26.8.14

As Cidades e as Praças (59)



Praça do Palácio (Monte Carlo, 2014)





(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
.

Impostos e mais impostos



«Houve um tempo em que foi criada uma lei que proibia os portugueses de andar descalços. A multa era de 2$50. Uns sapatos custavam menos do que dois escudos e cinquenta centavos, mas quem andava descalço não ganhava o suficiente para os comprar.

Portugal de hoje não é tão pobre. Mas centenas de milhar de portugueses já não têm qualquer salário ou apoio estatal. A austeridade foi o soro milagroso que nos foi vendido como a forma de asfixiar a dívida e o défice. Os equívocos estão à vista: a dívida é cada vez maior, o Estado continua a aumentar as despesas, as exportações mostram sinais de cansaço.

A Europa parece uma prisão de devedores e Portugal não tem acesso à chave para fugir dela. Face a este descalabro a única certeza dos portugueses é que os impostos vão continuar a aumentar. Até ao dia em que trabalhar deixará de ser uma opção, porque não valerá a pena. (...)

Só falta nascer um imposto sobre quem anda calçado.»

Fernando Sobral
. 

Da série «grandes capas»


.

Bom dia, Julio Cortázar



Cortázar faria hoje 100 anos e já morreu há 30.

Em jeito de homenagem, convido-vos a olhar para o canto superior direito deste blogue e a seguir as instruções. Poderão ler muitos textos seus, que fui publicando aqui – prova da profunda admiração que há muito tenho pelo escritor e pelo homem. 
.

25.8.14

Privilégio



Ter estudado nesta belíssima cidade – Leuven / Louvain «la vieille», na Bélgica.




.

Lido por aí (99)

A reforma que nunca saiu da gaveta



«Depois das mais recentes decisões do Tribunal Constitucional, a reforma do Estado fica definitivamente na gaveta, de onde, aliás, parece nunca ter saído.

Pedro Passos Coelho anunciou que até ao final da legislatura não irá propor mais nenhuma reforma da Segurança Social, uma vez conhecida a decisão do TC que se opõe ao corte das pensões. Diga-se que o Governo ainda não entendeu que "reformar" não é cortar pensões nem vencimentos. "Reformar" é repensar funções e definir modelos de governação da "coisa pública". Enquanto este governo "liberal" não perceber o óbvio, continuamos alegremente a diminuir a eficiência pública, a desmotivar os funcionários e a "atrofiar" a economia em nome do financiamento do Estado, porque não há coragem onde existem interesses pessoais e apropriação privada das estruturas públicas, na "partidocracia" em que vivemos, que se habituaram a alimentar do sistema. (...)

Mais do que grandes ideólogos ou utópicos, fazem actualmente falta, em Portugal e na Europa, grandes estadistas mas com visão da sociedade e capacidade de projecção, com grande sentido prático e simplificador. As ideologias que conhecemos são produto do século passado e de contextos próprios e não se adaptam ao mundo global e às novas formas de organização social contemporâneas. A generalidade das instituições não se adaptaram às novas realidades sociais e económicas, ao nível da família, da demografia, da tecnologia, das empresas, no desenho de novos sistemas sociais e redefinição de funções. Insiste-se num modelo decrépito para regular um sistema novo. Não funciona. (...)

Certo é que a dívida pública não para de crescer e está a ser sustentada pelos únicos agentes que geram valor e cada vez com mais dificuldade – famílias e empresas. O mesmo será dizer que continuamos alegremente a acelerar em direcção ao precipício, mas em vez de 200 km/hora vamos só a 100 km/hora. É esta a gestão do Governo. Infelizmente o destino e o caminho são os mesmos. Muda apenas a velocidade e o tempo em que lá chegaremos, adiando por uns "instantes" o embate.»  

. 

Há 70 anos – a libertação de Paris



Entre 19 e 25 de Agosto de 1944, a libertação de Paris pôs fim a quatro anos de ocupação. Hoje celebra-se, de diversos modos, este 70º aniversário.

Nesse mesmo dia 25, Charles de Gaulle, chefe do Governo Provisório, fez um discurso à população, que ficou célebre e imortalizado em algumas frases: «Paris outragé! Paris brisé! Paris martyrisé! Mais Paris libéré!».





A ver, também, um documentário, de cerca de 30 minutos, feito pela resistência francesa.







.

24.8.14

Então ele não tinha mais jeito para isto do que para fazer discursos no Pontal e em Valpaços?



.

As Cidades e as Praças (58)



Praça da República (Arles, 2014)

Obelisco, igreja S.Trophime e igreja Santa Ana:




(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
.

Lido por aí (98)


@João Abel Manta

* Inmigración en Europa: en lugar de soluciones, contradicciones (Federico Mayor Zaragoza)

* ¿De qué solidaridad habla la Unión Europea? (Emir Sader)

* Uma coisinha simples (Ferreira Fernandes)
.

PPC, o homem novo



«Há dois anos, no Aquashow, o primeiro-ministro – menos bronzeado mas com mais cabelo – anunciava o fim da crise em 2013. Uma vitória que atribuía aos portugueses e aos empresários do nosso país (ainda eram alguns, nessa altura). Dois anos depois, surge no Pontal um homem novo. A designação "homem novo" não surge por acaso. O Passos do Pontal é um revolucionário. (...)

No discurso aos Pontalinos, P.Coelho destrói os poderosos. Fala de uma sociedade com os pilares assentes no "podre". Segundo o PM, o BES, que esteve envolvido nas recentes privatizações, fazia parte dos alicerces podres. Afinal, o Marinho e Pinto vai regressar porque está preocupado, dado que Passos roubou-lhe o discurso. (...) Por momentos, pareceu-me ouvir gritar: "Assim se vê a força do PSD" e "Força, força camarada Passos, nós seremos a muralha de aço(s)". O PSD de Coelho larga a "paz, pão, povo e liberdade" e adopta o "quando o pão que comes sabe a merda/o que faz falta". Faltou acabar a festa a queimar sapatos de vela e calças de pinça.

Vamos lá ver, este discurso do Passos até podia fazer sentido se ele tivesse acabado de chegar a Portugal depois de 20 anos de exílio na Manta Rota, mas foram só 15 dias.»

João Quadros
.