16.9.23

Vitrais em Lisboa

 


Vitral da Casa Malhoa, construída para servir de habitação e atelier de trabalho do pintor José Malhoa, (hoje Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves), Av.5 de Outubro, Lisboa, 1904-1905.
Arquitecto: Manuel Joaquim Norte Júnior.

Daqui.
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Democracias e extrema-direita

 

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A estátua

 


Também tenho direito a fazer uma proposta sobre a famosa estátua de Camilo ou ainda me expulsam das redes sociais: vista-se a menina todos os meses com um vestidinho típico de cada região de Portugal e inclua-se a visita à estátua nos circuitos turísticos.

Seria o nosso Manneken-Pis!
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A bússola das previsões

 


«Revisão em alta, revisão em baixa, desaceleração acentuada ou ténue, projeções preliminares, definitivas e necessariamente revistas, umas décimas a mais ou a menos, quadros macroeconómicos em barda, inflação, recessão, deflação, cálculos repetidos em inglês, francês, alemão. Em português.

A nossa vida coletiva é hoje orientada por uma bússola de previsões demasiadas vezes errada. Vamos por onde nos dizem, até onde nos dizem. Sempre que nos enganam, e são tantas as vezes que se enganam por todos nós, atira-se a culpa para os ciclos económicos. Temperamentais como os mercados financeiros. E, além do mais, previsões são previsões. Pode-nos sempre sair a fava, certo?

Duas ou três mãos de gente decidem por um continente. O ascendente dos zandingas económicos na Europa, camuflados em instituições sérias, robustas e altamente politizadas, é um dos fenómenos mais curiosos e perversos da chamada sociedade capitalista democrática. Veja-se o que tem sido o percurso errático do Banco Central Europeu (BCE) na gestão da inflação. A decisão de aumentar (pela décima vez) as taxas de juro é, mais do que um sinal da assertividade do BCE, uma demonstração do falhanço da sua capacidade de antecipação dos acontecimentos. Depois, há que olhar para a medida com os olhos pedagógicos do cínico: esta tentativa encapotada de arrastar as economias para uma recessão é, na verdade, um mal menor no bolso da Europa do Norte. Christine Lagarde nem disfarçou, ao insistir na necessidade de os estados pararem com as ajudas aos mais desfavorecidos, algo que revela, para além de algum autismo institucional, uma completa falta de sensibilidade social.

Por tudo isto, é fundamental repensar a arquitetura de funcionamento do BCE, que verdadeiramente não dispõe de mais nenhum instrumento capaz de fazer travar a inflação que não seja matando o doente com a cura. Os falcões continuam a ditar as regras, numa autofagia controlada que aprofunda, a cada dia, a medida da nossa irrelevância enquanto nação. Seguimos. Obedientes e endividados.»

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15.9.23

Fachadas

 


Fachada Arte Nova da Casa Vicent, Rua 31 de Janeiro, Porto, 1914-1915.
Arquitecto desconhecido.

Daqui.
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15-16.09.1973 – Quando mataram Víctor Jara

 


Víctor Jara foi assassinado em 15 (ou 16) de Setembro de 1973, poucos dias depois do golpe em que morreu Salvador Allende.

No dia 11, estava nas instalações da Universidade, que foram cercadas por militares, sendo depois transportado para um Estádio transformado em campo de concentração, onde foi torturado e assassinado.

Finalmente, em Agosto de 2023, o Supremo Tribunal do Chile condenou a 25 anos de prisão sete militares na reserva e o director do Serviço Prisional na altura pelo sequestro e homicídio de Víctor Jara.

Poucas horas antes de morrer, escreveu o seu último poema – «Somos cinco mil» – que chegou até nós graças aos seus companheiros de cativeiro:


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Fernando Botero

 


Morreu, com 91 anos, o artista colombiano mais do que famoso no seu país e não só, que deixa pintura e escultura excepcionais e um lindíssimo museu onde passei algumas horas em Bogotá.

Ver AQUI algumas fotografias que então tirei.

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Onze anos

 


... que passaram depressa. Estamos (quase) todos diferentes? Talvez.
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A única certeza: pagar mais pela casa

 


«Para muitas famílias que estão neste momento a contar as economias que ainda restam para pagar a prestação do crédito à habitação, as notícias divulgadas ontem pelo Banco Central Europeu são trágicas e podem significar a falência.

A presidente Christine Lagarde confessou que a decisão de subir as taxas de juro pela décima vez consecutiva não foi consensual, insistiu que os governos devem continuar a retirar medidas de apoio à economia, avisou que os juros não irão descer tão cedo e deu a entender que este poderá ser o último aumento. Mas a única certeza que temos é que a prestação da casa vai continuar a aumentar.

Mais pressão, portanto, para António Costa e mais expectativa quanto às medidas que serão aprovadas na próxima semana para responder, como reconhece a ministra Mariana Vieira da Silva, às necessidades que as famílias portuguesas sentem.

O que se espera é que o novo pacote de ajuda não seja eleitoralista e crie condições para que os portugueses não sejam dependentes de mais subsídios e apoios, de forma a devolver a dignidade que a classe média tem vindo a perder sucessivamente ao longo do último ano e das dez subidas consecutivas das taxas de juro.

Quem pode foge do país. Jovens, recém-formados, enfermeiros, médicos, profissionais ligados às tecnologias, etc. E vão embora não só pelo presente (três em cada quatro jovens recebem um salário abaixo dos mil euros), mas, sobretudo, por uma ausência de futuro. A começar pela habitação, afinal o lar é um dos alicerces da vida.

A maior parte dos jovens de hoje, e leia-se jovens até aos 35 anos, já não querem saber se um partido é de Direita ou de Esquerda. Querem que quem governe não lhes roube o futuro e não destrua o presente do pais.»

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14.9.23

Elevadores

 


Elevador de Santa Justa, "Obra-prima de ferro" em estilo neogótico. Lisboa, 1900-1902.
Arquitecto: Raoul Mesnier de Ponsard (discípulo de Gustav Eiffel).

Daqui.
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Um pequeno absurdo

 



Dai-nos, meu Deus, um pequeno absurdo quotidiano que seja,

que o absurdo, mesmo em curtas doses,

defende da melancolia e nós somos tão propensos a ela!

Se é verdade o aforismo faca afia faca

(não sabemos falar senão figuradamente

sinal de que somos pouco capazes de abstracção).

Se faca afia faca,

então que a faca do absurdo

venha afiar a faca da nossa embotada vontade,

venha instalar-se sobre a lâmina do inesperado

e o dia a dia será nosso e diferente.

Aflições? Teremos muitas não haja dúvida.

Mas tudo será melhor que este dia a dia.

Os povos felizes não têm história, diz outro aforismo.

Mas nós não queremos ser um povo feliz.

Para isso bastam os suíços, os suecos, que sei eu?

Bom proveito lhes faça!

Nós queremos a maleita do suíno,

a noiva que vê fugir o noivo,

a mulher que vê fugir o marido,

o órfão que é entregue à caridade pública,

o doente de hospital ainda mais miserável que o hospital

onde está a tremer, a um canto, e ainda ninguém lhe ligou

nenhuma. Nós queremos ser o aleijado nas ruas, a pedir esmola, a

a bardalhar-se frente aos nossos olhos. Queremos ser o pai

desempregado que não sabe que Natal há-de dar aos seus.

Garanti-nos, meu Deus, um pequeno absurdo cada dia.

Um pequeno absurdo às vezes chega para salvar.

Alexandre O'Neill 
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Isto vai, compatriotas, isto vai…

 

(Expresso, 14.09.2023)

… para onde é que não sabemos!
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