26.8.13

Vícios públicos, virtudes privadas



Segundo o Expresso, «o Presidente da República transmitiu as suas condolências às diferentes corporações a que pertenciam os bombeiros falecidos, sublinhando tratarem-se de mensagens pessoais, que não queria tornar públicas», aparentemente concretizadas através de telefonemas feitos por assessores.

Em contrapartida, foi em mensagem bem pública e «oficial», publicada na página da Presidência da República, que Cavaco Silva apresentou condolências à família de António Borges, em seu nome pessoal e «em nome dos Portugueses».

Duas observações:

1 – Nada há nada de mais público do que bombeiros que morrem na tentativa de salvarem vidas e bens de portugueses e que, precisamente por isso, mereceriam que o Presidente da República manifestasse o seu pesar (e agradecimento) em seu e também em nosso nome.

2 – Nem com muito esforço consigo vislumbrar qualquer motivo para a mesma pessoa apresentar condolências, EM MEU NOME, à família de um simples cidadão que morre com cancro, aos 63 anos, como tantos outros neste país. 

Cavaco Silva é indigno da função que exerce. 
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Um país em forma de assim

Protectorado



«Sucessivos chefes, para manter o seu poder político, foram aumentando a dívida portuguesa. Isto é: foram entregando, alegremente, a autonomia nacional na mão dos credores, hoje representados por figuras tão fleumáticas como a União Europeia e o FMI. (...)

Tendo tornado Portugal num protectorado, não admira que os sucessores desses chefes nacionais se comportem como os cobradores do fraque: estão ao serviço dos credores, cortando despesas, fomentando a emigração e impondo democraticamente o imposto. (...)

Sendo assim, há solução? Em 1307 o rei Filipe IV de França reparou que devia uma soma inimaginável aos Templários. Sem querer, ou poder pagar, descobriu uma solução miraculosa: torturou-os e atirou-os para a fogueira. E ficou com a sua riqueza e sem dívida. Hoje esta atitude está fora de questão. Mas esta dívida portuguesa também nunca será paga. Quando é que os chefes políticos, de Portugal e da UE, começam a discutir o futuro a sério?»

Fernando Sobral (sem link)
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24.8.13

Living in the rain



Já em Londres para regressar amanhã à base, debaixo de uma chuva que, não sendo propriamente de cats and dogs, incomoda mais do que o suficiente. 

A cidade está superpovoada com três milhões adicionais de participantes e espectadores do carnaval de Notting Hill e milhares de árabes ricos, vindos sobretudo da Arábia Saudita, que aproveitam os últimos saldos de Verão.

A última atracção para os turistas é uma gigantesca estátua com um galo azul, em Trafalgar Square, inaugurada há alguns dias, obra de uma artista alemã que confessou nem saber que o galo é o símbolo oficioso da França (cuja derrota é celebrada precisamente em Trafalgar Square…) quando concebeu e começou o projecto. Uma outra novidade, mas essa já com um ano de existência, é The Shard, um prédio em forma de pirâmide com 87 andares, actualmente o mais alto da União Europeia, e do qual o estado do Qatar é coproprietário.

De resto, o Big Ben continua a funcionar, Buckingham não tem a bandeira real hasteada porque a rainha está, como é tradição, em férias na Escócia e o nº 10 de Downing Street já não é o que era porque até o acesso à rua está vedado por um portão de segurança. E, também por razões de segurança, há câmaras de filmar em tudo o que é esquina, o que leva os londrinos a dizerem que a cidade se transformou num enorme Big Brother. 

Já disse que chove? Pois e amanhã vai continuar a chover…

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23.8.13

E, de repente, Paula Rego



Descendo da Escócia, andei hoje por Durham, uma bela cidade do nordeste de Inglaterra, conhecida sobretudo por um castelo do século XI e uma magnífica catedral normanda, ambos Património Mundial da Humanidade desde 1986.

Foi na catedral que vi «Margareth and David», um quadro de Paula Rego encomendado para um altar dedicado a Santa Margarida da Escócia (1046-1093), onde esta está acompanhada pelo filho que veio a ser o rei David I, considerado o grande criador da Escócia medieval.

Que o quadro existia no local já eu sabia, fotografá-lo foi o resultado de uma finta a um guardador de proibições, momentaneamente distraído.

Uma coisa é certa: Durham mérite un détour, como ainda rezam os guias Michelin. 





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22.8.13

Resisti uns dias



… mas lá teve de ser: «fish and chips» em Edimburgo.
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Dentro de nevoeiro



Edimburgo foi certamente a melhor surpresa da viagem: cidade magnífica, com uma quantidade de monumentos e de casas lindíssimos, mesmo que não se consiga ver nem metade, por falta de tempo e abundância de nevoeiro…

Há que esquecer o clima, trepar até ao castelo, ver o muito que tem dentro e descer depois por ruas sempre apinhadas de gente por todas as razões e por mais duas: Agosto é, há décadas, sinónimo de Festival Internacional «oficial» e também do alternativo Fringe. Se para o primeiro nem vale a pena tentar comprar um único bilhete, o segundo espalha-se pelas ruas principais, vai crescendo de ano para ano e claro que não me escapou.

A Escócia acaba para mim amanhã, depois começa o countdown para o regresso, de novo via Inglaterra. Mas quero voltar um dia a Edimburgo, com mais tempo. E com um pouco de Sol? Seria a cereja em cima do bolo.




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21.8.13

Silly season, silly season!



Num intervalo um pouco mais longo nas minhas digressões pela Escócia, decidi ouvir hoje a mais do que célebre entrevista de Judite de Sousa a Lorenzo Carvalho.

Duas rápidas notas:

1 – Como pode uma não-notícia como esta ter tido tanto eco, durante vários dias? Ainda por cima, pelo que tinha lido, julguei que o rapaz tinha sido trucidado, o que nem sequer foi o caso!

2 – Mas, em contraponto, fiquei a imaginar uma hipotética entrevista a Judite de Sousa, feita por um jovem estagiário de um canal de televisão, sobre salários, privilégios, caridadezinhas que ela faz ou não faz, etc., etc., etc. Tudo é relativo, guardadas as devidas proporções, certo?

Enfim, silly season, sem dúvida.
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20.8.13

À procura do monstro



Dia de Verão nas Highlands escocesas, com histórias de guerras entre clãs e de guerras de clãs contra ingleses, montes e vales verdes, verdíssimos, um ou outro castelo e, sobretudo, lagos e mais lagos com óbvio destaque para Loch Ness, do qual se diz que nele caberia a água de todos os lagos da Inglaterra e da Escócia e que tem mais de 200 metros de profundidade. Por lá naveguei na esperança vã de encontrar mesmo o tão procurado Nessi… Ainda não foi desta, saí de lá não heroína mas apenas enregelada: Verão por aqui é pura sugestão de calendário, está frio, chuvisca de vez em quando, deve ter havido hoje uma curta horita de Sol.

Estou neste momento em Inverness, quase na ponta superior da grande ilha, capital desta região e, ainda hoje, grande centro de fabricação dos famosos kilts.

Tudo isto é interessante, embora nada de muito espectacular para meu gosto, mas mil vezes melhor do que estar por aí a viver o novo drama nacional de uma entrevista que alguém fez a um tal de Lorenzo, acontecimento que me parece ter uma importância verdadeiramente transcendental para o futuro do país, quem sabe mesmo se da humanidade. 
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18.8.13

Por essa Europa acima



Longo dia que começou com a (re)visita de Oxford, numa calmíssima manhã de Domingo, com estudantes em férias e turistas a fotografarem, preferencialmente, os Colleges que serviram de cenário a filmes de Henry Potter. Mas Oxford é sempre Oxford, embora seja uma lamentável injustiça histórica que não se encontre por lá uma modesta placa que assinale a passagem académica de Cavaco Silva, nem qualquer rasto de Vasco Pulido Valente ou de Filomena Mónica…

Seguiu-se Stratford-upon-Avon, paragem obrigatória por ser terra onde Shakespeare nasceu e está sepultado, mas que merece o desvio também pelas belas ruas do centro histórico.




Para Norte, mais interessante é Chester, perto da fronteira com o país de Gales e já não muito longe de Liverpool. Cidade eminentemente industrial, com uma arquitectura lindíssima, tanto de estilo vitoriano (Town Hall), como outra mais antiga, destruída mais de uma vez e bem reconstruída.





O tempo é menos que pouco para prosas, ms valem as imagens. Amanhã haverá mais.
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