30.8.16

Zeus e a Europa



«Quando Zeus, o grande deus do Olimpo, viu a jovem Europa apaixonou-se à primeira vista. Para evitar a fúria da sua ciumenta mulher, Hera, Zeus transformou-se num touro branco. Seduziu Europa de forma brutal e assim nasceria Minos, o futuro rei de Creta.

Europa haveria de dar o nome a um continente. Mas, no fundo, os pecados nunca desapareceram: engano, rapto e violação. A origem e o destino da Europa nunca conseguirão ser apagados. Talvez por isso Bruxelas, capital de uma Bélgica que foi o cemitério de todos os sonhos e pesadelos da Europa, de Waterloo às Ardenas, seja hoje a sede da UE. O problema de Portugal é que se colocou nas mãos desta Europa. Foi agradável quando o sol prometido era belo. É desastroso quando sopra o vento das tempestades. E, claro, o Governo de António Costa não é Zeus para seduzir esta frugal Europa. É por isso que nenhum druida nacional, especialmente os do BE ou do PCP, poderá vaticinar o fim da austeridade. Ela vai continuar porque Bruxelas assim o determina.

É isso que permite a Passos Coelho, num dos seus poucos momentos de clarividência, dizer que o seu Governo gastou mais em investimento público do que o actual que se diz de esquerdas. É muito deprimente ter de governar sem dinheiro, mas Portugal já não manda na máquina que faz moedas. É óbvio que o OE de 2017, com mais ou menos ameaças à esquerda, será aprovado. BE e PCP não vão avançar para uma guerra de trincheiras que, inevitavelmente, perderiam. Mas o convívio de Zeus com a Europa não conseguirá manter-se para sempre. O que pede Bruxelas não é, a prazo, possível de conciliar com a necessidade de acalmar Arménio Carlos. As linhas vermelhas anunciadas por Catarina Martins serão ainda passadeiras vermelhas para António Costa palmilhar nos próximos meses, com algumas cedências folclóricas para animar as hostes. Por outro lado, à direita, Passos e Cristas ainda não sustentam alguma alternativa credível. É neste labirinto que o país vai caminhar nos próximos meses.»

29.8.16

Chico, sempre do lado certo



Discurso de Dilma Rousseff no Senado Federal:



Ou texto AQUI.
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Dica (374)




«The Turkish advance into northern Syria marks a turning point in the Syrian conflict. Its nominal target was Islamic State, but with large powers reconsidering their alliances in the region, the Kurds stand to lose the most.» 
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O dr. Passos e o investimento



Nicolau Santos, Expresso diário, 29.08.2016, excertos:

 ... (...)

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Efeitos da globalização


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Mudam-se os tempos, pioram as vontades




Cairo, 1953 
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Dilma Rousseff e a busca da moral perdida



«O julgamento de Dilma Rousseff pelo Senado Brasileiro vai ser uma novela com poucos episódios.

Até porque Michel Temer quer uma decisão rápida, para poder ser presidente até 2018. A deputada do PT, Gleisi Hoffmann, recordando que 60% dos parlamentares brasileiros respondem em processos, perguntou: "Qual é a moral que tem os senadores aqui para dizer que ela é culpada, para cassar? Quero saber. Qual é a moral que vocês têm?" Ninguém respondeu. Olhando para o panorama, Juan Arias, no "El País/Brasil", escreve: "Seria necessário perguntar-se no que Dilma Rousseff acabou tropeçando politicamente, já que existe um consenso geral quanto a sua honestidade pessoal.". E acrescenta: "Não acredito no axioma de que as sociedades têm os governos que merecem. Pelo menos nem sempre é assim. Na verdade, quando se enganam costumam ter força para reagir." Para Temer, as coisas também não estão fáceis. Uma sondagem de popularidade em 22 cidades brasileiras indica que ele tem saldo negativo em todas. O que leva José Roberto de Toledo, no "Estado de S. Paulo" a questionar: "Michel Temer deve manter-se longe da política local - dos palanques, ao menos. O presidente em exercício anunciou que não fará campanha nas eleições municipais. Foi uma decisão esperta."

Já Alex Ferraz, na "Tribuna da Bahia", mostra o desassossego: "Eis aí, caros leitores, o quadro perfeito da sua programação televisiva pós-Olimpíada. Em vez de atletas, medalhas, pódio etc., voltaremos a ver na telinha parlamentares, mais especificamente senadores, fazendo todo o possível para aparecer o máximo possível, o que é muito importante para eles, notadamente em tempo de campanha eleitoral, pois com isso alguns podem ganhar mais força na defesa de seus candidatos municipais. (…) Será um grande 'show' com a maior parte dos seus protagonistas, seja de que lado for, vista com absoluta desconfiança pela opinião pública."»

28.8.16

E já lá vão 6 anos!


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Houve uma revolução e ninguém me disse nada?




Sem emenda possível!
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Dica (373)




«É uma opinião, mas não é uma opinião qualquer. O vice-chanceler alemão e ministro da Economia, Sigmar Gabriel, diz que as negociações entre os EUA e a União Europeia falharam, mas ninguém o admite.» 
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Burquinis, ainda




O Ocidente – e, neste caso, especialmente a França – meteram-se num enorme imbróglio. Claro que não se deve proibir o uso de burquinis porque os problemas estão bem a montante.

Por exemplo, estive recentemente em países muçulmanos em que, aos imãs da Arábia Saudita, é pura e simplesmente proibido abrir a boca (ou mesmo entrar no país). Em França e na Bélgica é o que se sabe, sempre em nome da liberdade religiosa. Isto vai acabar muito mal! 
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Memória dos que não sobram



«Durão Barroso, Maria Luís Albuquerque, Paulo Portas, Vítor Gaspar, Carlos Moedas, outros mais, serviram quem entenderam dever servir, e foram à vida. Quero dizer: ajeitaram melhor o seu pessoal caminho. (…)

Todos estes acontecimentos são deploráveis pelo que revelam de ócio mentiroso. Quando do 25 de Abril, as pessoas, na generalidade cansadas do fascismo beato, irmanaram-se para proceder a uma alteração histórica nos destinos da pátria. Foi quando a revolução desceu à rua, e aqueles que a não assistiram perderam um dos momentos cruciais da história pátria. Houve democratas instantâneos como o pudim flan, e outros, atemorizados com o desenrolar as coisas, que fugiram para o Brasil, lá permaneceram até que a poeira deixou de estremecer as consciências e tudo voltou quase à mesma. O movimento das coisas fez revolutear muitas consciências, e democratas instantâneos como o pudim flan surgiram do lodo para construir o seu pessoal destino. (…) Sei muito bem que os que ficam são tidos como marginais, gente antiga e fora do contexto. E, acaso, todas estas acusações sejam verdadeiras. Mas vejo essa população ainda imensa, que se sujeitou a acreditar nos sonhos, e sinto que ela tem a razão que alimenta a vida e constrói os ideais possíveis.

É lógico que as coisas mudaram, e mudam substancialmente cada dia que passa. E sei que, para muita gente, é difícil adaptar-se a estas normas novas, recuperadas de tradições antigas. Com certa emoção (confesso), sigo as travessias, os gritos e ainda as esperanças desses meus compatriotas. No contexto político mais alargado de todo o mundo, essa gente ainda é aquilo que resta, o que sobra do que ficou dos sonhos antigos. E todos nós sobrevivemos.»