20.12.25

Marques Mendes?

 


Ou me engano muito ou a candidatura de Marques Mendes começa a perder expectativas. E não é só Isaltino a “atacar”, são muitos outros.




20.12.1973 – «… más alto que Carrero Blanco!»

 


«Arriba Franco, más alto que Carrero Blanco!» – dizia-se em Espanha, há 51 anos.




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A despedida de Mariana Mortágua

 


«Doze anos depois de ter entrado na Assembleia da República, Mariana Mortágua cumpriu esta sexta-feira o seu último dia como deputada do Bloco de Esquerda. “Com todas as divergências, com os momentos mais divertidos ou menos divertidos, desejo paciência e firmeza aos bravos e bravas que insistem em defender a democracia na sua casa”, afirmou a bloquista numa última intervenção. (…)

Mariana Mortágua foi aplaudida de pé por toda a esquerda e pela IL. Momentos antes, nas tradicionais intervenções de despedida, os elogios chegaram de quase todos os quadrantes políticos.»





Nesta quadra, afirmar valores

 


«O Mundo sempre esteve em mudança e, no presente, convivemos com uma quase verdade de que nunca as mudanças foram tão amplas nos planos quantitativo e qualitativo. Contudo, são muito profundas as diferenças de opinião sobre o que muda, porque muda e a favor de quem muda. A verdadeira origem dos problemas com que nos debatemos é muitas vezes manipulada. Precisamos de crivos que separem o trigo do joio e o melhor deles é, pela sua consistência e complementaridade, o dos valores.

Os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade estão impregnados na nossa cultura desde há muito tempo. E, como ideal de cidadania, pelo menos desde a revolução francesa. Sem liberdade não há respeito pela diversidade. Sem igualdade não há o chão comum em que todos possamos ser justamente respeitados. Sem fraternidade não há solução para os desafios que são de todos e que só coletivamente se podem enfrentar com êxito.

Para que uma sociedade permaneça coesa e saudável, a fraternidade tem um lugar central. Infelizmente, hoje é muito desvalorizada. O individualismo exacerbado incita a que cada um se "liberte" do outro e das necessidades dos outros, e a negar aos outros as dimensões de humanidade que reserva para si. A normalização da exploração do homem pelo homem, a meritocracia tornada instrumento de aprofundamento de desigualdades e injustiças e o endeusamento do lucro matam a fraternidade.

Na sua mensagem de Natal, a Conferência Episcopal, procurando abrir "horizontes de futuro e de esperança" a partir dos significados desta celebração, convida-nos - a todos e não apenas os católicos - a sermos "proximidade amiga e ativa", designadamente para com: "As famílias consumidas pelo elevado custo de vida; os jovens que não encontram futuro por falta de emprego digno e habitação; os migrantes que encontram desconfiança, indiferença e portas fechadas; as vítimas da pobreza que se tornam invisíveis; os profissionais de saúde exaustos que procuram responder aos constrangimentos no acesso aos serviços".

Na interpretação católica, o acontecimento do Natal transporta-nos ao exemplo do percurso de vida e de ação de um Homem - Jesus Cristo. Esse Homem foi operário, conheceu a exploração dos pobres e dos trabalhadores, denunciou agiotas e falsos moralistas, questionou a classe rica e dirigente, denunciou fanáticos dos rituais religiosos que excluíam e condenavam quem não fosse como eles. Foi obreiro de ruturas quando as injustiças e as intolerâncias o exigiam. Era tolerante, mas nem sempre moderado. Não se coibiu de "expulsar os vendilhões do templo".

O endeusamento da riqueza material cada vez mais mal distribuída, a promoção do egoísmo e o desprezo pelo outro, a banalização da guerra, a tolerância face à mentira, a exploração desenfreada de quem trabalha em nome das virtudes do produtivismo merecem o nosso combate e não a nossa sujeição. Nesta quadra, e sempre, assumamos a luta por valores humanos.»


19.12.25

Tropeçamos sempre em mais um Gallé

 


Vaso “Flor de Paixão”, em vidro soprado com inclusões internas. Museu da Escola de Nancy, 1900.
Émile Gallé.

Daqui.

19.12.1915 – Édith Piaf

 


Piaf colou-se para sempre à pele da minha geração, como tantos outros cantores sobretudo franceses, quando este país era quase tão sombrio como os vestidos pretos que ela nunca largou.

Mas acrescento uma nota pessoal: acabada de regressar de Portugal, onde tinha vivido a primeira parte da crise académica de 1962, eu vi-a e ouvi-a, em Lovaina, no mesmo dia (vim a sabê-lo algumas horas mais tarde) em que muitas centenas de estudantes foram presos na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa. Ficou para sempre associada ao Dia do Estudante.






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19.12.1961 – A morte saiu à rua num dia assim

 

Desenho de Dias Coelho 


José Dias Coelho tinha 38 anos e era membro do PCP na clandestinidade quando foi assassinado pela PIDE, no dia 19 de Dezembro de 1961, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa, numa rua que tem hoje o seu nome.




 

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Sem cair por terra

 


«Após o chumbo à lei dos estrangeiros em agosto, o que mais choca no segundo chumbo do Tribunal Constitucional a leis deste Governo (agora à lei da nacionalidade), não são tanto as quatro normas reprovadas, mas muito mais o que fica por apreciar. O chumbo era expectável e impõe-se sem cuidar de impedir que a lei prossiga. Por isso, com alguma razão, o Governo considere que - no essencial - o diploma continua na sua estrada rumo à fronteira. Uma fronteira incerta, mas inapelável, criada artificialmente por uma percepção de perigo que escapa à compreensão e à realidade dos números. Vivemos tempos perigosos em que as suspeições se elevam a factos e a conspiração se faz como um modo de vida.

Sem surpresa, a decisão unânime do Tribunal Constitucional refere a "afronta à Constituição" que decorreria da autorização para a retirada da cidadania a cidadãos naturalizados no caso da prática de crimes graves, como se fosse possível violar o princípio da igualdade, num piscar de olhos, distinguindo seres humanos pelo berço. Para que depois viesse um diploma que nos distinguisse pelas cores, pelos sexos, pelo estrato ou condição, numa espécie de contagem de direito à humanidade com base no currículo do deve e do haver, como se pertencêssemos todos à contabilidade e apuramento de delitos para a perda de pontos numa carta de condução. Para além de penalizar os cidadãos dos países que consentem a dupla nacionalidade (países como a China, Índia, Bangladesh, Paquistão ou Nepal não a permitem), é uma aberração que abre a porta ao tratamento diferenciado entre iguais.

Assim que a nova lei seja aprovada, Portugal integrará o lote de países mais restritivos da Europa no que concerne à atribuição de títulos de residência, exigindo um período temporal de sete anos. Numa altura em que a Itália arrepia caminho em relação às medidas mais limitativas, Portugal afasta-se da França, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Suécia ou Países Baixos, onde se exige cinco anos de residência aos imigrantes. Mas há algo mais chocante e que não merece suficiente atenção, talvez por ser tão impróprio que configura o que não pretendemos falar. Tal como está, esta é a lei que criará um enorme número de crianças apátridas, sem terra, tendo em conta que a nacionalidade portuguesa só será atribuída quando um dos pais completar cinco anos de residência. A incapacidade da AIMA, IRN ou dos consulados para avaliar e resolver estas questões é mais do que previsível, é evidente. As recentes restrições ao reagrupamento familiar farão o resto. Um país orgulhosamente criador dos seus apátridas.»


18.12.25

Oh!... Só 11?

 


Para além dos oito em acção, faltam estes: André Pestana, Humberto Correia e Manuel João Vieira.

Não conhecendo um deles, fui ver: "Pintor Humberto Correia formaliza candidatura às presidenciais e vai percorrer país vestido de Afonso Henriques". Isto vai, camaradas, isto vai.

Yanis Varoufakis

 


«O economista grego Yanis Varoufakis defende que o capitalismo morreu e está a ser substituído por uma nova ordem económica dominada pelas grandes plataformas digitais: um sistema económico a que chama de tecnofeudalismo. Cético quanto à capacidade das instituições políticas ocidentais para domar o poder das grandes plataformas digitais, o ex-ministro das Finanças não suaviza o diagnóstico no seu mais recente livro.

Defende que este novo modelo concentra riqueza, dados e influência numa elite pequena, esvaziando a democracia e abrindo caminho a novas formas de autoritarismo. A inteligência artificial apenas acelera esta dinâmica. Entre o risco do desespero coletivo e a necessidade de agir, o antigo ministro grego das Finanças insiste que “tudo poderia ser diferente”, desde que os trabalhadores sejam coproprietários das máquinas e o poder económico seja radicalmente reconfigurado.» 

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A primeira machadada no império – Índia, 1961

 


Foi na manhã de 17 de Dezembro de 1961 que tiveram início as operações militares que levaram à ocupação da cidade de Pangim, capital de Goa, na noite do dia seguinte. O «império português» levou então uma grande machadada com a anexação de parte do seu território pela União Indiana. Lembro-me bem da consternação quase generalizada que os acontecimentos provocaram no país, mesmo em certos meios da oposição. Houve algum tempo depois uma peregrinação a pé a Fátima (julgo que para que os céus nos devolvessem a «católica» Goa).

Os factos são conhecidos, mas vale a pena recordar o célebre discurso que Salazar fez na Assembleia Nacional, em 3 de Janeiro de 1962 (*). É um longo elogio (de 24 páginas A5) ao «pequeno país» que manteve o seu território «com sacrifícios ingentes», ignorados e combatidos por quase todos e, antes de mais, pela ONU, desde sempre objecto de um ódio muito especial.

Ficam algumas passagens a começar pela primeira frase do texto: «Não costumo escrever para a História e sinto ter de fazê-lo hoje, mas a Nação tem pleno direito de saber como e porque se encontra despojada do estado Português da Índia». Mais: «Não sei se seremos o primeiro país a abandonar as Nações Unidas, mas estaremos certamente entre os primeiros. E entretanto recusar-lhes-emos a colaboração que não seja do nosso interesse directo.» Há que perguntar se vamos no bom caminho «quando se confiam os destinos da comunidade internacional a maiorias que definem a política que os outros têm de pagar e de sofrer».

Amplamente conhecida é a frase que encerra o discurso: «Toda a Nação sente na sua carne e no seu espírito a tragédia que se tem vivido, e vivê-la no seu seio é ainda uma consolação, embora pequena, para quem desejara morrer com ela.»

(*) Estava afónico «com as emoções das últimas semanas» e quem o leu, de facto, foi Mário de Figueiredo.
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Deixa o Luís adiar

 


«Quando se soube que Luís Montenegro tinha dito aos autarcas, no Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que a regionalização não ia avançar nesta legislatura, temi pela saúde dos profissionais da comunicação social. Se o primeiro-ministro vai passar a anunciar todas as coisas que não vão avançar em Portugal, a quantidade de conferências de imprensa que os jornalistas terão de acompanhar vai conduzi-los ao esgotamento. O número de medidas e obras que não vão avançar supera largamente o das que vão avançar – até porque, entre as que vão avançar, também se contam algumas que não avançam. No histórico dia 14 de Maio de 2024, o governo anunciou que o novo aeroporto de Lisboa ia finalmente avançar. Não tenho passado por Alcochete, mas suspeito que, mais de um ano e meio depois, o avanço não se nota. O aeroporto Luís de Camões já tem nome – que é, de facto, o mais importante, mas creio que não tem mais nada.

Na mesma semana em que anunciou o não avanço da regionalização, Montenegro prometeu o avanço do salário mínimo nacional para 1600 euros. Enfim, não foi bem prometer. Disse que era um objectivo realista e será “calendarizado” quando “houver alicerces para isso”. Quando, em Outubro de 2020, o parlamento discutiu uma proposta de aumento do salário mínimo para 850 euros, uma deputada do PSD disse que a proposta “não era para levar a sério” e que a sua concretização seria “um acto irresponsável”. Escassos 5 anos depois, o mesmo PSD acha realista o objectivo de aumentar para 1600 euros. A diferença entre uma proposta realista e outra que não é para levar a sério é o modo como é apresentada. Quem pretende aumentar o salário mínimo é irresponsável; quem diz ter o objectivo de aumentar o salário mínimo é realista. Ter objectivos não custa dinheiro. Quem acha que o primeiro-ministro disse que o salário mínimo aumentará para 1600 euros quando houver alicerces para isso tem de ir ler melhor as declarações. Ele foi ainda mais realista do que isso. Disse que, quando houver alicerces para isso, o aumento será calendarizado. Isto é de uma prudência extraordinária. Outros líderes políticos talvez se precipitassem, aumentando o salário mínimo quando as condições para isso surgissem. Mas Montenegro avança passo a passo. Quando houver alicerces, calendariza-se. Porque não é certo que, mal haja condições para aumentar o salário mínimo para 1600 euros, Montenegro tenha tempo para o fazer imediatamente. Nessa altura, pode estar ocupado a inaugurar o aeroporto.»