21.1.12

Na semana em que o Álvaro «venceu»


Muito mais preocupante do que os problemas de Cavaco com o dinheiro que não terá para pagar as contas da mercearia, é o facto de este pobre país estar nas mãos de ministros como Álvaro Santos Pereira, que averbou esta semana uma «vitória» com a assinatura da chamado acordo de concertação social. Os dirigentes e comentadores afectos ao regime não perderam a ocasião de o sublinhar e prevêem-lhe um futuro próspero, passado que estará o seu período de adaptação à realidade nacional.

Por essa razão e por muitas outras, é bom que, crua, duramente e em discurso directo, sejam sublinhadas algumas realidades, como o faz Miguel Sousa Tavares no Expresso de hoje (sem link).

«O seu pacto, Álvaro, assenta em duas verdades que você conhece por ouvir dizer: que os trabalhadores portugueses são todos descartáveis e que as nossas empresas só serão competitivas se puderem pagar-lhes o mínimo, explorá-los o máximo e despedi-los à vontade. (…) Você que tanto quis castigar os maus trabalhadores, não lhe ocorreu um parágrafo sobre os empresários desonestos e irresponsáveis. (…)

Tenho pena de si, Álvaro. Acha que os empresários lhe vão agradecer? Desiluda-se: os bons não precisam do seu pacto nem acreditam nele e os maus vão exigir o que falta: um fisco como na Holanda, horários de trabalho como na China, obras públicas como sempre. Em troca, e se você não fugir de volta para o Canadá depois desta aventura pátria, terão um lugar à sua espera – lá, onde sempre se fazem grandes negócios a coberto das incertezas do risco e da competição e ao abrigo de todos os governos. Mas, entretanto, Álvaro, você iniciou uma guerra civil e há duas coisas que eu não sei: se a vai ganhar e se merece ganhá-la.»

Álvaro Santos Pereira não é só um pouco tonto, é também perigoso. E Vítor Gaspara ainda mais.
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10 longos minutos

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Daqui a pouco


Sábado, 21 de Janeiro, 15h, do Marquês de Pombal a S. Bento.
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No dia de uma Universidade cativa


A propósito de mais um aniversário da prisão de um grande grupo de estudantes, em 21 de Janeiro de 1965, republico, com autorização da autora, um texto de Diana Andringa.

No dia 21 de Janeiro de 1965, como de costume, cheguei cedo à Faculdade, no Hospital de Santa Maria. Não sendo ainda horas de aula, dirigi-me à Secção de Propaganda da Comissão Pró-Associação, na Sala de Alunos, de um dos lados do palco onde se realizava o Natal dos Hospitais. Estranhei a ausência de algumas das pessoas que esperava ver ali, àquela hora. Continuavam a não estar lá, quando regressei da primeira aula. Se bem me lembro, foi o Osvaldo a dar a primeira pista: «O Aguinaldo foi preso. A PIDE foi a casa dele, esta manhã.»

Preso, o Aguinaldo?

Por essa altura, embora estando na Universidade há apenas três meses, já aprendera que a prisão de estudantes não era assim incomum. Tomara parte em manifestações pela libertação do Zé Luís Saldanha Sanches, alguns dos meus recentes amigos tinham já passado pela cadeia, nomeadamente durante a crise de 62, havia vários estudantes do Técnico na prisão. Ainda assim, a notícia da prisão do Aguinaldo apanhou-me de chofre. Como é que alguém podia pensar em prender uma pessoa tão correcta, tão cordata, tão gentil? A indignação foi crescendo, à medida que chegavam informações sobre a prisão de mais estudantes de Medicina, alguns que conhecia bem, outros nem tanto: o Filipe Rosas, o Pinho Monteiro, o Carlos Sebrosa, o Max, o Palminha, o Pedro Lemos… O irmão gémeo, o Luís, teria conseguido escapar, disse-me depois alguém – e fiquei contente porque o Luís, então, salvo erro, finalista, fora uma das primeiras pessoas a acolher-me na Pró-Associação e tinha por ele um imenso respeito. Mas não fora só Medicina a ser atingida: a todo o momento chegavam notícias de outras prisões. De Direito teriam sido presos, pelo menos, o Fernando Rosas (dizia-se que, depois de prenderem o Filipe e o Fernando, os agentes da PIDE tinham perguntado se não havia mais nenhum irmão), o Salgado Matos, o Artur Pinto, o Alfredo Caldeira; de Ciências surgiam, entre outros, os nomes do Rui Pereira e da Sara Amâncio; mais tarde chegaram nomes de estudantes dos liceus, alguns deles com 15 anos de idade. (Dois anos mais novos do que eu!?)

Como era isto possível? Que crime podiam ter cometido esses estudantes, quando quase todos os que conhecia me pareciam pessoas exemplares?

Ao longo de todo o dia a lista de nomes foi crescendo nos cartazes, numa agitação de informações e desmentidos, palavras em voz baixa sobre fugas, solidariedade, desafio e medo, exaltações e desânimos. Eram cerca de cinquenta estudantes, quase todos activos nas Associações de Lisboa. No dia seguinte, Dia da Universidade – que um comunicado inspirado escrito por Medeiros Ferreira descrevia como «Dia de uma Universidade Cativa», gritámos a nossa indignação na cerimónia oficial, com o ministro da Educação a fazer-se cada vez mais pequeno no grande cadeirão. Uma voz aguda de mulher gritando «Libertem o meu filho!» aumentava a emoção e tornava ainda mais jovens esses jovens presos.

Uma nota oficiosa viria justificar a acção da polícia com a sua actividade política contra a segurança do Estado.

A partir daí, passei a ter uma certeza: se esses jovens punham em causa a segurança do Estado, era que o Estado não merecia estar seguro e só podia haver um imperativo de consciência, ajudar a derrubá-lo.
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20.1.12

Beber ou conduzir?

Não fazemos mais do que a nossa obrigação


As reformas do pobre homem (ao que parece, cerca de 10.000 euros/mês) não chegam para ele pagar as despesas. Vícios escondidos que o povo desconhece?

P.S. - Tudo o que Cavaco recebe como reformas muito bem explicado aqui.
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Taxas sobre taxas

Olho para a factura da EDP, hoje recebida, e verifico que, do «Total facturado», apenas 64,6% corresponde à electricidade que consumi. 35,4% distribui-se por «Potência contratada» e uma série de impostos e taxas, sobre os quais... se aplica uma outra taxa: o IVA.

Isto é normal e só eu é que sou esquisita?
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No jobs for the boys? Isso é que era bom...

Quando os ratos elegem os gatos


Façam o favor de ler a crónica de Nuno Ramos de Almeida no i de hoje:

«“Tommy” Douglas foi um eminente político social-democrata do Canadá, responsável pela introdução no seu país de um serviço nacional de saúde gratuito. Em 2004, já depois de ter morrido, foi eleito numa votação popular o maior canadense de todos os tempos. O seu discurso político mais conhecido fala numa terra de ratos em que democraticamente os ratos elegem gatos negros que fazem excelentes leis – para gatos. Quando os eleitores estão fartos dos gatos negros, elegem gatos brancos, que misteriosamente continuam a comer ratos e a governar para os gatos.»

Na íntegra aqui.
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«Entre a coligação PSD/CDS e a oposição PS a única diferença são as moscas»?


… pergunta João Paulo Guerra, num texto nada meigo, a propósito da posição da bancada do PS face à iniciativa de um grupo de deputados que requereu ontem a fiscalização do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional.

«Perante a rendição da direcção do partido, alguns deputados do PS tomaram a iniciativa de recolher as assinaturas necessárias para enviar o Orçamento a Tribunal. Nem sequer se pode dizer que se trata de um grupo de nostálgicos esquerdistas que sonham com uma aliança à esquerda (…) E a iniciativa que agora tomaram visa um aspecto meramente formal de um Orçamento que se propõe reduzir os portugueses à miséria e Portugal a uma reserva de mão-de-obra barata e precária.
Ter um governo como o da coligação PSD/CDS já é mau. Ter um tal governo e não ter alternativa de poder é péssimo. E pode querer dizer que o objectivo a curto e médio prazo do PS é abichar uns lugares à mesa do Estado.»

Num outro palco, também convém não deixar de sublinhar o apoio expresso de alguns dirigentes do PS à assinatura do acordo de concertação social pela UGT. Foi o caso de Francisco Assis: no longo texto da sua crónica semanal no Público (sem link), embora reconhecendo que o acordo em questão representa um «indiscutível retrocesso», escreve:

«Contra todas as evidências do senso comum ideológico João Proença agiu correctamente e tem razão. Um sindicalista não é um profeta, nem um clérigo tonitruante empenhado em anunciar um novo milenanismo. A sua função é outra e o líder da UGT compreendeu isso mesmo e actuou com elevado sentido de responsabilidade. (…) Não é possível avaliar uma negociação ignorando deliberadamente o contexto em que ela ocorre e a natureza objectiva do que está em causa, tendo em consideração a própria correlação de forças prevalecente. (…)
A UGT prestou uma vez mais um grande serviço ao país em geral e aos trabalhadores em particular. Ao país porquanto se afigura de grande importância, quer por motivos de ordem interna, quer por razões de imagem externa, a aprovação de um acordo de concertação social. Aos trabalhadores na medida em que impediu a consagração de soluções que atentavam contra direitos básicos.»

Referindo-se ao PS, Assis termina que é cm agrado que verifica «que tem rejeitado o caminho de um radicalismo oposicionista que talvez proporcionasse pequenas vitórias momentâneas, mas teria consequências dramáticas num futuro não muito distante.»

Realpolitik, ou o que se pretenda chamar-lhe. Ela, sempre ela, que, de cedência em cedência, nos tem conduzido ao ponto a que agora chegámos. Tristíssima resignação, cinzentismo que a realidade se tem encarregado de desmascarar. E que leva à descrença nos políticos e na política, que não é apenas má mas sim pior do que péssima.
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