2.8.16

Provas de aferição: para…?



Tenho a maior das curiosidades em saber o que vai inferir o Ministério da Educação destes resultados (se é que tem intenção de o fazer ou se fica por aqui).

A ler.
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As novas alianças da Turquia



«A tentativa de golpe na Turquia está a servir para que a Rússia se volte a aproximar de Erdogan. Mas os Estados Unidos não querem, nem podem, deixar afastar-se um aliado fundamental na NATO.

A tentativa de golpe de Estado na Turquia não tornou apenas Recep Erdogan mais poderoso. Abriu novas janelas para alianças julgadas impensáveis há um mês. Por exemplo, Erdogan vai visitar São Petersburgo em Agosto para se encontrar com Vladimir Putin. Trata-se de uma forma de cimentar relações que estiveram no congelador após ter sido abatido um caça russo e que melhoram substancialmente após Moscovo ter sido um dos primeiros países a condenar de forma inequívoca o golpe. Ao contrário da forma dúbia como o fizeram os tradicionais aliados ocidentais de Ancara. A ironia tem destas coisas: os pilotos dos F-16 que abateram o caça russo foram agora acusados pelas autoridades turcas de fazerem parte do círculo de Fethullah Gülen e de um deles ter mesmo bombardeado Ancara na noite do golpe. Ou seja, Erdogan tem para oferecer a Putin uma boa desculpa para o esfriamento das relações: foi uma manobra do círculo de Gülen para cortar as ligações com os russos e enfraquecer o Governo turco. E assim vão poder reatar-se as relações económicas, muito importantes para a Rússia (o território turco é uma via de transporte do gás russo para a Europa devido aos problemas na Ucrânia) e para a Turquia (sobretudo no turismo e agricultura), entre os dois países.

Há ainda outro dado importante: a Rússia não tem qualquer ligação com o movimento de Gülen, ao contrário dos EUA. Têm de resto sido revelados na imprensa americana fortes donativos de apoiantes de Gülen para a campanha de Hillary. Os russos, pelo contrário, sempre viram o movimento de Gülen de forma suspeita, devido à sua presença em várias repúblicas da Ásia Central. Se bem que sejam evidentes as ligações americanas a Gülen, os EUA não se podem dar ao luxo de isolar Erdogan. A Turquia é fulcral na luta contra o Daesh. E a sua importância no flanco sul da NATO é decisiva. Daí que tenha estado em Ancara o chefe de Estado-maior General das Forças Armadas americanas, o general Joseph Dunford. A ideia é desanuviar a tensão entre os dois países no sensível sector militar. Dunford encontrou-se com o general Hulusi Akar, que continuará a liderar as Forças Armadas turcas. Akar tinha sido escolhido para o posto por Erdogan em Agosto de 2015 e a ele caberá "limpar" os militares turcos sem afectar a sua operacionalidade. E isso faz parte da estratégia de Erdogan de supervisionar directamente as Forças Armadas turcas. Daí que as conversas de Akar com Dunford, incidindo sobre a NATO e a base de Incirlik, tenham que ver com a manutenção da ligação de Washington a Ancara. Resta saber onde caberá aqui a extradição de Gülen.»

1.8.16

Segurança no aeroporto de Lisboa?



Oiço dramatizar a falta de segurança manifestada na curta fuga dos quatro argelinos e pasmo.

Qualquer pessoa pode aceder à área de partidas daquele aeroporto, seja ou não passageiro, passear-se por um espaço enorme, onde circulam centenas ou mesmo milhares de pessoas, sem que haja qualquer tipo de controle de pessoas ou bagagens. (Este só existe, para os passageiros, depois de fazerem check-in e quando pretendem aceder às portas de embarque.) Ou seja: qualquer aprendiz de terrorista tem ali um tapete vermelho ao seu dispor, para fazer o que quiser – se é que me faço entender. O mesmo se diga para a área das chegadas.

E faz-se este teatro todo por uma situação como aquela que envolveu aqueles quatro gatos pingados… 
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Um clássico




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Democracia e luta contra o terrorismo



«A luta contra o terrorismo autoriza, em termos de governação e de política interna, todas as medidas autoritárias e todos os excessos, incluindo uma versão moderna de "autoritarismo democrático", que teria como alvo, para além de organizações terroristas propriamente ditas, todos os que se opõem a políticas globalizadoras e neoliberais. Hoje, é por isso de temer que a caça aos “terroristas” provoque – como estamos a ver na Turquia após o estranho golpe de Estado fracassado de 16 de Julho - deslizes e ataques perigosos às principais liberdades e direitos humanos. A história ensina-nos que, sob o pretexto de combater o terrorismo, muitos governos, mesmo democráticos, não hesitam em reduzir o perímetro da democracia. Atenção ao que aí vem. Podemos ter entrado num novo período da história contemporânea em que volte a ser possível dar soluções autoritárias a problemas políticos...»
Ignacio Ramonet 

Na íntegra AQUI.
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Dica (349)

Jason Bourne e o FMI



«Jason Bourne é o espião que não tem memória. Tem múltiplas identidades e usa-as apesar de atormentado pelo seu passado muito negro. Quando o FMI se sente angustiado como Bourne, chama o seu Departamento de Avaliação Independente.

Isto enquanto, no dia-a-dia, se comporta de forma arrogante como se fosse o James Bond da verticalidade económica. Portugal (e a Grécia) conhece bem o FMI arrogante que se assemelha ao Bond das fantasias, com os carros, o jogo, as mulheres, as viagens, os "gadgets", o poder e, claro, o Martini. Tudo isso torna Bond um mau ser humano. Tal como o FMI, como se viu durante os anos da troika. Claro que cada um escolhe o seu herói preferido. E há muitos que preferem o FMI vestido de James Bond ao que traja Jason Bourne. Ou, mesmo em Portugal, queriam que a Comissão Europeia usasse o chicote para açoitar o Governo (e os portugueses).

A questão é que o FMI usa uma espécie de Frankenstein para se rebelar contra as regras "científicas" que o criaram. E assim temos o milagre da multiplicação: o FMI devora-se a si próprio. A análise do Departamento de Avaliação Independente do FMI é mais do que uma canelada nos técnicos (e decisões de políticos que os nomearam) sobre a sua acção nos países da Europa "intervencionados". É um atestado de indigência técnica e intelectual a quem andou a brincar com os destinos dos portugueses ou dos gregos. Como se os cidadãos destes países fossem ratinhos usados como cobaias numa experiência.

O que os técnicos do FMI terão feito bem é reduzido face ao que fizeram mal. É um horror de tolices, desde previsões económicas erradas a um pacote de financiamento curto, de retoma das exportações que não tiveram nada que ver com as "reformas estruturais" apregoadas a insistência insensata em estratégias mesmo depois de os resultados terem demonstrado o seu falhanço. Depois desta avaliação os portugueses deveriam pedir uma indemnização ao FMI por danos materiais e pessoais. E a quem foi atrás dele, fascinado pela sua pose grotesca e mesquinha de pretenso Bond.»

Fernando Sobral

31.7.16

A saga dos argelinos no aeroporto de Lisboa


Das estações de TV (com especial realce para a SIC Notícias) às redes sociais, assistiu-se, na noite de ontem, a um chorrilho de disparates imaginativos sobre um acontecimento acerca do qual ainda pouco se sabia. Diverti-me especialmente porque, desde muito cedo, tive conhecimento da verdade dos factos por um amigo que estava de serviço no aeroporto.

Mas esta narrativa, que mete «drógados» a jogar Pokémon, é tão delirante que não resisto a deixá-la aqui:

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Assunção Cristas: a Nova Zelândia é linda!



«Quero ir longe. Muito longe»
disse ela, já lá vão uns mesitos, e ainda anda por aí. Mas não se coíba: olhe que dizem que a Nova Zelândia é linda! 
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Mais preocupante foi o vergonhoso acordo ter sido assinado!




Mas, finalmente, parece que o inefável presidente da CE começou a raciocinar:

«Na Polónia, o Estado de direito está a ser fustigado pela nova abordagem do governo polaco. Na Hungria querem um referendo para votar se aceitam refugiados. Se referendos passam agora a ser organizados sobre cada decisão tomada pelo Conselho de Ministros e pelo Parlamento da UE, então o Estado de Direito está em perigo.» 
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Dica (348)

Desfoque



«Como há-de alguém perceber a Europa? Como há-de alguém perceber que, no mesmo dia em que um padre é degolado pelo ISIS no norte de França, em Bruxelas a preocupação central seja debater e decidir sobre penalizações a aplicar a Portugal e Espanha? O resultado da discussão, após semanas de intrigas, ameaças e burburinho, com todo o mérito dos envolvidos, foi que a multa é zero - vamos a ver se a coisa fica por aqui ou se ainda há mais trapalhadas. Mas a questão fundamental é esta: a Europa ficou refém da morte anunciada pelo ISIS, de atentados que se repetem, de sobressaltos no dia-a-dia dos cidadãos. O problema principal da Europa é político, tem que ver com decisões que vão além do défice, tem que ver com a sua relação com os seus cidadãos. A Comissão Europeia continua a achar que a sua missão é vigiar o Pacto de Estabilidade, apesar de, literalmente, todos os dias lhe rebentar uma bomba nas mãos, que mata inocentes e agrava a insegurança. Qualquer dia, o Pacto de Estabilidade pode estar a ser cumprido a 100%, mas entretanto o terror dominou a Europa. Sobre o que se passa na Turquia, nota-se que significativamente não surge nem uma palavra.

A Europa é uma entidade muito mal gerida do ponto de vista político e, do ponto de vista económico, os maus resultados estão à vista na falta de crescimento, na ruína do sistema financeiro, no próprio Euro. Com um desgoverno assim, não admira que haja quem dele queira sair. Sobre isto, sobre a política na Europa, não há reflexão séria transnacional, apenas se vêem fundamentalistas de opereta como Dijsselbloem a falarem sobre fantasias, e Junckers de humor variável a ensaiar represálias aos ingleses. O maior problema está na falta de uma atitude clara da Europa perante as ameaças que a atacam todas as semanas. A casa está a arder e há quem pense no que deve ser a sua decoração, mesmo quando as salas já estão em labaredas.»

Manuel Falcão