3.12.11

Sobremesa




(…)
Llueve en París, llueve en Camiri,
cómo te va, Régis Debray,
llueve en La Habana, llueve en Praga,
Elizabeth, el día llega
cantando por los cañadones,
llega con Tania y Michèle Firk,
iremos juntos a los bailes
de las esquinas liberadas,
juntos de nuevo, juntos todos
los que esta noche están tan lejos
fumando el mismo cigarrillo
del hombre solo en casa sola,
y si tenemos suerte puede
que también venga ése que mira
siempre a lo lejos mientras nace
el alba en la profunda selva.

Julio Cortázar, El Último Round, 1969
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«Este capitalismo não dá respostas à crise»


A ler na íntegra, uma entrevista a Ulrich Beck, divulgada hoje no Público.es.

¿Se puede seguir hablando en el siglo XXI del capitalismo como un sistema garante?
La tecnología no es la única que genera problemas. El capitalismo genera sus propios riesgos. Por ejemplo, el tema de Lehman Brothers, que fue el inicio de la crisis financiera, es un poco lo que fue Chernóbil con la energía nuclear. Necesitamos tiempo para darnos cuenta de esto. En cierto modo, la nueva versión liberal del capitalismo no da respuestas a estas situaciones de crisis.
"Hay que reinventar la democracia a nivel transnacional"

Usted defiende el cosmopolitismo como vía de solución, pero ¿cómo puede llevarse a la práctica?
Esa es una de las grandes preguntas. Quizá surja un nuevo principio político. Yo le llamo cosmopolitismo, porque nos enfrentamos a riesgos globales. Y cabe decir: o cooperamos o fracasamos. (…)

¿Su planteamiento no puede resultar utópico ante el modelo actual, dominado por los intereses de los mercados y el modelo tradicional de Estado-nación?
Le voy a dar la vuelta. El nacionalismo es la utopía. El nacionalismo en el siglo XIX era la idea realista, pero ahora es irrealista. Es imposible vivir uno solo. (…)

Muchas de las decisiones no se toman ya a nivel local, sino a nivel europeo o en grandes empresas de distintas partes del mundo. Esto significa que la mayor parte de las decisiones va más allá de la participación, más allá de la democracia. Así que hay que reinventar la democracia a nivel transnacional. Tenemos que pensar qué tipos de elementos de la democracia tradicional se pueden utilizar para que aquellos que toman las decisiones a nivel mundial sean responsables. Y creo que esto es realismo, no idealismo.»
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Sobre acção da polícia no dia da Greve Geral - hoje, às 23:00


Combate de blogs – Hoje, TVI24, a partir das 23:00

Nos últimos dias a segurança do país tem ocupado espaço central nas notícias e é discussão constante na blogosfera. Primeiro devido à acção policial durante a manifestação por ocasião da Greve Geral, depois com ataques sucessivos a sites ligados ao Governo por parte de piratas informáticos. Momentos apresentados como actos de subversão em tempos de crise.

O «Combate de Blogs» deste sábado vai analisar as duas vertentes da reacção, procurando explicações para a atitude policial e perceber como é que o Governo e outras instituições podem reagir aos ataques dos hackers.

Para o debate foram convidados os especialistas informáticos João Barreto e Vítor Domingos, para além do presidente do sindicato de polícias ASPP/PSP, Paulo Rodrigues, e os blogueres Nuno Ramos de Almeida (5 Dias) e Nuno Bio (Portugal Uncut).


N.B. – Estive com o Nuno Bio durante toda a manifestação, saí de S. Bento pouco antes dos incidentes e de ele ter descido a Calçada da Estrela, onde assistiu a isto:



Nuno Bio, aqui (o segundo a prestar declarações à TVI).
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Foi bonita a festa, pá…

2.12.11

Paradoxos

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«Crise e revolução na Europa»


Debate com a participação de Ana Méndéz Andés, Observatorio Metropolitano

Quatro anos de crise e três de programas da austeridade e de cortes sociais parecem demasiado. A actual condução da política económica europeia (o Banco Central, a Comissão, Merkel e Sarkozy) não nos levou a nada que se assemelhe à tão esperada recuperação. Pelo contrário, a sua submissão obcecada aos interesses dos credores (leia-se grandes bancos) só serviu para animar a maior operação de socialização da dívida privada da história europeia (leia-se crise da dívida soberana e quebra previsível dos chamados Estados periféricos). E levou-nos, o que é ainda pior, a uma situação de crise permanente e «sem saída» possível. Perante a ausência de outros protagonistas, o desenlace da tragicomédia europeia ficou reduzido à alternativa entre uma mudança radical (de que nem a classe política nem as elites económicas parecem capazes) e a insistência no neoliberalismo galopante, que ameaça destruir o projecto europeu, incluindo a sua moeda.

O Observatorio Metropolitano, um projecto sediado em Madrid que reúne um conjunto de colectivos militantes num espaço de reflexão sobre os fenómenos que caracterizam as metrópoles contemporâneas, acaba de publicar o livro Crisis y Revolución en Europa (pode ser comprado ou descarregado aqui). À luz dos recentes desenvolvimentos da crise europeia e da luta social, propomos uma discussão em torno do conteúdo do livro.

Organização: UNIPOP e RDA-69
Local: RDA-69 (Regueirão dos Anjos, n.º 69, Lisboa –
Data: Dia 4 de Dezembro, das 18h às 20h

Entrada livre.
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«Nós continuaremos responsáveis pelo futuro»


O título é retirado de um parágrafo do Prólogo de Já uma estrela se levanta, o segundo livro de Helena Pato, publicado este ano (1).

Estamos perante um precioso conjunto de textos, de um modo geral curtos, em que a autora nos conta uma série de episódios da sua actividade de resistência em tempo de ditadura, desde muitas peripécias ligadas a actividades clandestinas até à dura experiência da prisão, da tortura do sono e não só, passando pelo exílio em Paris e pelos ambientes dos portugueses que com ela o partilharam. Relata-nos, também, alguns episódios vividos já depois do 25 de Abril.

É pois de um livro de memórias que se trata, simples, directo e escrito mesmo com humor, num estilo muito próprio de quem tem numa aptidão especial para contadora de histórias. Algumas destas vêm já da sua primeira obra e foram «retocadas», outras terão nascido no blogue «Caminhos da Memória» em que ambas participámos, entre 2008 e 2010 (2).

Fica como sugestão para prenda de Natal. Quem viveu a época gostará de a recordar, quem já nasceu ou cresceu em democracia aprenderá certamente algo com a vida desta mulher corajosa que foi e é uma combatente – e que voltaria (ou voltará…) a ser resistente se a realidade assim o impusesse.

(1) Edições Tágide, 2011.
Saudação, Flausinas, Moedas e Simones, a primeira obra da autora, data de 2006 e foi editada por Campo das Letras.
(2) Uma das minhas preferidas: Um bife na Brasileira do Chiado.
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Wanted


(Imagem via Ana Gomes)

A ler: Paul Krugman, Killing the Euro, no New York Times de ontem.
«Although Europe’s leaders continue to insist that the problem is too much spending in debtor nations, the real problem is too little spending in Europe as a whole.»
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«O PS abstém-se» – forever?


Da crónica de José Manuel Pureza no DN de hoje:

«Um milhão de reformados vai perder um ou dois meses de pensão - Passos Coelho diz que é pouco; o PS absteve-se. 460 mil funcionários públicos vão perder um ou dois meses de salário - Passos Coelho diz que é pouco; o PS absteve-se. Quem trabalha trabalhará mais vinte dias por ano sem receber nada por isso - Passos Coelho diz que é pouco; o PS absteve-se. As pensões de 274 euros, auferidas por quem trabalhou vinte e mais anos, serão congeladas - Passos Coelho diz que é pouco.» [etc., etc., etc.] (…)

E, no fim de tudo, deveremos mais 30 mil milhões de euros. Passos Coelho diz que é pouco. O PS abstém-se.»

Na íntegra aqui.

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1.12.11

Dito por aí (3)

@João Abel Manta

«Quem poderia prever que a progressiva e próspera Europa de Julho de 1914 iria desaguar no mar de barbárie e selvajaria da I Guerra Mundial, apenas um mês depois? Quem poderia imaginar que a queda da bolsa de Nova Iorque, em 1929, levaria, em virtude de uma série de opções políticas erradas, a 16 anos de pobreza e austeridade, ao triunfo de Hitler, ao segundo conflito mundial, e ao holocausto? Se a Zona Euro entrar em colapso viveremos a maior singularidade da história europeia, com repercussões mundiais. Não é difícil antecipar como começará (…), mas ninguém sabe como acabará. Uma vez aberta a caixa de Pandora, tudo é possível.»
Viriato Soromenho-Marques, Buraco negro

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«A liberdade de imprensa é uma maçada democrática. Outra é o "inalienável" direito à greve, como diria o ministro Miguel Macedo. De facto, a Democracia vem num "pack" constitucional que, se tem virtualidades, não tem menos inconveniências, sendo impossível adquiri-la sem adquirir também monos como esses.»
Manuel António Pina, A Democracia, essa maçada

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«Mas falo também na primeira pessoa: conheço bem o primeiro dos “perigosos agitadores” detidos naquele dia. Ele contou-me e mais tarde pude confirmá-lo num vídeo que estava frente à escadaria do Parlamento e três agentes à civil saíram das linhas da polícia de choque e escolheram-no de um modo aparentemente aleatório para ser detido. Passaram nas suas costas e empurram-no para a linha policial. Por causa dessa acção houve uma pequena agitação entre os manifestantes e a polícia, porque ninguém compreendia aquela detenção. Mas o motivo hoje é mais claro: era uma operação policial para inflamar os ânimos de quem protestava e justificar a desproporção dos meios e para criminalizar a Greve.
Momentos depois, o porta-voz da PSP dizia não confundir a manifestação legítima dos sindicatos com o que se passou depois. De facto, não havia nenhuma confusão possível, visto que os desacatos foram planeados e executados pela polícia e não pelos manifestantes, sindicalizados ou não.»
Ricardo Moreira, A criminalização da Greve Geral
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Por supuesto (2)


El Roto
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Do 1º de Dezembro ficarei com a recordação…


… dos velhos tempos em que ainda não se festejava o 25 de Abril (e se apanhava pancada no 1º de Maio), mas se ia nesta data até à fronteira do Caia para comprar caramelos em Badajoz (com passaporte, autorização do marido e/ou do Ministério de que se dependia). Os mais abonados enchiam sacos com prendas de Natal, nos Preciados de Madrid ou de Vigo.

A Espanha nunca deixou de trabalhar para festejar a nossa independência e nós vamos pagar-lhe com a mesma moeda. É mais ou menos essa a ideia do governo, certo?
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