlocutor!!! Serão amigos? Falarão de PEC's?
«Desde que se convirtiera en la potencia mundial dominante durante la Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos ha buscado mantener un sistema global de control. Pero ese proyecto no es fácil de mantener. El sistema se erosiona visiblemente, con implicaciones significativas para el futuro. China es un jugador potencial muy influyente y desafiante.»
«Washington reacciona a todo esto con un toque de desesperación. En agosto, el Departamento de Estado advirtió de que “si China quiere hacer negocios en todo el mundo, también tendrá que proteger su propia reputación, y si alguien adquiere la reputación de un país dispuesto a evadir y esquivar las responsabilidades internacionales, eso tendrá un impacto a largo plazo… Sus responsabilidades internacionales son claras”. En otras palabras, que debe seguir las órdenes de Washington.
Es poco probable que los líderes chinos se sientan impresionados por tales declaraciones, que constituyen el lenguaje de una potencia imperial tratando desesperadamente de aferrarse a una autoridad que ya no posee. Una amenaza mucho mayor que Irán a su dominio internacional es una China que rehúsa obedecer sus órdenes. Y que, de hecho, como potencia mayor y en crecimiento, las descarta con desprecio.»
Um Outono animadíssimo estava já mais do que garantido, mas veio agora a cereja em cima do bolo: Hugo Chávez vai «passar por cá», provavelmente ainda este mês.
Entre a entrega da pen com o Orçamento a Jaime Gama, as birras de Sócrates e Passos Coelho, os gritos em S.Bento e o papão do FMI no horizonte, o amigo Hugo desembarcará na Portela. Espera-se que antes do dia 29, data prevista pelos astros para o pedido de demissão do nosso PM.
Discursará? Esperemos que sim… Serão horas de puro divertimento e tirará algum tempo de antena a Medina Carreira.