22.9.10

Somos todos mais ou menos suecos?


Os resultados eleitorais de há poucos dias são muito difíceis de digerir, não só na Suécia que se manifesta na rua contra o que provocou nas urnas, mas para toda a Europa. Já muito foi escrito sobre o tema, mas um artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público de hoje, vai ao cerne da questão «da estranha morte da social-democracia sueca».

Nem é propriamente de «crise» que se trata, num país em que «o PIB deverá crescer 4,5 por cento este ano e o desemprego, na casa dos oito por cento, começa a diminuir», mas sim de um caso em que «o factor imigração parece jogar em estado puro. Os estrangeiros representam hoje 14 por cento da população total, número-recorde na Europa».

Situação limite, portanto, do «drama» deste envelhecido continente:

«A imigração toca o modelo de civilização e a segurança interna da Europa. O continente terá cada vez mais imigrantes e mais muçulmanos. Para manter o ratio activos/inactivos, a UE deverá acolher nas próximas duas décadas mais de cem milhões de imigrantes. O simples envelhecimento da população torna a imigração um imperativo de sobrevivência. É esta a dimensão do problema.
Os populismos xenófobos, ao contrário dos fascismos, não se apresentam como antidemocráticos. Cultivam certamente a "antipolítica", apelam ao "verdadeiro povo" contra as elites, procuram bodes expiatórios, mas jogam dentro das instituições. Serão antes "uma degenerescência da democracia representativa" (Yves Mény).»
(O realce é meu,)

A questão que envolve Sarkozy e os ciganos é certamente gravíssima em si mesma, mas é também, e talvez principalmente, a ponta de um iceberg cujas dimensões nem conseguimos ainda vislumbrar. Uma Europa que saiba acolher 100 milhões de imigrantes ou...?
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2 comments:

Martini Bianco disse...

Cara Joana, apresento uma solução para Europa, que mesmo sendo sectarista, poderia fazer sentido:

E se em vez da Europa ir buscar emigrantes, ou melhor, atrair emigrantes muçulmanos, que com todo a diferença cultural que os afasta da cultura europeia, e que muito desagrada aos europeus, especialmente no pós 11 de setembro, os fosse buscar à América Latina, do México à Patagónia, onde conseguiria facilmente mão-de-obra jovem e não existiria à partida nenhum grave problema cultural?

Penso que esta seria uma boa solução, ainda que sectária, porque cada vez mais assistimos a uma convivência menos pacífica entre "Europeus" e muçulmanos, e ou muito me engano, ou a 3a guerra mundial surgirá novamente na Europa e pelas mesmas sombrias razões do passado.

Joana Lopes disse...

Caro Martini,
Deculpar-me-á mas a sua proposta - que entendo - é, no mínimo, paternalista: então os europeus é que «iriam buscar» quem lhes desse jeito? Além disso, repare na ironia: latinos que já colonizámos e por isso se parecem connosco??? (Por acaso, a única vez que fui assaltada a sério foi por um chileno...)

O mundo não está nessa: ou a Europa constrói um muro à sua volta e se deixa morrer como os hindus em Varanase ou aprende a viver com toda a gente.