25.6.13
Orwell, George Orwell
George Orwell (mais exactamente, Eric Arthur Blair) faria hoje 110 anos. Nasceu em Motihari, nas Índias Orientais, onde ninguém deixa de reivindicar o facto quando a voz corrente o considera oriundo da Birmânia – reivindicação que ouvi mais de uma vez, quando andei por lá perto, a caminho do Butão. Mas, de facto, foi só em 1922 que Orwell chegou a Mandalay, em Burma, para frequentar a escola que o tornaria membro da Polícia Imperial Indiana.
Em jeito de homenagem e sempre actual:
«Uma sociedade torna-se totalitária quando a respectiva estrutura se torna manifestamente artificial, isto é, quando a respectiva classe dirigente perdeu a sua função mas consegue manter-se agarrada ao poder pela força ou pelo embuste. Uma sociedade assim, por muito tempo que persista, nunca pode dar-se ao luxo de se tornar tolerante ou intelectualmente estável. (…) Porém, para sermos corrompidos pelo totalitarismo, não é obrigatório que vivamos num país totalitário.»
Livros & Cigarros
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Problemas de comunicação?
Há comparações e imagens que valem por mil discursos longamente explicativos.
«Julgava-se que um Governo servia para governar e não para ser um departamento do Chapitô. Num momento crucial sobre o nosso futuro, este Governo poderia optar por uma política junto do país real e fazer uma digressão pelas praias de Portugal. Cada dia um ministro com primeira parte de Tony Carreira. Seria a prometida mudança comunicacional no seu esplendor.»
(Daqui)
(O link pode só funcionar mais tarde.)
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24.6.13
Esperança, mas com taxa moderadora
É «Imprensa Falsa», mas...
Poiares Maduro:
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E quanto ao Brasil
... dois conselhos, por hoje:
*** Ler este texto na «Passa Palavra»: Uma nação em cólera: a revolta dos Coxinhas.
*** Ver este vídeo:
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Cavaco, versão Speedy Gonzalez
«Tão veloz como Speedy Gonzalez, Cavaco Silva promulgou a lei governamental para que os subsídios de férias só sejam pagos em Novembro. Tanta celeridade, em contraste com tanta reflexão no passado sobre tudo e mais alguma coisa, demonstram apenas uma coisa: Cavaco deixou de ser um presidente para passar a ser um pin colocado na lapela do casaco do Governo. (...)
Com Cavaco, acabou o semi-presidencialismo bebido nas teses de Maurice Duverger pelos constitucionalistas portugueses de 1975 e 1976. Isto sucede numa altura em que o CDS forja a mais consistente alternativa estratégica e táctica ao Governo de que faz parte (...) em tudo, um programa de oposição ao liberalismo de laboratório de Passos e Gaspar. (...)
O CDS sente que o vento vai mudar. Só Cavaco, perdido no seu labirinto, perdeu a noção das mudanças que têm de haver rapidamente para que o regime não impluda. Mas isso diz muito sobre a elite que nos governa.»
Fernando Sobral
(O link pode só funcionar mais tarde.)
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De camaleão a carburante de extrema direita
... leve o diabo a escolha e a reputação de Durão Barroso já teve melhores dias.
«O senhor Barroso é o carburante da Frente Nacional, eis a verdade! E é o carburante de Beppe Grillo.», afirmou Arnaud Montebourg, ministro da Indústria francês, a propósito do actual sucesso do partido de Marine Le Pen no seu país.
Mas explicou porquê e isso é que é importante: «toda esta classe dirigente europeia não vê que a UE é a única região do mundo que organizou, de certa maneira, a sua própria recessão, enquanto o resto do mundo está a crescer». Alguém nega?
(Fonte)
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23.6.13
E ele hoje não falou
Tinha dito que não convocaria conferências de imprensa «diárias» à quinta-feira porque há briefing do Conselho de Ministros. Mas também não trabalha ao fim-de-semana? Semanas de quatro dias, portanto? Acho mal... E será que respeita, amanhã, o feriado de S. João? Como viveremos sem este maná prometido?!...
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O deserto do meu contentamento
Na actual sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, reunido em Phom Penh, no Camboja, na mesma em que Coimbra foi declarada Património da Humanidade, também o Deserto da Namíbia foi incluído na lista (*). Que Coimbra me desculpe, mas bati mais palmas: este enorme «Mar de Areia» foi das maiores maravilhas que me foi dado ver neste mundo. Por lá andei em 2007 e bem gostaria de um dia voltar. «Regresso» com algumas imagens das suas míticas dunas, as duas últimas tiradas a bordo de um pequeno avião.
(*) Com a seguinte justificação: «O "Mar de Areia da Namíbia" é o único deserto costeiro do mundo, que inclui extensas áreas de dunas influenciadas pelo nevoeiro. Cobrindo uma área de mais de três milhões de hectares e uma zona tampão de 899.500 hectares, o local é composto por dois sistemas de dunas, um antigo semiconsolidado, recoberto por um mais novo activo. As dunas do deserto resultam do transporte de materiais vindos do interior, de locais a milhares de quilómetros, que são levados por rios, correntes oceânicas e vento. Há planícies de cascalho, planos costeiros, montanhas rochosas, ilhas de pedra dentro do mar de areia, uma lagoa e rios efémeros, num conjunto de que resulta uma paisagem de uma beleza excepcional. O nevoeiro é a principal fonte de água no local e é responsável por um ambiente único em que os invertebrados endémicos, répteis e mamíferos se adaptam a uma variedade, em constante mudança, de micro «habitats» e nichos ecológicos.»
. A Europa que não se cuide...
E isto não vai lá com compromissinhos mancos entre esquerdas e pseudo-esquerdas. O problema é muito mais fundo e mais grave e ou a Europa acorda ou afunda-se – e nós com ela, neste insignificante e centrifugado canteiro.
. Incompetência pura e dura
«Há uma assinatura que percorre toda a acção governamental: incompetência com muita ignorância à mistura.
Os responsáveis governamentais não queriam acabar com a classe média como estão quase a conseguir; não queriam, obviamente, criar estes níveis de desemprego; não queriam obrigar tanta gente a emigrar; não queriam que a dívida se tornasse impagável; não queriam destruir a economia portuguesa por muitos anos. Sem ponta de ironia, claro que não. Enganaram-se. Foram tão-só incompetentes. E não há nada pior do que um incompetente bem-intencionado. (...)
Não sobrou quase nada. Não há discurso, não há uma linha de rumo, não há um plano. Há apenas uma vontade de sobreviver ao próximo disparate, ao próximo descalabro orçamental, aos próximos números do desemprego, aos próximos boletins meteorológicos, aos próximos humores de Gaspar, aos próximos arrufos de Portas e a muita, muita incompetência e ignorância sobre o país. Dois anos, apenas em dois anos.»
Pedro Marques Lopes
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