2.12.17

Poupanças



Calendário de Advento em tempos de crise.
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Dica (675)




«O Estado perderia processos judiciais?
Tem sido invocado o exemplo de Espanha, onde as elétricas processaram o Estado pelas medidas que tomou. Mas, por um lado, as medidas espanholas não são comparáveis com a contribuição proposta pelo Bloco: em Espanha foi imposta uma alteração contratual (uma taxa de "rentabilidade razoável" definida por lei com efeitos retroativos); o Bloco propôs uma contribuição de 30% sobre a parte subsidiada do preço de venda, de 2018 até à eliminação do insustentável défice tarifário. Acresce que a litigância em Espanha não teve até agora custos de monta para o Estado, que venceu sempre nos tribunais espanhóis. Na única sentença havida no exterior, o Estado foi condenado por ter pago abaixo da "rentabilidade razoável" (7,5%), sendo obrigado a pagar essa diferença. Assim, a redução pelo Estado da taxa de rentabilidade garantida para 7,5% foi reconhecida como legítima.»
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Varoufakis e Centeno




Eu dava qualquer coisinha para que Varoufakis fosse de novo Ministro das Finanças da Grécia com Centeno presidente do Eurogrupo.
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A rede terrorista de extrema direita no pós-25 de Abril


Há alguns dias, pus aqui um pdf com o conteúdo do livro Quando Portugal Ardeu.
Fica hoje uma entrevista muito esclarecedora ao seu autor, Miguel Carvalho. De certo modo, até mais frontal do que o próprio livro, na minha opinião.


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O que pode avariar a “geringonça”



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«A proximidade com as eleições de 2019. À medida que se aproximam as eleições legislativas de 2019, os riscos de desagregação do acordo que mantém o Governo minoritário do PS aumentam significativamente. O principal factor é o adiamento de qualquer perspectiva de futuro para a chamada “geringonça”, sem nenhuma das partes ter uma ideia clara do que vai fazer, nem do contexto em que se vão realizar as eleições. Uma coisa pode, no entanto, dizer-se: a causa próxima do acordo PS-BE-PCP foi impedir que um governo PAF pudesse existir e continuar a política dos anos do “ajustamento”. A recusa por parte da esquerda do PSD e do CDS deu-lhe o cimento que permitiu até agora manter, apesar de todas as dificuldades, a unidade necessária para passar os documentos vitais para garantir o Governo PS.

Caso houvesse a convicção, com elevado grau de certeza (como se estava a consolidar até à crise dos incêndios), de que o PSD e o CDS não estavam em condições de tão cedo voltarem ao poder, isso fragilizava a “geringonça” porque alimentava as ambições competitivas de cada um dos seus partidos sem grandes riscos. Mas o efeito contrário também existe: sempre que o PSD e, em menor grau, o CDS podem parecer como beneficiários das dificuldades do Governo PS, aí a recusa da direita funciona de novo como cimento da esquerda.

O Orçamento de 2019 já será de enorme risco, em particular se todos os parceiros estiverem convencidos de que, ou têm ganho de causa em ir às eleições sem qualquer entendimento prévio, ou que, com entendimento ou sem ele, podem manter suficiente margem de manobra para renegociar, caso o PS não tenha a maioria absoluta ou mesmo torne de novo a não ser o primeiro partido.

Em todos estes casos, cada dia que passa sem haver qualquer ideia do que possa acontecer em 2019 — que ganha em ser pensado antes e não em cima da data, ou forçado por circunstâncias que serão sempre negativas, ou até por uma queda do Governo por falta de apoio parlamentar em legislação que o Governo e o Presidente entendam ser relevante —, o enfraquecimento da “geringonça” acentuar-se-á. A referência ao Presidente tem tanto mais sentido quanto este pode provocar a dissolução da Assembleia, se entender que o Governo deixou de ter o apoio parlamentar necessário. E, se o Presidente até agora acentuou o factor de estabilidade governativa como uma marca que queria associada à sua Presidência, no seu discurso a seguir aos incêndios e prévio à moção de censura do CDS sugeriu pela primeira vez que em momentos críticos o Governo precisava de legitimação parlamentar clara.

A avaliação do PS de que pode ganhar sozinho as eleições de 2019. Até à crise dos incêndios, havia muita gente no PS — e não estou certo de que se possa incluir António Costa nesse grupo — que estava convencida que o PS poderia ter com facilidade uma maioria absoluta sozinho. Por isso, não fazia sentido qualquer acordo pré-eleitoral com o PCP e o BE, na presunção de que estes estivessem disponíveis para o fazer. A atitude é em grande parte clubista: se se pode ter tudo, por que razão é que se parte para umas eleições já com o poder dividido por qualquer acordo? Se as coisas não corressem bem haveria sempre possibilidade de reeditar uma forma qualquer de acordo, como o que existe actualmente. Esses socialistas são típicos do hardcore dos partidos, em que a identidade partidária está acima de tudo, e são pouco dados a subtilezas políticas. No final, seguem as direcções partidárias e, por isso, a sua ambição de um PS sozinho pode transformar-se na mais modesta do “PS no poder”, sem dificuldades.

Há, porém, outro grupo de socialistas, com ligações a António José Seguro, que pensa que é mesmo contraproducente para o PS ter um acordo dessa natureza. Este mesmo grupo nunca verdadeiramente aceitou o mérito da “geringonça” e prefere que um PS minoritário faça um acordo com o PSD ou o CDS do que com o PCP e o BE.

Seja como for, a actual crise gerada pela sensação de que o Governo está a perder o pé, de que o Presidente se comporta de uma forma mais hostil, e de que a situação mais favorável para o partido e o Governo em termos económicos e sociais já está no passado, levou a uma significativa perda das expectativas mais optimistas para as eleições de 2019 e reduziu o potencial de crise da “geringonça” pelo excesso de optimismo.

A política “europeia” que o PS segue é um factor de instabilidade. Embora este seja um dos aspectos mais importantes da instabilidade estrutural que está sempre por baixo do Governo PS e, por extensão, da “geringonça”, merece uma discussão à parte.



1.12.17

António Vitorino?




«Vai candidatar-se à presidência da Organização Internacional para as Migrações, instituição que pertence à Organização das Nações Unidas.»

Mais um! Em breve o mundo será nosso, nem um novo Tordesilhas será necessário.
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Dica (674)




«A new report released by McKinsey & Company indicates that by 2030, as many as 800 million workers worldwide could be replaced at work by robots.
The study found that in more advanced economies like the U.S. and Germany, up to one-third of the 2030 workforce may need to learn new skills and find new work. In economies like China's, roughly 12 percent of workers may need to switch occupations by 2030.
The report also provides insight into the industries that will be least impacted by robots and the skills needed to fill those positions.»
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Pedro Tamen



Faz hoje mais um ano e tenho o prazer de o ter como amigo.

Ao Tempo

Heródoto contava a história,
mas nós contamos memória
entre os pontos e os is
daquilo que Deus nos quis.

É o que vale. Senão
amortecia no chão
o diadema do dia
(o que bem apetecia).

Por isso nos ocupamos
em tiritar pelos anos
o frio que vem das horas
no degelo das demoras.

Oh, que tragada perdida
esta de nós pela vida,
mesmo apesar de polícias
e Diário de Notícias.

Senhorio, mas de partes,
artistas, de malas-artes
e capados; nossa sina
parou no Alto de Pina.

Isto é que se nos dá,
e andamos ao deus-dará
por muito que não queiramos.
Isto é: agradeçamos

E metamos por aí,
por entre o ponto e o i.

Pedro Tamen, Poemas a isto, Moraes ed., Lisboa, 1962.
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Rei à vista




A notícia tem poucos pés ou cabeça, mas esta passagem é deliciosa:

«D. Duarte vai mais longe ao considerar que o comportamento do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa “é semelhante ao que seria o de um rei” e que por via desta atuação política fica mais fácil aos portugueses comparar os dois regimes.»
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01.12.1935 – Woody Allen e a vida de trás para a frente



Woody Allen faz hoje 82. Ele que disse ser «radicalmente contra» a sua própria morte e que nunca foi um génio, mas apenas «um humorista do Brooklyn com sorte».

Regressa este seu magnífico texto:

Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente
Começar morto para despachar logo o assunto.
Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar logo a trabalhar. Receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar quarenta anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bebé até nascermos. Por fim, passamos nove meses a flutuar num SPA de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia, e depois....voilá!
Acaba tudo com um orgasmo!


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30.11.17

Centeno, Dr. Jekyll e Mr. Hyde




Se ganhar, que seja muito feliz, será bom para o seu currículo, mas dificilmente para o nosso. Ser firme na defesa dos nossos interesses e obedecer aos de Bruxelas nem para o Dr. Jekyll e Mr. Hyde seria tarefa facil.

Daniel Oliveira no Facebook: «A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo retiraria poder negocial a Portugal, obrigaria a uma total ortodoxia na leitura nacional do tratado orçamental e daria uma nova centralidade às divergências entre os partidos da maioria nestas matérias. A apresentação da candidatura por parte do governo revela, por todas as dificuldades que levanta ao país, ao governo e à maioria, que a estabilidade da chamada "geringonça" não é uma prioridade para António Costa. Resta esperar que sejam os votos de outros a travar as dificuldades que Costa teima, levianamente, em procurar»
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Sentido de voto



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:



Na íntegra AQUI.
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