10.5.13

Grandes árvores (6)



Esta árvore encontra-se na Tailândia, no Wat Mahathat de Ayutthaya, antiga capital do reino de Sião, situada a cerca de 80 quilómetros a Norte de Bangkok.
Os portugueses foram, provavelmente, os primeiros europeus a visitar Ayutthaya, em 1511.

No recinto vêem-se muitas estátuas mutiladas mas esta cabeça, envolvida por raízes de uma árvore gigante, é absolutamente única!


(Ayutthaya, 2012)

(Para ver a série, clicar na Label: ÁRVORES)
 .

Reformados, esses potenciais terroristas



Em mail agora enviado aos sócios da APRe!, a sua presidente, Rosário Gama, descreveu o que se passou no passado dia 3, quando um grupo de reformados assistiu à discussão da Petição que tinham entregado em Novembro de 2012 à AR, com cerca de 13.500 assinaturas. É bom que estes factos sejam divulgados:

«A entrada na Assembleia da República foi uma verdadeira odisseia, com uma fila de associados da APRe! na rua, ao sol, à espera que nos deixassem entrar, competindo com filas de alunos que também iam assistir ao Plenário. Para estes, a entrada foi rápida, para a APRe! houve um tratamento humilhante, fazendo cada associado mostrar a roupa que trazia por debaixo da camisa ou camisola a fim de verificarem a existência de uma perigosa arma de propaganda: a t-shirt da APRe! a dizer que não somos descartáveis. Aos homens, a verificação era feita no corredor, as senhoras eram encaminhadas para um gabinete onde uma zelosa segurança mandava levantar as peças de roupa para ver o que havia escondido. Apesar disso, ainda conseguimos introduzir uma t-shirt na sala, juntamente com a “raiva” que já todos levávamos: aos alunos não foram tiradas as mochilas, a nós foram retiradas todas as carteiras e sacos…»

Como é sabido, no fim do debate sobre a Petição, houve uma «grandolada» nas galerias, que a presidente da AR comentou dizendo que o acto «não ajudava a democracia». Esta reacção esteve na origem de uma troca de cartas entre Rosário Gama e Assunção Esteves, tendo a primeira recordado à segunda que «cantar “Grandola, Vila Morena” na Sala das Sessões é tão respeitoso para a Democracia como a cantar na escadaria da Assembleia, facto que, em boa hora, V. Ex permitiu que acontecesse no passado 25 de Abril». Recebeu como resposta que «interromper o processo de votação do Parlamento não está bem. É essa a diferença entre cantar a Grândola que nos libertou nas escadas ou nas galerias. Nas escadas é uma celebração, mas nas galerias pode ser uma alienação.»

Alienação???


...

Conversas sem família



Luís Reis Torgal escreveu, no Público de ontem, um excelente texto (sem link), com este título. Ainda pensei divulgar apenas uns excertos, mas aconselho a leitura na íntegra. Ficam aqui o primeiro e os dois últimos parágrafos e o texto completo. 

«O discurso proferido em 3 de Maio (dois dias depois do “Dia do Trabalhador”) pelo primeiro-ministro (ia a dizer “primeiro ministro da troika") lembrou-me as Conversas em Família de Marcello Caetano, da minha mocidade. Não é que Passos Coelho tenha a estatura cultural do sucessor de Salazar. Logicamente que lhe fica muito atrás. Por isso Marcello tentava – e fazia-o com mestria – encantar o povo com um raciocínio claro e uma forma coloquial, próprio de um excelente professor. Se me recordou as Conversas em Família (“Conversas sem Família”, como lhe chamo) é porque tentou, com o que chamamos uma “retórica de poder”, convencer os portugueses, a qualquer preço, de que não havia outra maneira de salvar Portugal do que o uso da sua receita, em prejuízo sobretudo dos funcionários públicos e pensionistas, e também de toda a economia e da generalidade da sociedade. E a maioria dos funcionários públicos e pensionistas lutaram mais pelo país, com o seu trabalho e a sua dedicação, do que o ministro durante a curta vida de gestor e a sua longa militância política na JSD e no PSD e, agora, no Governo. (...)

Que democracia é esta? É óbvio: estamos numa democracia política capitalista e neoliberal, autoritária, e de dependência. Cavaco Silva, Passos Coelho e seus amigos são bem o seu símbolo. Por isso, se há que construir outra democracia, há que lutar contra esta. Aqui e em todos os países da Europa, numa lógica de solidariedade, afinal própria daquela Europa que defendemos, a “Europa dos Cidadãos”.

Caso contrário, ainda nos cai em cima não “outro 25 de Abril” (como por aí dizem), mas “outro fascismo”, com outra forma. A “política” (como arte e não como cidadania) sempre soube usar o disfarce. E não nos esqueçamos que se está a celebrar, neste ano, meio século de O Príncipe de Maquiavel.» 

9.5.13

Já não há mesmo respeito



... quando se publica uma fotografia destas.
.

Há o Governo das sextas-feiras e há o Governo dos domingos



«O Governo, como Fernando Pessoa, é histero-neurasténico. O resultado é a heteronímia política a que assistimos esta semana. Há o Governo das sextas-feiras, que é comportado e temente à troika e que se propõe aprofundar a austeridade; e há o Governo dos domingos, que é insurrecto, despreza a troika e traça limites que a austeridade não pode ultrapassar. Havia saldos nas urnas, nas eleições de 2011, e eu não percebi. Vote num e leve dois. Dois governos pelo preço de um.»

Ler na íntegra AQUI.
.

Jornal Sénior



Chegou hoje às bancas, é quinzenário («por enquanto»), tem como director Mário Zambujal do alto dos seus 77 anos, e tem como alvo principal, mas não exclusivo, os maiores de 60 anos.

48 páginas por 95 cêntimos, com um grafismo que não sendo espampanante tem um cariz relativamente popular, poderá certamente chegar a muitos que já, ou ainda, não alinham em jornais digitais e já desistiram dos outros.

Destina-se fundamentalmente, como Mário Zambujal diz nas primeiras linhas do editorial, «a pessoas que levam já décadas a ouvir os parabéns a você», mas também aos seus filhos e netos.

Conteúdo mais do que generalista, com muitas informações úteis, entrevistas, reportagens e notícias onde nem o futebol falta, desde a actualidade até memórias do passado, com largo relevo dado à primeira transmissão de um desafio em directo para a Eurovisão (expressamente autorizada por Salazar...) de um célebre Benfica-Feyenoord – exactamente há 50 anos, em 8 de Maio de 1963.

Dimensão de público alvo não lhe falta, um director com grande popularidade também não. Esperemos que tenha longa vida. 
.

Um Popeye sem forças



A imagem parece-me excelente: se, pelo menos, a Europa comesse alguns espinafres... 

«Bruxelas continua a organizar conferências com distinção aristocrática mas há muito que deixou de fazer política séria. A Europa, terra de filósofos, deixou de pensar. Segue guiões como o da austeridade, aplica paliativos às economias doentes sem tentar curá-las, faz da culpa e da sua expiação a ideologia do novo mapa que está a ser desenhado.

A Europa é um Popeye sem forças. Porque não come espinafres nem se esforça por os produzir. A irrelevância política, económica e militar da Europa está agora a transportar-se para o campo das ideias. A Europa deixou de ser um modelo, olhado com inveja pelos outros. (...)

A menoridade intelectual da Europa que alimentou a periferia de sonhos para agora a prender em termos financeiros revela-se no circular discurso de Durão Barroso (...). A centralização do poder na Europa parece ser a única estratégia do núcleo duro europeu. E o euro é a sua canga. A pergunta continua a ser uma: como vai Portugal, a crescer por absurdo 1%, pagar 5,6% de juros?»

Fernando Sobral

(O link pode só funcionar mais tarde.)

*********** 

«Hoje é o Dia da Europa. Todavia, o ambiente que encontro em Lisboa, depois de dez dias em contacto com a vitalidade do Brasil, no plano universitário como em tantos outros, evoca-me sobretudo uma ideia de Milan Kundera, que definiu o europeu como aquele que tem nostalgia da Europa.

Este sentimento, que não é novo, tem-se intensificado nos últimos três anos. E ele agora cruza-se com um outro, que os acontecimentos têm vindo a impor cada vez mais na experiência quotidiana dos europeus: o do medo, um medo da Europa.»

Manuel Maria Carrilho
.  .

Há tanto tempo que ando nesta!


.

8.5.13

Lisboa festejou assim



... em 8 de Maio de 1945, o fim da Segunda Guerra Mundial.

Nas ruas, viam-se muitas bandeiras de Inglaterra, dos Estados Unidos e... do Benfica (em substituição de outras, proibidíssimas, da União Soviética).

Em Almada, depois dos patrões ingleses de algumas fábricas de Cacilhas darem 1/2 dia feriado, também houve desfile com as bandeiras dos vencedores e um pau sem nada. Gritava-se vivas aos países vencedores e quando chegava o momento da indizível URSS gritava-se «Viva a outra!» (Paula Godinho no Facebook)

Foto roubada no Aventar. 
.

Cuidado com os «grisalhos»!



O Pedro Magalhães elaborou um interessante gráfico sobre o peso dos pensionistas nos eleitorados dos partidos com representação parlamentar, nas quatro últimas Eleições Legislativas.

Saltam à vista – e ele sublinha – dois factos: 
  • É «natural que o peso dos pensionistas venha aumentando no eleitorado de todos os partidos, seja por razões demográficas seja por diminuição da participação dos mais jovens»;
  • O Bloco não é mesmo o partido dos pensionistas, bem ao contrário do que se passa com o seu parceiro na esquerda da esquerda, a CDU.


Sabendo-se, como PM explicita num outro post, que «os 3 milhões de pensionistas correspondem a cerca de um terço da totalidade do eleitorado», com tendência óbvia para crescer, e que «a percentagem de abstenção entre os pensionistas é sempre inferior à média», é bom que os partidos se cuidem e tratem bem os tais «grisalhos» de que toda a gente agora fala, ou terão cada vez maiores surpresas...

E por falar em grisalhos, chega amanhã às banca o primeiro número de um novo quinzenário – Jornal Sénior – não só mas especialmente orientado para os maiores de 60 e dirigido por Mário Zambujal que explicou hoje a iniciativa na TSF.

É caso para se dizer que não há fome que não dê fartura!

P.S: - Ler também, de Pedro Magalhães: O partido dos pensionistas, sobre o comportamento do eleitorado do CDS e a estranheza dos seus resultados em 2011. 
.

O «sucesso» de ontem nos mercados


«Sem o guarda chuva do BCE, o governo português, antes do resgate, colocava divida a cerca de 6%, com um crescimento nominal de 2,2%. Agora, com as garantias do BCE, coloca-se a 5,6%, com crescimento negativo de -2,3%. Pelo meio arrasou-se o país. É o que se chama recuar para antes da casa partida, deixando o dinheiro todo na caixa da comunidade, sem esquecer de arrasar casas e hotéis. É o monopólio do Gaspar.»

Sérgio Sousa Pinto no Facebook.

No mesmo sentido: Quem paga o "sucesso" de Gaspar?
. 

A austeridade e os seus limites



«A austeridade é uma espécie de ponto de concentração de toda a teoria económica do liberalismo, um concentrado de toda a sua insensibilidade social, que começa pela ideia de que o desemprego é voluntário e, mais recentemente, se manifesta numa espécie de fúria contra o estado social.

Em Portugal, a austeridade está a atingir o seu apogeu quando se começam a notar fissuras entre os seus mais estrénuos defensores. Há um momento em que a insensibilidade social tem um limite: quando a sociedade assume colectivamente que não pode pagar mais e que as penalizações a que está a ser sujeita exorbitam o razoável. A partir daí o liberalismo não tem respostas. (...)

E não se pense que é por muito se acreditar, ou por muito se afirmar que não há alternativa, que a austeridade se torna mais aceitável. Alguém tem de pôr fim a este perigoso experimentalismo, que está a pôr irreversivelmente em causa alguns valores democráticos fundamento da organização das nossas sociedades e a reduzir a limites impensáveis os limiares de bem-estar e de qualidade de vida de milhões de europeus durante várias das próximas gerações. (...)

O que está a ser feito no nosso País, os sacrifícios que nos estão a ser impostos não têm justificação nem económica, nem social, nem racional. Estamos no domínio onde se confunde realidade com ficção. (...) Podemos obedecer às imposições dos credores externos sem perder a dignidade nem apresentar o ar obediente de quem cometeu o pecado absoluto. Outros estiveram em situações semelhantes à nossa, alguns dos que agora nos punem, e saíram sem ter de se humilhar. (...)

Tudo isto não passa de cortinas de fundo engendradas entre políticos e os grupos económicos e financeiros que, lá e cá, parasitam o regime democrático até que este se consuma de vez. O problema não são as necessidades inerentes ao ajustamento necessário, como não me canso de escrever; o problema é o défice de verdade.»  

José Maria Brandão de Brito

(O link pode só funcionar mais tarde)
.