23.10.12

Hungria, 23/10/1956 – O que não esqueço



Retomo parte de um post, publicado em tempos a propósito da «Revolução Húngara» de 1956, que teve início há 56 anos.

Tudo começou no dia 23, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos. A revolta alastrou depois ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Em 4 de Novembro deu-se a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a resistência acabou daí a seis dias. 

A operação saldou-se por alguns milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul.

E é aqui que entra a minha história. Entre os muitos países procurados por jovens estudantes que foram saindo da Hungria assim que puderam, a Bélgica foi um deles e eu cheguei à Universidade de Lovaina um ano mais tarde. Já encontrei muitas dezenas e vi chegar outros, ainda com olhar inquieto depois de longas peregrinações por diferentes paragens. Partilhei residências universitárias com alguns e, curiosamente, houve imediatamente uma grande empatia ente húngaros e os pouquíssimos portugueses que por lá andavam. Fiquei amiga de muitos.

Tudo era ainda muito recente, as histórias multiplicavam-se e estarreciam-me pela total novidade que eram para quem nunca tinha conhecido qualquer cidadão de Leste. Durante muito tempo, estudei, li e interpretei muitas realidades, não só mas também com «olhos húngaros». E, quando aconteceu Praga 68, foi Budapeste 56 que imaginei permanentemente.

Poderia contar dezenas de episódios, mas limito-me ao mais trágico: um surto de loucura (latente, certamente, mas que só se revelou alguns anos depois da fuga), numa rapariga impecável e inteligentíssima que um dia se barricou no quarto durante várias horas, ameaçando suicidar-se, porque via caras de soldados russos reflectidos no lavatório e tinha outras alucinações do mesmo tipo. Só cedeu a um polícia, também inteligente, que do outro lado da porta a convenceu de que vinha prender os russos e a levou para um hospital psiquiátrico. 

Isto passou-se na residência onde ambas morávamos, a alguns metros de distância. No dia seguinte defendi a minha tese de doutoramento e dois dias depois regressei a Portugal. O fim da minha longa estadia belga ficaria para sempre ligado a uma terrível recordação de Budapeste 56.
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Nesta passeata é que ninguém me apanha

Marcelo presidente? Seria uma cereja em cima do bolo



Mais uma sondagem da Pitagórica para o jornal «i», hoje sobre possíveis candidaturas à presidência da República.

É verdade que passaremos por muita austeridade e por muitas reestruturações da dívida, declaradas ou não, antes de 2015/2016. Mas se as eleições tivessem lugar agora, Marcelo Rebelo de Sousa, para além de ser a primeira escolha daqueles que foram inquiridos, seria o único a ter um saldo positivo na opinião sobre a sua personalidade (33,9%).


Comentários para quê... Teríamos uma múmia substituída por um pantomineiro – com a maior das tranquilidades, como é óbvio.

Algumas notas: 
- Continuamos na república dos machos: só aparecem 2/11 de mulheres. 
- Ninguém ligado ao CDS ou ao Bloco. 
- Carvalho da Silva é relegado quase para o fim da fila. 
- Sócrates incluído na lista por pura maldade?

Voltando a Marcelo, recorro ao que Ferreira Fernandes escreve hoje, no DN, a propósito da inenarrável iniciativa anunciada no Domingo: «Receio que os alemães, vendo um reputado professor universitário tão espalhafatoso, decretem: estes tipos não podem ser levados a sério. E nos apertem ainda mais a tarraxa.» 

E, tal como acontece com FF, é-me difícil associar as palavras «vídeo» e «Marcelo» sem pensar nisto: 



Estamos a expiar exactamente o quê? 
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Um problema de torneiras



Da crónica de José Vítor Malheiros, no Público de hoje: 

«O que temos é pois um problema de torneiras. Temos dois tanques com água: o tanque A tem 124 litros de água e uma torneira que despeja lá para dentro 5 litros de água por hora. O tanque B tem 100 litros de água e um ralo por onde se escoam 3 litros de água por hora. Vítor Gaspar jura-nos que, se esperarmos tempo suficiente, o tanque A vai ficar vazio e o tanque B vai ficar cheio. E, perante as expressões de dúvida à sua volta, lembra-nos que o país fez um enorme investimento na sua educação. É o argumento de autoridade (“Que raio! Se ele é assim tão caro, deve ser mesmo bom!”). Não é sofisticado, mas é eficaz. Talvez o tanque encha, talvez o outro se esvazie. Talvez ele faça milagres. Talvez faça prestidigitação. Não pode ser um aldrabão de feira ou um louco, um homem com uma educação tão cara! 

É claro que, em rigor, mesmo com estes números, não é impossível pagar a dívida. Temos é de vender umas coisinhas. E há muito para vender. Podem vender-se as empresas públicas todas. Como muitas são monopólios naturais, os compradores levam como brinde uma clientela cativa. Pode vender-se o litoral para empreendimentos turísticos. Podem vender-se reservas naturais. Podem vender-se palácios e igrejas. Mas atenção: não convém pagar tudo demasiado depressa. Os credores vivem da dívida. Se não tivessem devedores, como viveriam os pobres diabos? Somos a galinha dos ovos de ouro. E eles não querem empresas, que dão trabalho. Querem dinheiro. (...)

A cada dia que passa, a teoria radical, esquerdista, anarquista, comunista, bombista, terrorista e cataclista (espuma ao canto da boca) da renegociação da dívida ganha mais adeptos. (Claro que não Pedro Passos Coelho, que se licenciou em Economia na Universidade Lusíada e que estudou afincadamente economia técnica, que é algo semelhante ao inglês técnico, mas em cadernos quadriculados.) (...) 

A grande diferença entre este Governo e os outros é que os outros (mesmo os piores) queriam ser reeleitos. Este não se preocupa com as eleições. Que se lixem as eleições. O que este Governo quer é a pilhagem do Estado e dos cidadãos. Ser Governo de novo? Para quê, quando há tantas empresas agradecidas onde se pode arranjar emprego logo ao fim de quatro anos? A política está bem durante uns anos, mas só os tansos é que lá ficam. Para facturar a sério é na bolsa, na banca, nos off-shores. Alguém acha que Vítor Gaspar vai ficar na política, a ganhar só o ordenado de ministro ou deputado, para pagar o investimento que o país fez nele? » 
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22.10.12

Sempre um bom pretexto


... para o ouvir. Diz-se que faria hoje 91 anos.






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O povo gosta do bloco central?



Segundo uma sondagem realizada pela Pitagórica para o jornal «i», 81,5% dos inquiridos respondem que «desaprovam a forma como o executivo está a governar o país». 

No entanto, desses mesmos inquiridos, 37,8% ainda votariam num dos dois partidos que formam a coligação (gente confiante na ressurreição desta, certamente...), embora a manta viesse a ficar demasiadamente curta.


Não vale a pena somar o que não interessa «se as legislativas se realizassem neste momento» – as percentagens de PS + CDU + BE –, por mais sonhos que por aí andem. Haverá túnel, mas (ainda?) sem luz.

PS + CDS não chega para nada.

Mas o que é assinalável é a constância no amor dos portugueses pelo «bloco central»: PS + PSD sempre com mais de 60%. 

Por muitas das afirmações que faz, é bem provável que, conscientemente ou não, o dr. Mário Soares ainda sonhe com o seu governo de 1983-1985, com Mota Pinto, como modelo para sairmos da actual crise. Mas o que não se sabe é se Cavaco Silva tem ainda, umas décadas passadas, o mesmo asco a que o seu partido de sempre governe de braço dado com os socialistas. Em 1985, assim que ganhou o congresso da Figueira da Foz (19 de Maio), não descansou enquanto não acabou com a coligação reinante e o «divórcio» só foi adiado por uns dias para não inviabilizar a assinatura do Tratado da nossa adesão à CEE, em 12 de Junho. (Logo a seguir, ganhou legislativas, primeiro com maioria relativa e depois absoluta.)

As pessoas não mudam tanto quanto se pensa e é por isso que não é inútil recordar alguns amores e ódios do passado quando os protagonistas ainda andam quase todos por aí. Os partidos também são bastante fiéis aos seus ADN, by the way, e esta é, provavelmente, uma das razões pelas quais ninguém consegue prever como sairemos do imbróglio governamental em que nos encontramos.

«Defendo» eu uma aliança PS + PSD? De modo algum (sinceramente, nem defendo nada, neste preciso momento...). Mas há um passarinho que me diz que lá chegaremos, com ou sem um berloque chamado CDS, se Cavaco não recusar a priori a hipótese, como o fez há vinte e muitos anos. 

(Fonte dos gráficos)

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Homilia



Fica aqui, na íntegra, a que Januário Torgal Ferreira fez no funeral de Manuel António Pina. 

«Para a Maria de Fátima, filhas e restante família; para a cultura poética e teatral, e suas crianças destinatárias; para o jornalismo em Portugal, mormente para o "Jornal de Notícias"; para a cidade do Porto e para a cidadania em geral, fica um vazio sentido de um homem reto, culto, corajoso, solidário e inteligente.

Há anos, o Manuel António Pina salientava (suponho com os olhos e o ouvido aberto a Beethoven, autor do dito) que a bondade - supremo grau da sabedoria e do serviço à humanidade - era o valor mais insigne.

Desse e da miríade de tantos outros valores que entretecem o tecido social foi o Manuel António articulador e sábio, poeta e peregrino, num misto de sonho, bom humor, modéstia natural, profecia e inconformismo.

Na penúria desta sociedade onde se vem a perder a liberdade da honra, a fruição dos humildes e oprimidos, sob o guia de um coração de pedra diante dos desafortunados, dos sem emprego e futuro, a cultura é luxo de utilitarismo; as instâncias de desenvolvimento, a estultícia do permanente lucro; os lutadores com o seu suor e dignidade da carteira profissional, muitas vezes, um estorvo, parecendo contabilizar-se em número, a ternura e o afecto, a fraternidade e a paz, as relações sociais, alumiadas pela justiça e respeito.

Até o próprio patriotismo ganha parecenças com a glorificação pessoal, ele que traduz o apagamento do eu diante do primado do outro.

Escultor de palavras/conceitos, com cinzel apurado, o Manuel António sempre nos entrou casa adentro com o rumorejar da fome, as cumplicidades da rua, as traições de promessas, o desembarque de interesses.

Heidegger perguntava pela função dos poetas em tempos de desqualificação! Foi em capítulo desta história que um poeta grande nos deixou.

Escolhi, face a tantas hesitações e desequilíbrios, a "Boa Nova das Bem-Aventuranças", das quais destaco, em comentário, o verdadeiro modelo do crescimento: 

Felizes os que deram tudo
Felizes os buscadores da paz
Felizes os que não fugiram, quando perseguidos e injustiçados
Felizes os que plantaram sempre o pão da justiça e lutaram contra a germinação da miséria
Felizes os que acreditaram que só se tem Deus quando se humaniza a comunidade humana
Felizes os que humanizam o mundo com a consciência de sem razões religiosas
A todos estes, Deus há-de escolhê-los como peregrinos de Emaús. 

Em artigo na "Notícias Magazine", intitulado "O que fica do que se perde", escrevia há uns meses o Manel: "Hoje (...) experimento sempre uma confusa sensação de perda (referia-se à fé católica e às ideologias) (...).

Talvez não seja bem melancolia, mas antes a longínqua persistência de algo, uma espécie de resíduo ou de subproduto em qualquer sítio onde nem a razão nem a vontade podem alcançar.

E, conforme assinalava poeticamente:

"Ainda não é o fim... apenas um pouco tarde"
Mesmo "com palavras últimas".
"Volto de noite para casa
Tudo é memória fora de mim".
"Por outras palavras, o encontro da morte com o silêncio" não é o contrário da existência "pois a vida talvez seja um sonho".

Se, numa perspectiva cristã, é no coração de Deus que permanece conseguida a realização do que fomos, pensámos e vivemos, é no coração de cada um de nós que o Manuel António repousa, enquanto amigo de combates desiguais sem deixar a nossa casa, porque o que defende a grande causa da humanidade é uma existência justa.

Pela saudade "é que vamos".»
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As patrióticas iniciativas do professor Marcelo



Continuo fiel às homilias dominicais do professor Marcelo e acabo sempre por me surpreender.

Na de ontem, anunciou a inenarrável decisão de «lançar uma iniciativa para divulgar a situação de Portugal "junto, principalmente, do povo alemão" que tem uma ideia péssima dos portugueses»: um filme, a ser exibido como publicidade paga nas televisões alemãs, pouco antes das eleições que terão lugar naquele país, em 2013. 

Inspirado no (sinistro) vídeo onde os feitos heróicos de Portugal foram atirados à cara doa finlandeses, Marcelo pretende agora apresentar aos germânicos a realidade portuguesa, explicar «os impostos a que o povo está sujeito, os sacrifícios da classe média», etc., etc. Arranjará mecenas para cobrir os custos e é possível que recorra aos mesmos que conceberam o filme para a Finlândia

Interrogações: 

- Antes de mais: passar o vídeo em vésperas de eleições na Alemanha? MRS quer Influenciar os eleitores alemães para que votem exactamente em quem? Não seria mau que explicasse.

- Quem lhe disse que o povo alemão «tem uma ideia péssima dos portugueses»?

- Está com saudades da campanha em que pediu bandeiras à janela, em tempos de lutas futebolísticas? 

- Já que não tem idade para atravessar o Tejo a nado, escolhe um modo mais subtil e recuado de se colocar na rampa de lançamento para as presidenciais, com protagonismo aquém e além fronteiras? É mais do que possível.

Enfim, eis o que nos espera: exportar Portugal visto pelos olhos der MRS e pelas mãos do 31 da Armada. Mein Gott... 
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21.10.12

Os Papéis de K. (Manuel António Pina)



Não tive coragem para o ir procurar quando a notícia chegou – este livro que Manuel António Pina me ofereceu há quase quatro anos. 

Com Os Papéis de K., de 2003, estreou-se na ficção narrativa para adultos. Quando me pediu a morada para mo enviar, disse-me que «a principal personagem é (acho eu) a memória». Sem dúvida.

«Talvez, quem sabe?, a vida seja, como os hindus e os budistas dizem, uma alucinação ou um sonho. A memória é-o decerto.»

«De qualquer modo, a memória é uma ficção e o passado uma espécie de sonho que nos sonha tanto quanto o sonhamos nós.» 

E, agora, é a nossa memória que continua a sonhar com Manuel António Pina.
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Entretanto, em Londres

Pelo jornalismo, pela democracia - Carta aberta de 80 jornalistas (2)



Petição online para ser lida e assinada AQUI


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Vem aí a explicação – «A Mão do Diabo», de José Rodrigues dos Santos



O pivot da RTP lançou ontem o seu novo livro de ficção. Apertemos os cintos, ou respiremos fundo, porque ele explica tudo o que está a acontecer-nos:

«Uns dizem que a culpa é da desregulação dos mercados, outros que é da má governação em Portugal. Quem é que está a falar verdade? (...) Com este romance, eu procurei clarificar as águas (...) e [as pessoas, que ficam com a informação] não se deixam enganar tão facilmente pelos políticos.» Vale a pena ouvi-lo na íntegra

Só daria para rir se não fosse perigoso e penso que dificilmente deixará de o ser. E é lamentável porque a ficção é uma arma poderosa, nomeadamente em tempos de crise. 

Ontem mesmo, no «Babelia» de El País, Antonio Muñoz Molina chamou a atenção para a sua importância (Dificultad de la ficción). 

« Necesitamos relatos para que el flujo de la realidad se nos vuelva inteligible. Unos más y otros menos, todos necesitamos relatos de ficción y de no ficción, fábulas y crónicas, retratos de personas que existen o han existido o que son imaginarias, documentales e historias interpretadas por actores. Necesitamos mirar de cerca la realidad y necesitamos escapar temporalmente de ella, y encontrar en las ficciones donde satisfacemos esa huida claves simbólicas que nos ayuden a entender lo que vemos al abrir los ojos, al apartarlos del libro, al salir de la sala de cine.(...)

Creo que necesitamos esos ejemplos más que nunca. Este trastorno de todo en el que estamos viviendo como un mal sueño que sigue durando y se hace cada vez más oscuro y más túnel nos ha llegado en una época en la que habíamos casi perdido la costumbre de mirar las cosas e intentar contarlas tal como son. Nos hemos quedado sin herramientas para construir relatos inteligibles. (...)

Salgo del cine una noche de sábado y en la calle casi a oscuras veo un hormigueo de sombras recortándose contra el escaparate de un supermercado que acaba de cerrar y en el que una por una van apagándose las luces. Los contenedores de la acera rebosan de paquetes de alimentos recién desechados: yogures, huevos, bandejas de carne, conservas, congelados, cartones de leche, embutidos, cestos de frutas, montones de verduras sin lustre. En la acera, en silencio, cada uno a lo suyo, ignorándose las unas a las otras, sin ayudarse ni interferirse, escarban en los contenedores, eligen, descartan, guardan en bolsas, amontonan en carritos, se marchan cada una en una dirección, con las cabezas bajas, personas de mediana edad, o ya mayores, ninguna con aspecto marginal, personas como yo que buscan en los desperdicios para remediar el hambre. Quién contará sus vidas.»

Era disto que precisávamos. Mas, a julgar pelas declarações do autor, estaremos em presença de explicações e de receitas populistas, em mais um gigantesco sucesso de vendas de José Rodrigues dos Santos... 
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