8.2.11

Mais dois parvos


Não era minha intenção voltar ao caso «Deolinda», a tal ponto ando irritada com muito do que tenho lido de quem é incapaz de não pôr luvas, ajustar os óculos escuros ou endireitar os brincos antes de escrever que talvez mas que nem por isso, que assim também não, que é necessário separar, distinguir e não sei que mais.

E só volto agora para dar voz a dois «parvos» – ou «rascas», se preferirem: Raquel Freire, na sua crónica desta manhã, na Antena 1 e José Soeiro na AR, há já há alguns dias.



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Os Irmãos Muçulmanos


Um artigo em Le Monde de hoje, que ajuda e perceber algumas realidades:

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Esta Europa que não se enxerga


Uma manta descosida de retalhos que não se ajustam, nem para enfrentarem o que aí está e, ainda menos, o que ainda há-de vir, e onde se tenta defender o indefensável: que cada um fique no seu canto e não vá trabalhar no quintal do vizinho mais próximo.

Já foi tempo do canalizador polaco, parece ter chegado agora a vez dos monitores de ski franceses que temem a criação de uma carta profissional europeia, que facilitará a vida aos «inimigos».

O nível baixará, dizem eles, enquanto tentam impedir que, por exemplo os ingleses (que chegam a representar 70% dos clientes de algumas estâncias) oiçam explicações … na sua própria língua - já que é sabido que os herdeiros de Carlos Magno ainda não perceberam que o francês não é uma espécie de esperanto ou de latim de outras eras… Que aprendam rapidamente mandarim ou bem podem arrumar as botas, no sentido literal da palavra.

(Fonte)
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7.2.11

O regresso do Mediterrâneo


Sem muitos pré-avisos, este grande mar voltou a ocupar um lugar histórico mais do que privilegiado, onde se joga neste momento muito do futuro próximo de uma parte da humanidade. Assistiu a tantos nascimentos e ocasos de civilizações que se torna difícil enumerá-los e está agora de novo numa complexa encruzilhada. Do desfecho do que está em causa muito depende a Europa, como se salienta num texto publicado hoje em El País:

«El futuro de Europa está en juego esta semana en la plaza Tahrir de El Cairo, igual que lo estaba en la plaza de San Wenceslao de Praga en 1989. En esta ocasión, por motivos de geografía y demografía. El arco en el que está produciéndose la crisis árabe, desde Marruecos hasta Jordania, es el vecino de al lado de Europa. Y decenios de migraciones hacen que los jóvenes árabes que gritan airados en las calles de El Cairo, Túnez y Amán tengan primos en Madrid, París y Londres. (…)

Si las revueltas triunfan, y el resultado no es otra dictadura islamista, estos hombres y mujeres jóvenes, frustrados y con frecuencia desempleados tendrán oportunidades en sus propios países. La diferencia entre la vida en Casablanca y Madrid, Túnez y París, disminuirá gradualmente, y con ella la disonancia cognitiva cultural que, llevada al extremo, desemboca en el terrorista suicida marroquí que sube a un tren de cercanías en Madrid. Con la modernización de sus países, los jóvenes árabes - y casi un tercio de la población del litoral norteafricano tiene entre 15 y 30 años - circularán entre un lado y otro del Mediterráneo y contribuirán a las economías europeas y a pagar las pensiones de las sociedades europeas envejecidas. Además, los ejemplos de modernización y reforma tendrán eco en todo el mundo islámico. Si las revueltas fracasan, y el mundo árabe vuelve a sumirse en un abismo de autocracia, decenas de millones de esos jóvenes, tanto hombres como mujeres, trasladarán al otro lado del mar sus patologías de la frustración, que sacudirán los cimientos de Europa. Si, por último, las revueltas consiguen derrocar a esta generación de tiranos, pero las fuerzas islamistas violentas y antidemocráticas se hacen con el poder en varios países y nos encontramos con un montón de nuevos iranes, que Dios nos ayude. Todo eso es lo que está en juego. No se me ocurre ninguna otra situación en la que Europa tenga un interés más vital. (…)

Nadie tiene tanta experiencia como los europeos en difíciles transiciones de la dictadura a la democracia. Ninguna región posee tantos instrumentos para influir en los acontecimientos del Oriente Próximo árabe. Estados Unidos tiene unas relaciones especiales con el Ejército egipcio y las familias árabes gobernantes, pero Europa tiene más relaciones comerciales, da mucha ayuda y dispone de una densa red de vínculos culturales y personales entre un lado y otro de lo que los romanos llamaban mare Nostrum, nuestro mar. Cuenta con 27+1 canales de relaciones diplomáticas. Es el lugar al que la mayoría de los jóvenes árabes desea viajar de visita, para estudiar, para trabajar. Sus primos ya están aquí. Y ese nexo es, al mismo tiempo, un problema y una ventaja.»
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Ana Benavente - É só para dizer…


… que a entrevista que deu à Revista Lusófona de Educação sobre «A Educação na luta contra a exclusão e pela democracia» ocupa 18 páginas (online) e tem cerca de 60.000 caracteres.

Pode ser lida aqui e, concorde-se ou não, é muito mais do que o título sensacionalista «puxado» pelo Público, ou mesmo do que as transcrições das críticas dirigidas ao PS, que são feitas no texto.

Desde esta manhã que comentadores, bloggers e outros que tais espingardeiam contra ou a favor (sem terem lido, aposto…), como se o futuro do país dependesse da discussão sobre um campeonato de autoritarismo entre Sócrates e Lenine – questão que não tira nem um minuto de sono a quem nunca foi socrática ou leninista, by the way
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Ainda o Caso Battisti


João Bernardo recordará o caso de Cesare Battisti, António Alves lembrará o caso de Mumia Abu Jamal e António Pedro Dores falará sobre a situação nas prisões portuguesas e apresentará o Grupo de Intervenção nas Prisões (GIP). Seguir-se-á um debate.

Depois haverá um concerto com José Mário Branco e alguns outros músicos que participaram na gravação da canção de apoio «Hoje Battisti, amanhã tu!».

(Daqui)
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Sexismo versão eurolândia


Sempre ouvi citar Nicolas Boileau que, no século XVII, terá escrito: «ce qui se conçoit bien s'énonce clairement, et les mots pour le dire arrivent aisément».

Com a maldade que lhes é característica quando de flamengos se trata, os belgas de expressão francesa usam desde há muito uma versão caseira: «Ce qui se conçoit bien mal s'énonce clairement lourdement, et les mots pour le dire arrivent aisément en flamand».

E eu, hoje, corto «flamand» e ponho «allemand» (com pedidos de desculpa à minha avozinha que deus tem e que não é para aqui chamada).

Tudo isto porque um senhor, que dá pelo nome de Josef Ackermann e que manda no Deutsche Bank (ou seja, também um pouco em todos nós), afirmou que será bom ter mais mulheres na direcção do dito banco para que esta fique «mais colorida e mais bonita». Para defender o chefe da polémica gerada, o chefe do departamento de comunicações veio já explicar que a frase foi tirada do contexto e que Mr. Ackermann é um gentlemen da «velha escola».

Mais velha do que ele sou eu e coro de vergonha por estarmos entregues a gente deste calibre.

(Fonte)
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Paris 1900 (10)


Place de la Bastille
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6.2.11

O olho


«Hubo un tiempo en que los hombres y mujeres estaban convencidos de que todos y cada uno de sus actos tenían al menos un espectador divino, quien sabía todo acerca de sus acciones (y pensamientos), que podía entenderlos y, de ser necesario, castigarlos. Uno podía ser un proscrito, un bueno para nada, un don nadie ignorado por sus prójimos, una persona que sería olvidada en el momento en que muriera, pero estaba convencido de que, al menos, alguien le prestaba atención. (…)

Hoy en día, si este testigo que todo lo ve ha desaparecido, ¿qué es lo queda? El ojo de la sociedad, de nuestros pares, aquellos ante quienes debemos mostrarnos para evitar descender al negro hoyo del anonimato, al remolino del olvido - incluso si significa hacer el papel de idiota del pueblo, de quedarse en paños menores y bailar sobre una mesa en la taberna local. Aparecer en la pantalla se ha convertido en el sucedáneo para la trascendencia y, tomando todo en cuenta, resulta un hecho gratificante. Nos vemos a nosotros mismos - y somos vistos por outro - en este más allá televisado, donde podemos disfrutar simultáneamente de todas las ventajas de la inmortalidad (aunque de tipo rápido y pasajero) y tenemos la oportunidad de ser celebrados en la Tierra por nuestro acceso al Empíreo.

El problema es que, en estos casos, la gente confunde el significado doble de la palabra reconocimiento. Todos nosotros aspiramos a ser reconocidos por nuestros méritos, nuestros sacrificios o cualquiera otra cualidad que podamos tener. Pero, después de haber aparecido en la pantalla, cuando alguien nos ve en la taberna y dice "Te vi en la televisión anoche", sólo te reconoce en el sentido de que reconoce tu cara - que es algo muy diferente.»

Umberto Eco
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Com Nuno Teotónio Pereira – ontem em Lisboa


Sobre o conteúdo da sessão de homenagem a Nuno Teotónio Pereira, leia-se o texto que José Pedro Castanheira acaba de publicar no Expresso online.

Mas acrescento algumas linhas.

Foram horas a olhar para uma imensa plateia de mais de trezentas pessoas, não só de católicos e ex-católicos activistas desde os anos 60, mas também de muitos outros compagnons de route que, ao longo de mais de cinco décadas, se habituaram a ver na pessoa do Nuno o grande impulsionador de um sem número de actividades, políticas e cívicas, e que aderiram a uma iniciativa anunciada através da internet, sem envolvimento de organizações (juntaram-se depois e estiveram ontem presentes) e organizada por um pequeníssimo grupo de amigos. Muitos cabelos brancos e rugas vincadas, mas também jovens, filhos e até netos que cresceram habituados a ver o Nuno sempre por perto. Um grande conjunto de pessoas que raramente se encontram porque a vida as foi dispersando, mas que retomam imediatamente a cumplicidade passada, porque, ao contrário de outras arenas, por aqui não passaram cisões geradoras de ódios que tornariam inviável este tipo de convivências. Pensei nisso várias vezes ontem, talvez por conhecer a maioria esmagadora de quem estava à minha frente.

Ao lançarmos a sessão, utilizámos a palavra «homenagem» na convocatória e o Nuno não gostou: telefonou-me três dias antes, desagradado por só então se ter apercebido de que seria o centro das atenções. Disse-lhe então o que ontem repeti: que estávamos ali para nos «homenagearmos» também, num reencontro para celebrarmos um passado de que nos orgulhamos e que, de uma maneira ou de outra, ele nos ajudou a construir. E que a nossa presença naquela sala era a prova daquilo que, certamente, ele mais gostaria de ouvir: que ainda não baixámos os braços.

O Nuno encerrou a sessão, com a limpidez e a frontalidade habituais, quase lendárias:

«Estou velho, estou a chegar aos 90 anos. Há órgãos que me estão a falhar. Um deles é a memória, que se está a desfazer como pó, o que me causa um certo sofrimento. Além da perda da visão. Mas estou muito contente, porque esta sessão, tendo sido anunciada como de homenagem à minha pessoa, e não deixando de o ser, fez também justiça a todos aqueles que conhecemos e lutaram naqueles anos difíceis.»

Mais palavras para quê.
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Egipto

Tunes e Cairo: distinguir para compreender


«Por supuesto, la Revolución de los Jazmines tunecina y la revuelta que se está desarrollando en Egipto tienen algunos puntos en común:
-El despotismo de Mubarak, al menos tan abyecto como el de Ben Alí.
-El muro de miedo que ahora se derrumba. (…)

Para empezar, Mubarak no es exactamente Ben Alí y, déspota por déspota, este ofrecerá mayor resistencia que aquel, como demuestra la diabólica habilidad con la que, desde las primeras horas del movimiento, retiró a la policía de la calle, abrió las puertas de las prisiones y dejó que los maleantes invadieran la capital y aterrorizasen a las clases medias.
Además, el de Ben Alí era un régimen policial, mientras que el de Mubarak es una dictadura militar. (…)

Pero sería absurdo negar que, por el momento, la madurez del pueblo tunecino, su cultura política y su nivel de alfabetización no están presentes en las zonas rurales del Alto Egipcio ni en El Cairo (…).

Sobre todo porque no hay que olvidar que Egipto carga con un lastre que en Túnez podía considerarse insignificante, y es el islamismo radical.(…)

Con todo esto quiero decir que lo que está ocurriendo ante nuestros ojos no es un solo acontecimiento, sino dos: una revolución exitosa en Túnez y otra, la de El Cairo, que aún está intentando definir su identidad.

Con todo esto quiero subrayar que, para reflexionar sobre tales sucesos, para comprenderlos en toda su singularidad y contribuir a que terminen dando lo mejor de sí mismos, hay que deshacerse de las ideas preconcebidas, empezando por la de una única « revolución árabe » que emite en una misma longitud de onda y a la que habría que saludar en idénticos términos desde Túnez a Saná, pasando por Alejandría.»

Bernard-Henri Levy, em El País de hoje.
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