31.7.15

Dizem que há hoje





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Avança, com toda a confiança



E talvez tivesse o meu voto, sabe-se lá!...

(Cartaz anónimo, na Praça do Chile, em Lisboa,)
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Não há cinzento-esperança



«Na passada quarta-feira, 29 de Julho, à hora do regresso da praia, a coligação apresentou o seu programa eleitoral, crucial para o futuro de Portugal. Uma manobra sábia porque o programa era péssimo e a água estava óptima.

Fazendo um resumo do programa Passista: as promessas são as de 2011, o cabelo é que já não é o mesmo. No fundo, o programa da coligação também é um "remake" de "O Pátio das Cantigas". (....) O programa é um "volte-face" na estratégia da coligação. De um momento para o outro, o homem que não fazia promessas promete colocar Portugal nas dez economias mais competitivas do mundo. Se for para tirar Alemanha do "top 10", acho uma bela vingança. Mas faz um bocado de confusão ver o nosso austero PM fazer promessas que parecem desejos de Miss. Há histerismo a nível de promessas; vale tudo. (...)

Todos precisamos de um farol, e Passos Coelho é o farol dos que não acreditam num futuro, dos que nada esperam de bom a não ser empobrecer por desígnio. Se esse farol de desesperança se apaga, fica apenas a luz. Uma coisa muito desagradável. De Passos, esperamos dias cinzentos carregados da cacimba da austeridade, não o queremos a correr pelos campos a prometer borboletas. Cinzento é cinzento. Não há cinzento-esperança. Onde anda o Passos que nos deprime sempre que abre a boca?

Custa ver um bastião da realidade do ajustamento render-se ao poder do sonho. Mas felizmente passa depressa porque temos memória. Todos sabemos que as promessas de Passos são como os Mundiais de Futebol: são de quatro em quatro anos e duram menos de um mês.»

João Quadros
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30.7.15

Uma questão de fé


Quem acreditar que o voto dos portugueses será decidido pelos diferentes meandros dos programas eleitorais dos grandes partidos, que levante o braço, sff. 
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Sugestão para iPods de funcionários públicos



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Dica (103)




«Então, para mim, é assim: quem quer que apresente como solução para a tragédia grega – ou portuguesa – a ténue ou amedrontada esperança de um acordo “multilateral” que conforme o euro e os seus mandantes à recuperação das economias que antes sacrificou, está simplesmente a entregar o ouro ao bandido. Esperar que os fautores da concentração imperial se transmutem em promotores da Europa dos povos tem o mesmo valor salvífico que ficar sentado debaixo da azinheira de Fátima à espera que desça o tal Spinelli ou o tal Schuman. Não virão, nem num raio de luz. Quem espera que os poderosos actuem contra os seus próprios interesses e em nome das suas vítimas enganou-se de virtude. Quem nos pede que esperemos pacientemente pelo impossível não quer saber de nós.» 
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A estátua de sal



«O Antigo Testamento alertava sobre os perigos de passarmos a vida a olhar para o passado. Em Portugal, temos essa tentação. Na área política esse discurso é evidente: antes de nós, a peste; depois de nós, o dilúvio.

O confronto político sem quartel dos próximos meses vai ser semelhante. Tal como a mulher de Lot que olhou para trás e se transformou numa estátua de sal, as ideias que vamos escutar parecerão pedregulhos. PSD e CDS cavalgarão no delírio despesista de Sócrates. O PS na alucinação austera dos partidos do Governo. Vai lavar-se a roupa suja do passado e dela não nascerá roupa branca. Porque o mal dessa guerrilha folclórica é que se vai esgotar a si própria sem trazer para o debate o futuro de Portugal.

O relatório do FMI que refere que Portugal só deve ter desemprego abaixo de 7% daqui a 20 anos é suficientemente negro para mostrar o nó górdio em que o país está encerrado. (...).

Quando um dia destes nos confrontar a ideia de um "mar europeu" neste país que tem uma ZEE própria, enorme e repararmos que alemães, franceses e espanhóis poderão ter direitos iguais nela, veremos do que falamos. Os ciclos do despesismo e da austeridade são as duas faces da mesma moeda: a inexistência de um projecto para Portugal.»

Fernando Sobral
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29.7.15

Dica (102)




«Right now, the Greek experience has shown the world that the institutions of the European project are not yet up to the task of crisis management. In extremis, it seems, leaders would rather openly discuss kicking a country out of the currency union than provide some sort of relief for its debts. In that case, the EU is not a currency union but a series of bilateral currency pegs. And, as such, a Greek exit in the next five years could still come to pass.»
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Mikis Theodorakis – 90 anos, hoje



Mikis Theodorakis, compositor grego que todos conhecemos pelo menos desde que soubemos que é o autor da música de Zorba, nasceu em 29 de Julho de 1925.

Um dos símbolos da luta contra a ditadura dos coronéis, sofre actualmente as consequências de um ataque de gás, de que foi vítima numa manifestação anti-austeridade, em 2012, mas estará hoje presente num concerto em sua honra, que terá lugar em Atenas.

Algum tempo antes, tinha lançado um belo texto-apelo que merece ainda hoje ser hoje recordado:
«Nós saudamos as dezenas de milhares, as centenas de milhares dos nossos concidadãos, a maior parte jovens, que se juntaram nas praças de todas as grandes cidades para manifestar a sua indignação aquando da comemoração do memorando (acordo assinado entre o governo grego, a UE, o FMI e o BCE, em Maio de 2010 e desde então regularmente renovado), exigindo a partida do governo da Vergonha e de todos os políticos que geriram o bem público, destruindo, roubando, e escravizando a Grécia. O lugar de todos estes indivíduos não é no Parlamento, mas na prisão. (…) A democracia nasceu em Atenas quando Sólon anulou as dívidas dos pobres face aos ricos.» (Na íntegra aqui.)

Em Fevereiro de 2012, declarou por ocasião de uma ida ao Parlamento grego: «Quero olhá-los nos olhos antes que votem estas medidas de austeridade», «preparam-se para votarem a morte da Grécia».

Este ano, depois da vitória do Syriza e quando tiveram início as negociações em Bruxelas, escreveu um importante texto – Varoufakis-Dijsselbloem, a Moment of National Pride – que merece ser lido agora, alguns meses mais tarde...

Respect, no dia em chega aos 90.

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Pretexto para recordar «Pathos for Freedom», uma canção que Mikis Theodorakis compôs para assinalar a união de esforços contra a ditadura militar que governou a Grécia entre 1966 e 1974.


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Tiros nos pés?



Não, roleta russa e com o tambor cheio.

Mas não há nenhuma facção do PS, que dê um grito do Ipiranga que pare com esta panóplia de cartazes eleitorais que competem entre si no que há de pior? Querem captar votos da igreja Maná e da IURD, é isso? E aquele raio de luz vem em honra do Espírito Santo (Salgado ou não)??? 
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Eleições à vista, trincheiras cavadas



«Groucho Marx dizia que nunca faria parte de um clube que o aceitasse como sócio. No mundo dos partidos políticos há quem considere que é um direito fazer parte do selecto grupo que se elege para o Parlamento.

Agora que se começam a conhecer as listas de candidatos, no meio de alguns amuos de quem se julgou merecedor de um lugar em S. Bento, há algo que parece evidente. Quando está na oposição e muda de líder, um partido com ambições de poder ceifa os anteriores marajás e avança com caras mais ou menos refrescantes. Quem está no poder cerra fileiras e coloca à sua volta a guarda pretoriana a que vulgarmente se chama aparelho. (...)

Cada um dos blocos cavou a sua trincheira. E agora espera que o adversário surja em campo aberto. À falta de alternativas sólidas que tragam uma química diferente às eleições, os partidos do arco do poder mudam, ou não, as caras que surgem no cartaz eleitoral e esperam a decisão de quem está agastado, inseguro e sem capacidade para vislumbrar o futuro. O bipartidarismo em Portugal pode vacilar, mas não há radicalismo à vista: o centro renasce sempre das cinzas do desencanto dos cidadãos. O problema é que não se vislumbra um oxigénio saudável em muitas das escolhas: tudo parece dióxido de carbono. Tudo é previsível. O clube continua a ter os mesmos sócios.»

Fernando Sobral
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