2.9.14

«Colaboradores» – enquanto não chegam os robôs



No Diário de Notícias de hoje, o jornalista Pedro Tadeu reflecte sobre os termos da frase publicitária do Novo Banco, «nascer com o empenho renovado de seis mil colaboradores é um bom começo»... Espantado por ler «colaboradores» onde esperaria «trabalhadores», desconfiado de que a semântica é tramada, Tadeu tenta descobrir razões para esta substituição. Será, talvez, porque, como escreve, «um colaborador não tem horário certo, não tem sindicato, não reclama, obedece», enquanto que um trabalhador pensa em direitos, quer saber como os administradores governam a empresa, questiona as desigualdades salariais, é, enfim, «um perturbador».

Bem vindo ao glorioso mundo da novilíngua, camarada. Foi já há muitos anos que na empresa onde trabalhava me explicaram que os técnicos que transformavam em material visível as ideias que lhes transmitia deviam ver em mim não uma camarada de trabalho, mas uma cliente. Há já largos meses sobressaltei-me ao ouvir uma terapeuta falar de clientes, referindo-se àqueles que acompanhava. Doente ou paciente são palavras menos agradáveis, explicou-me, sem me libertar da ideia de que tratar um doente ou um paciente envolve uma atitude diversa da de lidar com um cliente.

Problema meu – que, como Pedro Tadeu, desconsegui de me habituar à beleza dos novos termos. Há anos que conheço uma lista de «verbos de acção adequados para a definição de objectivos», onde se encontra, obviamente, «implementar», mas também «copiar», «cumprir», «comunicar», «expor», «promover» – mas onde faltam, por serem considerados não adequados, aprender, conhecer, compreender, entender, descobrir, gostar, inferir, julgar, pensar, perceber, perguntar, reflectir, saber. Enfim, grande parte daqueles que Tadeu mobiliza para tentar perceber (ups! Verbo inadequado!) o porquê de substituir trabalhadores por colaboradores.

Julgo, no entanto, que se trata de uma resposta provisória, enquanto não chegam os robôs. É que mesmo sem horário, sem sindicato, sem direitos, um colaborador pode sempre pôr-se a pensar. Vade retro!!!

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Cada macaco em seu galho



A «Postura» da Câmara Municipal de Lisboa data de 1950. O Artigo 8º é uma pérola:

«Quando não haja monta-cargas adequado ao transporte simultâneo de volumes e pessoas, será facultado o uso do ascensor aos serviçais que se dirijam a qualquer pavimento acima do segundo e desde que se apresentem decentemente vestidos e não transportem volumes que, pelas suas dimensões, peso e natureza, possam danificar a cabine ou impregná-la de cheiros incomodativos.» 
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Lido por aí (104)

A queda da França



A ler, na íntegra, um texto de Paul Krugman no New York Times.

Os parágrafos finais:

«A Europa precisa, desesperadamente, de um líder de uma das grandes economias – de uma que não esteja numa situação péssima –, que se levante e diga que a austeridade está a matar as perspectivas económicas do continente. Hollande podia e devia ter sido esse líder mas não é.

E se a economia europeia continuar estagnada ou piorar, o que acontecerá ao projecto europeu – esse esforço de longo prazo para assegurar a paz e a democracia através de uma prosperidade compartilhada? Com o fracasso da França, Hollande está a levar também a Europa, como um todo, ao fracasso – e ninguém sabe até que ponto isso pode vir a ser mau.»
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1.9.14

Ele aí está



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Uma luta por luz e por água



Convido-vos a utilizar 10 minutos do vosso tempo com a leitura de um texto de Vavá Oliveira no Passa/Palavra – Guiné-Bissau: uma luta por luz e água – a propósito da acção do «Movimento Luz e Água» (MLI) naquele país.

«Actualmente, o movimento está a trabalhar numa campanha por luz e água nos bairros de Bissau. A finalidade é levar à população o nosso manifesto. Para isso estamos a trabalhar nos bairros e liceus de Bissau. A nossa meta é fazer com que, a curto prazo, a EAGB [empresa pública de luz e água] se submeta ao controle social. A médio prazo, queremos criar dois conselhos nacionais de gestão democrática dos recursos naturais e outro de gestão da luz e água. E a longo prazo queremos que a EAGB seja completamente gerida pelo povo, pois assim nos garante a nossa constituição nos artigos 2 e 3. No art. 2, diz que o povo pode exercer o poder político directamente ou através de seus representantes. E no art. 3 diz que a cidadã ou cidadão têm o direito de participar na gestão pública. Nós queremos que isso seja respeitado.» – Ailton J.

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O MLI tem também em curso uma campanha de angariação de fundos para a reabilitação da estrutura física e a compra de materiais didácticos para a Escola Comunitária Bandim Bilá. Informações detalhadas AQUI.
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E quem criminalizaria?

A destruição foi socializada



«O Governo, educado pela troika e por alguns génios nacionais, acreditou que a "destruição criativa" de Schumpeter era a boa nova que deveria partilhar com os portugueses. Três anos depois o resultado está à vista, espelhado por este Orçamento Rectificativo.

A gloriosa "destruição criativa", cantada ao som do hino da União Europeia, transformou-se na "destruição destruidora". O PREC lançado pelo Governo e pela troika teve o efeito de "napalm": destruiu empresas, asfixiou o poder de compra dos portugueses com impostos e cortes de salários, aumentou brutalmente o desemprego e promoveu a emigração.

O modelo era um paraíso nas margens do Bangladesh: um país exportador com salários miseráveis. (...) Tudo correu ao contrário; nem a nossa economia se tornou um "tigre atlântico" baseada na exportação, nem o consumo interno deixou de animar os cofres do Estado. (...)

O Governo não é liberal: é estatista. Há mais Estado e mais amigos a comer da receita dos impostos dos portugueses. A destruição foi socializada. Os rendimentos foram entregues num condomínio privado. Já se sabia: a política portuguesa é a do mata-borrão. Quando a caneta rebenta, tenta-se remediar o que é possível. E o resto que seja o destino a definir.»

Fernando Sobral
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31.8.14

Lido por aí (103)

Sim, ele faz hoje anos



... e em 2015 serão 70. Muitos dos nossos «clássicos», aqueles que ainda por cá andam, estão a atingir provectas idades, mesmo que continuemos a imaginá-los com menos 30 ou até com menos 50 anos. Hoje é a vez de Sérgio Godinho chegar aos 69.

Inseparável de outros que, dentro ou fora do país, tanto nos ajudaram a usar a cantiga como arma antes do 25 de Abril, e como grito de vitória e de esperança depois, SG aí está, bem vivo, com um reportório precioso e uma mão cheia de canções que continuam tão actuais, e tão fortes, hoje como há décadas.

Algumas, inevitáveis:









Finalmente, com José Mário Branco, numa das canções desse extraordinário cd, de 2003, «O irmão do meio»:

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Vai uma aposta?



É o que acabará por acontecer. (Alô, Crimeia?)

Putin alude a um possível Estado no Leste da Ucrânia.
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O BES e os pobres



«Que interferência terá a actual crise do Banco Espírito Santo na vida das pessoas mais pobres que vivem em Portugal? Esta catástrofe financeira, obscura, escondida, cheia de mentiras e truques, caracterizada por fraudes, favorecimento de credores, falsificação de contas, gestão danosa, entre outros expedientes, vai agravar ainda mais as miseráveis condições de vida dos meus utentes.

As pessoas que vivem com insuficiência de recursos económicos e com grande dependência dos serviços sociais do Estado e das instituições particulares de solidariedade social não costumam ter conta no banco, não têm dinheiro para encher o frigorífico de alimentos, não têm dinheiro para comprar acções, não têm emprego. Não são accionistas, não são depositantes, não são clientes, não são funcionários do BES. São apenas beneficiários de Rendimento Social de Inserção, recebem 178 euros por mês. Se forem casados e tiverem três filhos, o valor do cheque pode chegar aos 350 euros. Uma fortuna, uma pipa de massa, expressão recentemente utilizada por Durão Barroso. (...)

Afinal quem mente, os pobres do RSI ou o governador do Banco de Portugal? Que mentiras provocam mais estragos ao país, as mentiras dos pobres ou as mentiras dos poderosos respeitáveis da alta finança? Afinal não existia no BES nenhuma almofada financeira para tapar os buracos do crédito malparado; afinal a crise no grupo sempre afectou o funcionamento do banco; foi necessário afastar da gestão do banco Ricardo Salgado; os testes de stress ao banco, afinal não provaram solidez financeira nenhuma. (...)

Há dinheiro para, sem qualquer tipo de garantia ou segurança, o Estado emprestar ao Fundo de Resolução 4400 milhões de euros para recapitalizar o BES.

Os banqueiros continuam a ter na mão o poder politico e, quando não têm o dinheiro dos depositantes nos seus cofres, têm o dinheiro dos contribuintes para os salvar de todas as irresponsabilidades e manobras gananciosas do capitalismo financeiro. Os pobres já pagaram a crise do BPN e vão pagar agora a crise do BES.»

José António Pinto
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