28.8.12

Há 49 anos



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom»



Ver também o vídeo sobre a Marcha

«Um dos mais angustiosos problemas da nossa experiência humana é o de verificar como são poucos ─ se alguns houver ─ os que conseguem ver realizadas as suas esperanças mais queridas. As esperanças da nossa infância e as promessas da nossa maturidade são sinfonias incompletas. Um quadro célebre de Georges Frederic Watts representa a Esperança como uma tranquila figura de mulher, sentada sobre o nosso planeta, a cabeça inclinada tristemente, a tanger a única corda inteira duma harpa. Haverá algum de nós que tenha experimentado a agonia das esperanças perdidas ou dos sonhos desfeitos?»

Martin Luther King, jr, Força para amar.
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Universidades, 20 anos depois


Em Le Monde Diplomatique (versão portuguesa), mais um excelente texto de Sandra Monteiro.  

«Uma vez mais, do ensino superior público chegam profundas preocupações com o futuro, já no próximo ano lectivo. Vai-se difundindo uma narrativa segundo a qual a situação do sector resulta da grave crise que o país atravessa, aconselhando solidariedade com os cortes e sacrifícios exigidos. Mas o presente não chegou de repente. Foi preparado, pelo menos, durante as duas últimas décadas. E as mudanças que foram introduzidas no ensino superior público são muito ilustrativas do ponto a que haveríamos de chegar. 

Passaram vinte anos desde que, a 14 de Agosto de 1992, foi publicada no Diário da República a Lei n.° 20/92, que aumentou as propinas no ensino superior público. A contestação estudantil que se verificou antes e depois da promulgação da lei foi um espaço central de exercício de cidadania e de politização de toda uma geração. Adiou durante quase dez anos a aplicação das concepções neoliberais a este grau de ensino. Mas não conseguiu impedir um rumo que continua a ter expressão internacional, como recentemente se viu no Chile, em Espanha ou no Canadá.

Depois da lei de 1992, o ensino superior deixou de ser tratado como um direito de acesso universal e gratuito, assegurado por um serviço público que urgia democratizar, para elevar o baixíssimo nível de qualificações dos portugueses (ainda hoje é baixo, apesar da evolução). O montante pago pelos estudantes foi subindo e ultrapassou agora a barreira dos mil euros; a qualidade do ensino e a acção social escolar nem por isso aumentaram; o destino das receitas das propinas foi substituindo as dotações do orçamento de Estado, até para pagar as mais básicas despesas de funcionamento, como os salários.

Os argumentos dos defensores do novo modelo não resistiram à prova do tempo e da realidade. O co-financiamento dos custos do ensino pelos estudantes e suas famílias, além de desresponsabilizar o Estado, sobrecarregou duplamente quem já contribuíra por via fiscal para o financiamento público e encetou uma corrida a parcerias com investidores externos que transporta para as universidades perigosas lógicas de mercadorização do ensino e dos saberes.

As famílias com estudantes no ensino superior público estão numa situação muito desfavorável no contexto internacional: tendo em conta os rendimentos medianos do país, fazem um esforço que apenas é superado pelo que é feito no México, Japão, Austrália e Estados Unidos.» 

Continuar a ler AQUI.
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Nunca desistir


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27.8.12

O polvo



«Está a comer-se a si próprio, até acabar por morrer, um polvo de um aquário público de Berlim. Devora-se à velocidade diária de meia polegada.
O polvo começou a comportar-se de maneira estranha há cerca de dez dias, e dois dos seus tentáculos já se encontram devorados até meio. Espera-se que acabe por morrer, meio comido por si mesmo.
A razão do comportamento do polvo permanece inteiramente desconhecida.» 

Herberto Hélder, Retrato em Movimento, Ulisseia, 1967, p.28.
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Se a Merkel vê o que fazem aos «seus» trocos!...

Perde o país. Perdemos todos nós



A 7 de Março de 1957 a minha mãe, Maria Helena Varela Santos, abria a primeira emissão regular da RTP, a partir dos estúdios do Lumiar; no dia 25 de Abril de 1974, o meu pai, José Fialho Gouveia, lia o comunicado das MFA, a partir dos mesmos estúdios. Se eu tivesse vindo com um carimbo a diz "Made in RTP" não podia estar mais certo! Foi neste canal de serviço público que passaram os melhores e mais significativos programas da televisão portuguesa, enquanto as audiências não se sobrepuseram à qualidade. Não há Big Brother que ultrapasse um Zip-Zip, não há telenovela que bata "As Árvores Morrem de Pé". Tem vindo a perder qualidade, é um facto. Mas com a dissolução do canal público anuncia-se o adeus definitivo ao papel social a que esta sempre se devia ter mantido fiel e que já recomeçara timidamente a recuperar. De ora em diante a televisão em Portugal viverá somente para o lucro, seguindo uma espécie de doutrina do neoliberalismo mediático, reflectindo a ideologia política que hoje rege os nossos destinos. Vence o capital; perde qualidade; perde o país. 

Maria João Fialho Gouveia no Facebook
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«Chegou a hora de dizer não aos grandes bancos alemães que mandam na Europa»



Sánchez Gordillo, hoje no ionline, em entrevista concedida a Nuno Ramos de Almeida (na continuação da reportagem feita em Marinalesa, já aqui referida). 
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A RTP «segura»



Se este governo concretizar o projecto pré-anunciado para a RTP ─ fechar a 2 e concessionar a 1 por 15 ou 20 anos ─ e se, entretanto, o PS ganhar as eleições, António José Seguro rasgará violentamente todos os contratos assinados?  


Facílimo! Esperemos sentados...
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26.8.12

Se houver por aí voluntárias...



Duas das cinco activistas da banda Pussy Riot, que actuaram na catedral de moscovo e que a polícia não tinha conseguido prender, fugiram da Rússia e procuram feministas estrangeiras que queiram participar em acções futuras

Não resta pedra sobre pedra: já nem a polícia russa é o que era!... 
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Há 10 anos ou pouco mais



A «Revista» do Expresso, ontem divulgada, foi a terceira de quatro edições especiais destinadas a comemorar os 40 anos de existência do jornal, que se completam no próximo dia 1 de Janeiro. Este número abrange o período 1993-2002. 

Ainda não cheguei ao fim da leitura, mas o que vi dá matéria de reflexão mais do que suficiente: como foi possível chegarmos ao ponto em que estamos, a partir de onde nos encontrávamos há 20 ou mesmo há dez anos?!

O texto de Clara Ferreira Alves «Parecia o fim da História» espelha bem, a meu ver,  uma parte da «história»:

«Vivíamos numa campanha alegre. Tudo se vendia e tudo se comprava. Todo o país era um "projecto". Quem olhasse um pouco para o que se passava lá fora estaria atento aos sinais, mas em Portugal, o oásis, ninguém queria saber dos sinais. O Muro tinha ruído, a União Soviética tinha implodido, o mundo banhava-se na luz astral do capitalismo como sistema perfeito.»

Texto, na íntegra, AQUI
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O sucesso

Crise e regresso da política




Via ATTAC Mallorca, cheguei a este texto de Carlos Martínez: Ante la ausencia de POLÍTICA surgen las aventuras políticas Leitura na íntegra recomendada, nesta amena manhã do último Domingo de Agosto. Alguns excertos: 

«En la anterior crisis capitalista, la de 1929, ante el derrumbe de un sistema y la falta de expectativas sociales, también la política - comúnmente entendida - sufrió un gran desgaste. Pero el sistema fue capaz de rehacerse tras experimentar diversas formulas de superación de la gran recesión. Su apuesta final y solución, es conocida, la guerra. En concreto la II Guerra Mundial. Pero antes se probaron diversas soluciones, sobre todo en Europa.

El auge del Fascismo, el Nazismo y el Falangismo, se deben a respuestas nacionales de clases medias asustadas ante su empobrecimiento y el peligro – para ellos y sus ideas conservadoras - del Socialismo y el Movimiento Obrero. Con el apoyo de la gran burguesía y las grandes fortunas europeas, surgieron movimientos de señoritos de las clases medias y medias bajas, violentos y anti-políticos, es decir anti-democráticos pero también, anti-comunistas y anti-sindicalistas. (...)

El pacto por el estado del bienestar, tregua imprescindible para las burguesías europeas principalmente, pero de Occidente en general, también fue roto por la revolución conservadora de finales de los ochenta del siglo pasado y en esas seguimos. En realidad, cuando hay personas incluso desde posiciones de izquierdas que se preguntan “ ¿Cuándo acabará la crisis?“, mi respuesta es: cuando hayan logrado sus objetivos políticos de dominio y control sobre las clases populares y trabajadoras, despojándolas de sus derechos y conquistas sociales y democráticas, en pos de lograr su competitividad en el mundo, es decir competir ante la nueva organización económica mundial, libremente y con pueblos sin derechos en su retaguardia, que les permitan a ellos seguir ganando y acumulando capital. Pero también con pueblos dóciles y asustados que les posibiliten su intento de volver al dominio mundial. (...)

Por eso en estos momentos, ni hay tercera vía posible, ni volveremos al pacto social, no están en ello. Por eso o estamos con las víctimas de la crisis y los pueblos o estamos con los poderosos y las grandes fortunas y bancos. No hay intermediación posible. (...) Por eso la denuncia de las políticas neoliberales y las ideologías conservadoras debe ser clara. Pero cuidado, para el empoderamiento político de ciudadanas y ciudadanos, es imprescindible la acción política estructuradora de un frente del pueblo antineoliberal. Un frente amplio. Ante esto, pienso que los ataques indiscriminados a la política favorecen a los poderes. Pero las provocaciones o acciones elitistas y grupales propuestas por iniciados y poseedores del fuego de la movilización también. No son actos al margen de las clases populares y de sus organizaciones, movimientos y asambleas o grupos sociales amplios auto-organizados, los que nos conducirán a ningún lugar que no sea favorecer intereses de los de arriba, por muy buena voluntad que nos asista. (...)

Esta situación que vivimos estos días, en el Reino de España, da lugar a aventureros y aventuras. A tentaciones de sustituir la acción de las personas solidarias y activas o simplemente sufrientes de la injusticia, por acciones a su margen. Lo más peligroso es que da lugar a aventureros de derechas y ultraconservadores, disfrazados de eficacia y capacidad y novedad, a pesar de ser viejos delincuentes convictos por fraude bancario. La solución no es un ex banquero, ellos han creado la crisis. La solución no es la algarada auto justificativa. La solución es la amplia convergencia socio-política antineoliberal.» 
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