14.8.15

No dia dela



... bem jeito por cá daria. Regressa, Padeira!
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14.08.1936 – Os massacres de Badajoz



Em 12 de Agosto de 1936, as tropas nacionalistas começaram o assalto a Badajoz, naquela que foi a luta mais dura desde o início da Guerra Civil. Quando a cidade se rendeu, todos os que tinham resistido foram levados para a praça de touros, ou para as imediações do cemitério, para serem executados ─ no dia 14 de Agosto de 1936. Não se conhece exactamente o número de mortos, que varia, segundo as fontes, entre 2.000 e quase 4.000.



Uma das primeiras testemunhas a chegar ao local foi Mário Neves, jornalista do Diário de Lisboa, citado em todos os relatos dos acontecimentos e que se ouve neste vídeo. Afirma ter tido a «visão mais dantesca da sua vida» e jurou não voltar.



O governo português foi cúmplice das tropas nacionalistas, tanto deixando que alguns dos seus elementos penetrassem no nosso território em perseguição aos republicanos, como colocando alguns destes na fronteira do Caia, de onde foram levados para Badajoz e executados. 
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Dica (114)




A Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública Grega apresentou as suas A Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública Grega apresentou as suas primeiras conclusões em Junho de 2015. É nesse quadro que Eric Toussaint, que coordena os trabalhos da comissão, resumiu em 17 de junho de 2015 os resultados, numa sessão pública no Parlamento helénico.
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O vazio nacional



«Por estes dias a política portuguesa resume-se à acção dos coladores de cartazes. Colocam novos para substituir os que ou usaram pessoas que não deram autorização para serem porta-vozes de um partido ou pessoas que talvez não saibam onde é Portugal apesar de opinaram sobre ele. (...) É certo que, nestes tempos de crise, a verdade é uma coisa impopular, mas a classe que deseja o poder deveria discutir coisas mais importantes do que cartazes. (...)

Notoriamente, é visível a bancarrota de ideias na política portuguesa, como se Portugal tivesse apenas de tentar não se molhar muito entre as gotas de chuva da crise europeia, a dívida brutal e o pagamento impossível desses compromissos sem pôr em causa qualquer melhoria das condições de vida dos portugueses nos próximos, e largos, anos. É certo que esta é a era do vazio ideológico e do colapso do pensamento. (...)

A questão é que, numa Europa que vai cavando a sua sepultura, temos à porta o capitalismo sem democracia (como na China ou na Rússia) e isso empolga muitas mentes. Afinal a democracia foi emprateleirada na Grécia com requintes selvagens e não pára, como se está a ver nas "reticências" alemãs ao acordo leonino com Tsipras. Em Portugal, a política perdeu autonomia para actuar em benefício do conjunto da sociedade e parece estar contente com isso. Ao mesmo tempo que parece diminuída pela corrupção e pela extinção do pensamento. O problema é que o vazio ocupou a política portuguesa. Nem sequer alternativas credíveis surgem no horizonte, nem que seja para agitar os ânimos, como sucede na Europa em todas as áreas políticas. Tudo se reconduz à qualidade e à autenticidade dos cartazes. Isso diz bem para onde caminhamos.»

Fernando Sobral
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13.8.15

13.08.1961 – Início da construção do muro de Berlim



E eis senão que, quando se pensava que a Europa tinha festejado o fim dos seus muros em 1989, se  erguem outros hoje, numa absurda e ineficaz tentativa de evitar que milhões de humanos procurem sobreviver.

Ruirão estes novos muros, como ruiu aquele que começou a ser construído há exactamente 54 anos.


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Desempregado: procura-se



Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje:

«Quando se descobriu que um cartaz do PS continha uma falsidade, fui tomado por um niilismo tão intenso que Nietzsche, junto de mim, é um incrédulo consumidor de time sharing. (...)
O PS poderia ter recorrido a uma pessoa cujo nível de vida desceu incontestavelmente durante a governação de Passos Coelho e reside agora num T0 em Évora.»

Na íntegra AQUI.
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Dica (113)




«Portugal is the EU country hit hardest by a Europe-wide demographic problem as falling fertility rates and ageing populations threaten economic growth and the provision of pension, public health and elderly care services.» 
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Uma Europa com interesses e sem ideias



«Há alguns anos alguém que detestava Silvio Berlusconi dizia dele: "Não tem ideias, só interesses." Da Europa pode dizer-se o contrário: só tem interesses e não tem ideias. E, acrescente-se, as que julga ter não são originais.

O novo resgate à Grécia apenas demonstra a bancarrota europeia: vai fingindo resolver os problemas enquanto vai atirando dinheiro, em vez de salva-vidas, para um país e um povo que se vai afogando no Mediterrâneo. O resgate esconde uma coisa: a verdadeira luta na Zona Euro está apenas a começar. Alexis Tsipras, para lá de todos os seus erros tácticos, demonstrou uma realidade: a Zona Euro não funciona segundo um sistema de regras mas na base de acordos de circunstância entre países. E a continuação deste sistema atabalhoado apenas vai semeando o nacionalismo em diversos países. (...)

Tendo encostado Tsipras à parede, Berlim e Bruxelas julgam ter controlado o caos. Mas esquecem que a casa europeia está mal construída e ameaça ruir. Os europeus não podem ter integração, democracia e soberania ao mesmo tempo. Teriam de abdicar da soberania para entrar no jogo comum de uma Europa dominada pelos mais poderosos. Não nos podemos admirar que foi nos extremos, sobretudo à direita, que mais se aplaudiu o gesto de Tsipras pela dignidade e pela soberania. Os nacionalistas, que poderão conquistar o poder em França, têm agora um exemplo para mostrar aos seus eleitorados: a UE é um palco para a humilhação e o empobrecimento dos povos.»

Fernando Sobral
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12.8.15

Importam-se de repetir?



«Imprensa alemã explica porquê: o FMI só entra no terceiro resgate se houver reestruturação da dívida grega, mas o governo de Merkel quer afastar essa exigência. Para isso, quer salvaguardar o FMI de eventuais perdas, mas serão os europeus a pagar caso corra mal.» 
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12.08.1963 – «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Mas seria esta frase, rebuscada bem no seu estilo, que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».



«Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e do Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem.»

Há aqui e aqui mais duas partes do discurso.

Nada disto deve ser esquecido: 1963 foi anteontem, há muito sangue que ainda nos corre nas veias. 
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Dica (112)



Sala de pânico 2.0 (Viriato Soromenho Marques) 

«Mesmo que Atenas declarasse agora bancarrota total, as perdas alemãs seriam inferiores em dez mil milhões aos ganhos já obtidos. (...) Por quantos mais anos poderá sobreviver uma união monetária em que os mais fortes beneficiam da desgraça dos mais frágeis? Por quanto tempo sobreviverá uma Europa governada pela propaganda, e não pela coragem de estar à altura da realidade?» 
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Um país em chamas



«Durante milhares de anos o homem tentou dominar o fogo. Mas nunca o conseguiu. O fogo pode ser purificador e regenerador, como foi sempre visto em muitas filosofias e religiões, mas a sua capacidade destruidora é arrasadora. (...) Enquanto a classe política nacional faz piruetas sobre o nada, o país volta a arder sem compromissos, indiferentes a governos estáveis e maioritários. (...)

Fica clara uma coisa: há anos que falamos na quantidade sempre reforçada dos meios de reacção ao fogos, mas apesar de se dizer que o problema é sempre da falta de prevenção, nada de concreto se faz. O fósforo continua sempre aceso à espera do momento propício, enquanto os responsáveis falam para marcar presença. Não há resposta política a sério, porque todos estão mais interessados na intriga lisboeta. Falta ordenamento do território, limpeza e fiscalização a sério das florestas, uma estrutura de combate eficaz onde a maioria são voluntários. Falta vontade de fazer. Em Lisboa todos ficam muito chocados com as imagens na televisão. Mas, no país real, fica o deserto total.»

Fernando Sobral
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