24.4.15

Alternativas: afinal existem



«Um grupo de 12 economistas fez, a pedido do PS, um conjunto de propostas económicas para os próximos quatro anos. (...)

Durante anos, ouvimos dizer que não existia alternativa. Confesso que, quando este Governo – e a comunicação social em geral – veio dizer que não havia alternativa, foi o maior desgosto que já tive desde que descobri que não existia Pai Natal. Sempre pensei que havia, algures por aí, uma alternativa escondida num bosque de cogumelos altos à espera de ser encontrada. Tinha razão. Afinal, havia outra. (...)

A alternativa é um animal com uma capacidade de multiplicação extraordinária, até em cativeiro, pois a este novo casal de alternativas, podemos, agora, juntar todas aquelas alternativas, que não eram alternativa, porque eram demasiado alternativas para um país que não tinha alternativa. Essas alternativas deixaram, assim, de ser demasiado alternativas, uma vez que passou a haver uma alternativa que as torna menos alternativas, se comparadas com a não existência de alternativa; que é agora, também, ela própria, apenas, mais uma alternativa. Fui claro? Claro.

Posto isto, percebe-se a reacção dos partidos da maioria e do Governo. Passar a ser apenas mais uma alternativa, onde antes eram lei, é uma despromoção que causa incómodo. Compreende-se que venham reagir antes de ler a proposta porque, para eles, a proposta não existe. Não pode existir, porque não há alternativa. Nem que a alternativa aparecesse em cima de uma árvore, tendo como testemunhas três pastorinhos, eles acreditavam na sua existência.»

João Quadros

23.4.15

Obrigada, C. M. de Lisboa



A minha conta da água, hoje recebida: x de consumo + 132% de 10 diferentes taxas = y.

E não se venha com o argumento de o IMI ser mais barato em Lisboa: nem toda a gente que toma banho é senhorio.
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Há 79 anos, o Tarrafal



A Colónia Penal do Tarrafal foi criada pelo Governo de Salazar ao abrigo do Decreto-Lei n.º 26. 539, de 23 de Abril de 1936.

No dia 29 de Outubro de 1936, chegaram os primeiros 153 deportados. Mais exactamente, desembarcaram no local onde eles próprios foram obrigados a construir o campo de concentração que os encarceraria. Durante a existência deste «Campo da Morte Lenta», por lá ficaram 32 vidas, 32 pessoas cujos corpos só foram transladados para o cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, em 1978.


Nunca esquecer!

P.S – Clicando na «Label» TARRAFAL, no fim deste post, encontrará neste blogue muitos textos relacionados com essa terrível realidade da nossa História. 
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Candidatos e mais candidatos!



Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje:

«É preciso explicar que, de acordo com a lei, podem ser candidatos à Presidência da República todos os cidadãos portugueses maiores de 35 anos, mas não convém que se candidatem todos ao mesmo tempo. (...)
O facto de a Presidência da República atrair cada vez mais candidatos apalermados é muito difícil de compreender.»

Na íntegra AQUI.
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Qualquer semelhança com a actual realidade é pura coincidência



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PS, PSD e CDS: o nosso triângulo das Bermudas?



«Em 1968, nos Jogos Olímpicos do México, Dick Fosbury venceu o salto em altura, saltando de costas. Estava inaugurada uma nova ideologia: o Fosbury Flop.

Uma década depois, a hegemonia estilhaçou-se: Vladimir Yashchenko venceu a prova com uma técnica que era encarada como extinta: a da rotação frontal. A política portuguesa vive, neste momento, o seu momento Fosbury Flop: qual é a melhor forma de ultrapassar a deprimente austeridade que destruiu a classe média e aniquilou a falsa segurança em que vivíamos, entre o Estado, a PT e o BES? PS, PSD e CDS, eterno triângulo das Bermudas onde se divide o poder e onde as esperanças dos portugueses são depositadas e se afogam, têm aparentes propostas diferentes para sair da crise. Mas todas elas vivem tementes da dívida, do défice e, sobretudo, do poder de Bruxelas. (...)

Portugal continua refém da dívida. E assiste cada vez mais ao estilhaçar de um Estado social onde a forma de sustentar a segurança social e as pensões é uma dor sem paliativos. Por isso, o jogo político à volta da TSU parece digna do Frankenstein da "desvalorização interna" que hoje se tornou a ideologia oficial do PSD e do PS. O que não deixa de ser fantástico. E que mostra como Portugal está refém da ideologia única de Bruxelas. Ganhe quem ganhar.»

Fernando Sobral
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22.4.15

O ovo de Colombo?


 
Daniel Oliveira, no Expresso diário de 22.04.2015.
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Dica (42)



Europe Should Protect People, Not Borders.

«It's possible that 20 years from now, courts or historians will be addressing this dark chapter. When that happens, it won't just be politicians in Brussels, Berlin and Paris who come under pressure. We the people will also have to answer uncomfortable questions about what we did to try to stop this barbarism that was committed in all our names.

The mass deaths of refugees at Europe's external borders are no accidents -- they are the direct result of European Union policies.»
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O PDF do PS – primeiras reacções (3)


«Onde é ideológico, mostra um entusiasmo pela soluções liberais para o “mercado de trabalho” que o PS nunca tinha expressado. 
Abandona a ideia do Estado estratego, reforça o primado do mercado nas escolhas sociais. Diz ao que vem. Onde é concreto, confirma essa ideologia:
  • Abandona qualquer ideia de reestruturação da dívida soberana, 
  • Ignora as sugestões anteriores do PS sobre a “leitura inteligente” do Tratado Orçamental e recusa uma intervenção para o corrigir ou ajustar, 
  • Ignora a questão da estabilidade e confiança no sistema de crédito e da consistência dos balanços dos bancos, 
  • Garante a continuidade das políticas de trabalho do governos das direitas, rejeitando a devolução de direitos retirados, 
  • Recusa a decisão do Tribunal Constitucional, adiando a reconstituição de salários e pensões, 
  • Propõe a redução do valor real das pensões em 8%, excepto das pensões mínimas, 
  • Indica o aumento da idade da reforma, de modo não especificado, 
  • Conduz à redução da remuneração média por trabalhador em 7%. 
  • Não define uma escolha sobre a privatização da TAP.»

Vamos fazer o que ainda não foi feito? (José M. Castro Caldas)
«Uma reestruturação, essa sim inteligente, da dívida permitiria aliviar a restrição orçamental não só para repor salários e pensões, mas para recuperar a administração pública da sangria de trabalhadores a que tem sido sujeita, estimular o investimento público e privado e criar emprego. A reestruturação permitiria respirar e crescer e até garantir um orçamento suficiente (isto é, não dependente do financiamento externo). Mas para isso era preciso um governo que não se limitasse a ir a Bruxelas, como o Governo tem feito e como o PS agora parece querer fazer, de braços caídos, conformado com o que parece ser uma armadilha de betão.» 
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O PDF do PS – primeiras reacções (2)



«Já sabíamos que a social-democracia europeia era uma corrente política em coma profundo – ou que já morreu e ninguém nos avisou. Através do chamado “consenso europeu” tem acumulado derrotas sobre derrotas político-ideológicas. Ontem, foi a vez do PS português nos mostrar a sua versão particular desta derrota: inventou uma liberalização de despedimentos, recuperou a Taxa Social Única e decidiu dar um pontapé na sustentabilidade da Segurança Social para as gerações futuras.» 
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As portas do Inferno da UE



«As portas do Inferno por onde Dante passa na "Divina Comédia" têm uma frase inscrita: "Deixai toda a esperança, vós que entrais". A União Europeia tem a sua própria porta do Inferno: é o mar Mediterrâneo. (...)

Os refugiados, fugidos da guerra e da morte, são hoje milhares. E amanhã serão milhões. Vindos do centro de África e não apenas da Líbia e da Síria. É isso que a aristocrática e flácida Europa é incapaz de perceber. Porque agora está perante um dilema insolúvel: por um lado quer limitar os emigrantes vindos de África (até com medo de terroristas), mas por outro a avalanche de refugiados será impossível de suster.

Não sendo um paraíso, a Europa representa a fuga à morte pela fome, pela falta de opções de vida e pelos grupos terroristas, do Estado Islâmico ao Boko Haram. Mas a catástrofe que estamos a ver é o fruto da política de Disneylândia mortal que a UE e a NATO aplicaram a África. Em nome da democracia desmantelaram os Estados que serviam de tampão, a Líbia e a Síria. Pela sua altivez nunca investiram na criação de riqueza e emprego nos países africanos, para que aí os seus povos pudessem viver em alguma harmonia. Pela sua idiotice permitiram a proliferação de grupos armados que hoje traficam seres humanos, destroem marcos de civilizações antigas, corroem estruturas de Estado e impedem a paz.

A UE cavou a sua própria sepultura. Porque os mortos que se irão continuar a acumular entre os desertos de África (porque aí morrem mais do que no Mediterrâneo) e o mar que foi da paz vão ser o inferno da Europa.»

Fernando Sobral

21.4.15

O PDF do PS – primeiras reacções


«Que dizer disto tudo, e de algumas medidas positivas aqui e ali, caso do simbólico imposto sucessório, ideal para colocar na lapela em Abril? Tudo pesado, trata-se do mais longo e rigoroso relatório de abandono da social-democracia jamais escrito no país, em linha com a aposta num euro que estará associado, também se depender da vontade do PS, a duas décadas perdidas para o país, mas ganhas para as privatizações que o PS no fundo prosseguirá.»

«Assim, seria bom que PSD, CDS e PS respondessem com clareza a uma questão: se após as eleições tiverem de escolher entre a criação de emprego e o cumprimento do Tratado Orçamental, como tudo indica que acontecerá, qual será a vossa escolha?»
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