22.3.14

Como se estivesse a acontecer no planeta Marte



... e passa-se, hoje, aqui mesmo ao lado.



La larga marcha de la dignidad
Mañana comienza la larga marcha hacia la dignidad. Se gestó hace apenas dos semanas en pequeños afluentes que mañana desembocan en Madrid. Sea cual sea su caudal, la larga marcha comienza en la conciencia de los españoles en busca de su dignidad masacrada. Ya no hay retroceso posible, aunque se produzcan desfallecimientos y deserciones. Ahora sí que se puede afirmar que la mecha queda encendida. La mayoría silenciosa se ha dado la vuelta. Esta marcha de mañana es el Punto Cero. A partir de mañana, la palabra dignidad será la seña y contraseña. Ser o no ser dignos, he ahí la cuestión del existir español. No serán paso en falso, proyectos vanos. La dignidad remozará España y la limpiará de tanto como la han ensuciado y violado. 22 de marzo de 2014, España inició la reconquista de la decencia, dirán las crónicas dentro de varios siglos. Sin caudillos ni salvadores que no sean el propio pueblo. Fue el principio de la realidad del deseo. Desde mañana los españoles de bien sentiremos y nos miraremos de otra forma. Sabremos que somos cómplices, todos seremos colaboradores necesarios. Mañana comenzaremos a doblarle el pulso a los usurpadores. El miedo desaparecerá de las calles y casas de España. Y que no se pongan chulos porque ya somos más. Queremos la paz, pero no nos obliguen a la guerra. Tropezaremos y nos levantaremos, esto no hay quien lo pare. El silencio ya no será sordo. Habrán hecho el ridículo con sus miles de antidisturbios, con sus leyes represoras, con sus brutales austeridades. A España ya la gobierna el pueblo, las injusticias han caducado. De modo que ojito, ojito. El pueblo comienza a estar contento, España es una fiesta, la dignidad ha florecido. No nos mofemos, no la escupamos, no la desaprovechemos. Solo así seremos personas, basta ya de excusas y lamentos, la larga marcha nos hará de hierro, reordenaremos el mundo, querer es poder, el que se quiera apuntar que se apunte, las puertas están abiertas, el camino de la esperanza comienza mañana, España dejará de ser un país sórdido y abyecto por lo mucho que unos indignos depredadores la han humillado. El monte era orégano y no lo sabíamos. Esta marcha tiene la suficiente entidad para hacerse duradera en su espíritu. Ése será su gran éxito. Esa semilla no va a caer, no puede caer, en barbecho. Con, de, en, sin, sobre, tras, la marcha de la dignidad y la propia estima ha comenzado. La Historia del progreso del mundo es la historia de sus largas marchas, y la nuestra desde mañana no va ser menos.
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21.3.14

Alucinações e manipulação histórica


Manuel Loff escreveu um importante texto no Público de ontem. Aqui fica, na íntegra:

O disparate das imagens/metáforas históricas do primeiro-ministro não cessa de me surpreender!

Há dias, Passos foi às Caldas da Rainha no dia em que passavam 40 anos sobre o 16 de Março de 1974, o fracassado golpe spinolista que procurava antecipar-se ao que viria a ser o 25 de Abril do Movimento dos Capitães. Não é difícil ter sérias dúvidas sobre se Passos Coelho saberá alguma coisa de minimamente sólido sobre o 16 de Março e o 25 de Abril, o contexto da crise final da ditadura, um país empurrado para o abismo pela opção da guerra colonial tomada por Salazar. O que é extraordinário é que este homem se atreva a invocar “a coragem dos militares que fizeram o 16 de Março e o 25 de Abril, num momento de grande incerteza e em que a História não estava ainda escrita, para realçar que também hoje se está perante um momento em que é necessário tomar decisões arriscadas”, como aquelas “medidas muito difíceis” que ele mesmo tomou “no quadro de ajuda financeira” (PÚBLICO, 17/3/2014).

É que só nos faltava mais esta! O homem a quem tocou dirigir o Governo no ano em que se comemoram 40 anos de democracia julga-se um Salgueiro Maia?, um decidido capitão que se revolta contra uma ditadura que prolongava, havia 13 anos, uma guerra ilegítima, sem apoio popular e sem saída militar? O problema não é só esta petulância de se comparar a si próprio com os capitães de Abril; é, acima de tudo, comparar o 25 de Abril e a libertação de um povo que, por vontade própria e, então sim, soberana, renunciava à guerra e, nas palavras de Costa Gomes na ONU, “não mais [admitia] trocar a liberdade de consciência coletiva por sonhos grandiosos de imperialismo estéril” com esta procura deliberada do regime de protetorado da troika que Passos nos apresenta como o dos “sacrifícios” para conseguir “a mudança estrutural” da economia portuguesa, como descreveu ele a Merkel.

Esta não é a primeira das alucinações de Passos entre o presente desastroso que ele próprio nos vem impondo e o passado recente da revolução de Abril e do fim da ditadura. Há um ano e tal, querendo prestar homenagem aos ex-combatentes da guerra colonial, enalteceu o esforço destes, não por terem suportado uma guerra injusta sobre a qual não tinham tido direito a pronunciar-se, mas porque haviam "servido a pátria de forma tão absoluta"; ora, como Portugal vive também hoje, segundo ele, "uma guerra intensa", "precisamos de encontrar em cada cidadão um soldado que esteja disposto a lutar pelo futuro do país" (Económico, com Lusa, 21/12/2012)! Se aceitarmos a metáfora – quase abjeta –, Passos não sai bem do paralelo que estabeleceu: a guerra que se vivia em 1974 fora declarada em 1961 por Salazar; a de hoje, foi declarada por Sócrates ao assinar o memorando da troika, mas apoiada e redobradamente assumida por Passos em 2011.

É um curioso sintoma este, o de uma direita política que, de tão embaraçada e intrinsecamente alheia ao 25 de Abril e à luta pela democracia em Portugal, não sabe o que há de dizer sobre a revolução. E que nem sequer aprende as lições revisionistas que a direita intelectual nos pretende há muito ensinar sobre o passado. Os programas oficiais de comemoração dos 40 anos da democracia são reveladores. Quando Cavaco lançou a ideia de uma pomposa conferência Portugal, Rotas de Abril: o Espírito da Democracia, a Cultura de Compromisso e os Desafios do Desenvolvimento, o historiador David Justino, da organização, propôs que se “usassem os princípios que a revolução trouxe para refletir para o futuro, em vez de se olhar em volta à procura de sinais no tempo de hoje idênticos ao do tempo de pré-revolução de 1974” (PÚBLICO, 6/12/2013). Justamente o que Passos Coelho não pára de fazer! Claro que o que incomoda o ex-ministro de Cavaco é a denúncia de um retorno ao passado, a evidências como uma emigração superior à dos piores anos do período 1961-74, um governo que apela, como o de Marcelo fazia, ao sacrifício nacional em nome de um projeto para Portugal que não submeteu a ratificação popular, dirigindo, num caso como noutro, um sistema político que perdeu o essencial da sua credibilidade...

Há vinte anos, o cavaquismo comemorou o 20.º aniversário do 25 de Abril tratando-o como se tivesse sido um golpe de uns quantos militares mandriões que abriram deliberadamente as portas ao totalitarismo, nada menos. Há dez, outro governo da direita, o de Durão, quis descafeinar a revolução negando o caráter revolucionário dos seus efeitos (“Abril é evolução”, lembram-se?). Agora, Cavaco só quer falar na “cultura de compromisso” (justamente o que, felizmente, o MFA não fez com a ditadura), a presidente da AR gostava de ver chaimites engalanadas par Joana Vasconcelos e patrocinadas pelo Pingo Doce, e o Governo aprovou no dia 11 (alguém se apercebeu?) um programa de comemorações que inclui uma coisa tão pertinente como um “call for design, dirigido a diversas categorias (print, motion, product e fashion)” a cargo de Guta Moura Guedes...

Dois dias depois do desaparecimento de Medeiros Ferreira, o historiador pioneiro na investigação sobre a Revolução dos Cravos, o melhor mesmo é fingir que nada disto está a acontecer... 
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As Cidades e as Praças (55)



Praça da Constituição (Cidade da Guatemala, 2014)







 (Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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Lido por aí (8)

Urgências hospitalares - Um sintoma gritante da austeridade



Um texto de Isabel do Carmo, enviado pela autora a este blogue. Publicado em Le Monde Diplomatique (ed. portuguesa), Fevereiro de 2014.

Quando os utentes do Serviço Nacional de Saúde acorrem às urgências hospitalares, como agora no pico das gripes de Inverno, ficam a nu todos os problemas que se vão acumulando com os cortes do financiamento público e com a falta de uma visão estratégica que defenda os doentes e facilite o trabalho dos profissionais. O que está errado? O que pode fazer-se?

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Em patologia clínica, no que se refere ao tempo de aparecimento de sintomas ou sinais, as situações podem ser agudas, com aparecimento rápido; sub-agudas, quando se instalam pelo menos durante três semanas, muitas vezes sem que se consiga perceber a etiologia; e crónicas, quando duram para a vida. As crónicas podem ter agudizações ou, no calão médico, descompensações, pela própria história natural da doença ou por falhas na medicação.

As agudas podem ir desde uma amigdalite ou uma dor articular até um enfarto. E quanto às cirúrgicas, todas as provocadas por acidente são agudas, tal como situações orgânicas como a apendicite. Dentro das situações agudas, ou tidas como tal, a necessitar de assistência, há então a já conhecida classificação de Manchester, de acordo com a gravidade: azuis, verdes, amarelos, laranjas e vermelhos. Esta classificação traduziu-se numa grande melhoria no atendimento, pois até aí não havia triagem e os doentes eram atendidos por ordem de inscrição, o que era um absurdo. Exceptuando os «directos», cujo grau de gravidade era evidente, todos os outros permaneciam na sala de espera, por ordem, fosse uma dor articular sub-aguda ou crónica, ou uma dor precordial, que era sintomática de enfarto. Naturalmente que, hoje em dia, os verdes são os que esperam mais tempo e os laranjas os que esperam menos. Quanto aos vermelhos, correspondem geralmente aos «directos». Portanto, em matéria de tempos de espera tem que se contar com a classificação.

Quais são os factores que podem conduzir a uma demora inadequada no atendimento? O facto de virem ter às urgências hospitalares os doentes com classificação verde e parte dos amarelos (os azuis são uma minoria), que podiam e deviam ser atendidos nos cuidados primários (Figura 1). E o facto de haver poucos médicos nos hospitais no grupo etário que faz urgências.

A área de Lisboa e Vale do Tejo cobre 3,3 milhões de habitantes e recebe também de todo o Sul do país, quando necessário. Hospitais com todas as valências médico-cirúrgicas são o Centro Hospitalar Lisboa Norte (urgência no Hospital de Santa Maria), o Centro Hospitalar Central (urgência no Hospital de São José), o Centro Hospitalar Ocidental (urgência no Hospital São Francisco Xavier), o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) e, ao Sul, o Hospital Garcia de Orta (Barreiro) e de São Bernardo, em Setúbal. Os hospitais de Loures, Cascais, Santarém, Vila Franca, Torres Vedras e Caldas da Rainha não têm todas as valências, ou então não as têm nas 24 horas. 


20.3.14

Ricardo Araújo Pereira entrevista-se



Esta semana, na Visão, RAP entrevista RAP.

- Qual é a sua opinião sobre a co-adopção?
- Sou a favor para todos os tipos de casal, menos para os que incluam parlamentares. As crianças precisam de um ambiente estável, e um parlamento que começa por aprovar uma lei para vir a chumbá-la meses depois é formado por pessoas instáveis, que não têm maturidade para criar uma criança.

Na íntegra AQUI.
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68 anos depois



(Recebido por mail.)

It is now 68 years after the Second World War in Europe ended. This e-mail is being sent as a memorial chain, in memory of the six million jews, 20 million russians, 10 million christians and 1,900 catholic priests who were murdered, massacred, raped, burned, starved and humiliated. Homossexuals and gipses has been stigmatized too.

Now, more than ever, it's imperative to make sure the world never forgets, because there are others who would like to do it again.

This e-mail is intended to reach 40 million people worldwide! Join us and be a link in the memorial chain and help us distribute it around the World.

Please send this e-mail to people you know and ask them to continue the memorial chain. It will only take you a minute to pass this along. 

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Não parece




... mas ela aí está.
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Merkel e as «nossas» Europeias



«PSD e PS esforçam-se, com devoção patriótica, para mostrar que têm divergências sobre o presente e o futuro de Portugal. Os portugueses, com uma lupa, tentam encontrá-las.
Angela Merkel, que sabe como funcionam os microscópios políticos, não encontra diferenças relevantes. (...)

Sendo assim, se ambos [PS e PSD] se comprometem a seguir cegamente as opções de Berlim, o que é que os leva, passados minutos, a soltar os seus galos de combate para mais um debate épico? As eleições europeias. PSD e PS precisam de mostrar que são divergentes, apesar da sua convergência. Afinal as regras do tratado orçamental foram subscritas pelos dois desavindos. Sabe-se que a política é um jogo, mas às vezes parece que tudo não passa em Portugal de uma versão de "Rambo: The Videogame": o que interessa é somar pontos, insígnias, ultrapassar obstáculos e conseguir privilégios. Ou seja, resultados eleitorais e poder.

Merkel bem pode fornecer a consola a Passos Coelho e António José Seguro para estes se entreterem. O que interessa é mostrar que Portugal é um caso de sucesso, que não há mais custos associados para os eleitores alemães e que todos irão gerir a austeridade durante os próximos 20 anos. Nada de mais simples. Merkel, no fundo, diz: que venha o próximo Bloco Central.»

Fernando Sobral, no Negócios de hoje.
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19.3.14

Regressa, La Fontaine

1968: Mário Soares detido e deportado



Mário Soares foi deportado para S. Tomé, pouco depois de ter estado preso e incomunicável, durante três meses, pretensamente por ter fornecido a um jornalista do Sunday Telegraph informações relativas a um escândalo sexual que envolveu suspeitas de actos pedófilos por parte de várias figuras públicas – o chamado caso dos «Ballet Rose». No fim de Fevereiro de 1968, conseguiu sair em liberdade na sequência de um pedido de habeas corpus.

O que se seguiu, aqui resumido por Maria João Avillez (Soares. Ditadura e Revolução, 1996, Círculo de Leitores, p. 197):


Detido pela PIDE nesse 19 de Março, foi-lhe comunicado que partiria para S. Tomé no dia seguinte, por volta das onze horas da noite. Rapidamente espalhada a notícia (sem internet, sem telemóveis...), centenas de pessoas, de todos os quadrantes da oposição, dirigiram-se para o velho aeroporto da Portela, na tentativa de chegarem a uma varanda de onde então se podia assistir a descolagens e aterragens de aviões. Em vão, porque a polícia correu tudo à bastonada. Recordo bem algumas cabeças partidas e correrias atabalhoadas por corredores e escadarias. Alguns escaparam: Maria Belo, por exemplo, porque era loira, foi tomada por estrangeira e saiu calmamente, sem pressas e sem que os bastões lhe tocassem. Eu não era loira, mas só um me tocou – e de raspão.

In illo tempore, havia um consenso sagrado: contra a PIDE, sempre, quaisquer que fossem as afinidades ou as divergências. E, se existiam algumas (poucas) excepções, não faziam mais do que confirmar a regra. 
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Lido por aí (7)