26.3.24

Esgotos

 


Estação de bombeamento de Crossness, sob as ruas de Londres, parte da reconstrução do sistema do esgoto da cidade. 1859-1865.
Construtor: William Webster.

Daqui.
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As direitas começam bem

 


Líderes do PSD e do Chega tinham combinado apoio, mas Aguiar Branco não foi eleito: só teve 89 votos a favor (134 votos brancos e 7 nulos).

P.S. 19:00 - A AD retirou a candidatura, nova reunião às 21h para apresentação de outras hipóteses pelos vários partidos.
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«O excedente orçamental»

 


Vieira Resurrected no Facebook.
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Eleições e coligações

 


«Como é sabido, com o nosso sistema eleitoral, a distribuição dos lugares de deputados depende muito da existência ou não de coligações pré-eleitorais. Com essa vantagem, a AD ganhou, embora por pouco, as legislativas de 10 de março. Mas com os dados apurados é agora possível compreender qual teria sido a distribuição dos mandatos se tivessem existido outras coligações pré-eleitorais, tanto à esquerda como à direita. É o resultado deste exercício que aqui se apresenta no gráfico com a distribuição atual de mandatos no círculo de dentro e com a que resultaria de potenciais coligações no círculo de fora.

Se a "Esquerda + Verde" (PS+BE+CDU+Livre+PAN) tivesse concorrido coligada e obtido o mesmo número de votos, o número de mandatos conquistados teria aumentado dos actuais 92 (78+5+4+4+1) para 106, resultando na diminuição de uma potencial coligação de centro-direita (AD+IL) dos atuais 88 (80+8) para 84 mandatos e numa redução ainda mais significativa do Chega, que teria obtido 40 em vez dos 50 mandatos.

Na verdade, o reforço da representação parlamentar da "Esquerda + Verde" não teria, no entanto, sido suficiente para atingir a maioria absoluta, ficando ainda a 10 mandatos de distância. No entanto, com os mesmos votos, os papéis teriam ficado trocados.

Teria sido naturalmente Pedro Nuno Santos o indigitado para a formação de governo e seria a Luís Montenegro que se pediria que, em nome da estabilidade, viabilizasse um programa da "Esquerda + Verde" e os seus orçamentos. E se, como noutros países, a maioria relativa fosse suficiente, não seria mesmo necessário pedir a Luís Montenegro, como agora se pede a Pedro Nuno Santos, esse exercício de responsabilidade.

De qualquer forma, é claro que a existência de coligações pré-eleitorais pode fazer a diferença. Fez a diferença nestas eleições com a vitória da AD. E espero que também a possa fazer no futuro para uma "Esquerda + Verde".»

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25.3.24

Tinteiros

 


Tinteiro Jugendstil banhado a prata, em forma de coruja estilizada com olhos de vidro. 1906.
WMF, Alemanha.

Daqui.
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Viabilizar o governo da AD?

 


«A coligação vencedora propõe-se fazer crescer a despesa pública por diversas vias (aumento dos salários e revisões das carreiras da função pública, aumento do Complemento Solidário para Idosos, criação de um Suplemento Remunerativo Solidário, universalização do acesso a creches, aumento das dotações orçamentais em diferentes áreas de governação), ao mesmo tempo que pretende diminuir a receita fiscal (baixa geral do IRS, redução progressiva do IRC, isenção de impostos e contribuições para prémios de produtividade), prometendo mesmo assim continuar a reduzir a bom ritmo a dívida pública sobre o PIB. A AD diz que tudo isto será possível porque as suas políticas vão pôr a economia portuguesa a crescer muito acima do que é esperado. Talvez seja pedir demasiado aos partidos da oposição que validem fantasias milagrosas.»

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24.03.1976 – Argentina: os «desaparecidos»

 


Jorge Vileda explica porque «desapareceram» milhares de pessoas:


Eduardo Galeano, Los Hijos de los Dias.
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O caso Fernando Medina

 


«Comecemos pelo princípio: Fernando Medina perdeu as eleições contra Carlos Moedas num domingo que foi inesquecível. As sondagens indicavam uma vitória segura de Medina e ninguém estava preparado para aquele resultado, a começar pelo próprio Carlos Moedas. Os eleitores de esquerda não estavam muito conscientes de que nas autárquicas não existem coligações pós-eleitorais possíveis para ganhar o executivo. O caso de última hora de Margarida Martins em Arroios também ajudou. Medina perdeu por pouco, mas perdeu. Sabe Deus que se as eleições se tivessem repetido no dia seguinte Medina ganharia.

Foi um dos melhores presidentes de câmara que já passaram por Lisboa e não me esqueço que António Costa consta da lista. Falhas e erros existiram, mas foi tão bom que permitiu que a história de Carlos Moedas enquanto presidente de câmara se possa resumir a fazer marketing e comunicação.

Na serra algarvia diz-se: “Pais fuções, filhos barões.” “Fução” é uma palavra que não existe na língua portuguesa, mas muito importante na serra. Significa trabalhador obstinado. Carlos Moedas é o filho barão do pai fução Fernando Medina. Vive descontraidamente dos rendimentos do património construído pelo seu antecessor. Não precisa de fazer muito. Inaugura obras e projetos que Fernando Medina deixou começados, projetados, com os concursos públicos lançados e alguns com financiamento já assegurado (como o plano de drenagem da cidade).

Pelo caminho, ainda deixou na gaveta projetos fundamentais para a estrutura ecológica da cidade, como o Vale de Alcântara ou o Vale do Forno, que concretizavam a visão de Ribeiro Telles para Lisboa, que Sá Fernandes quase concluiu. Para a gaveta foram também vários projetos de habitação acessível. Não construiu ciclovias e ainda acabou com a da Avenida de Berna. Privilegia os carros e revela uma visão retrógrada de cidade. Mas tudo passa de fininho. Moedas sabe investir e inovar na sua própria propaganda enquanto explora um legado que lhe permite disfarçar um vácuo total nas políticas da cidade.

E eis que agora pode repetir-se a proeza.

Não fui a maior adepta da lógica de contas certas seguida por Fernando Medina enquanto ministro das Finanças. Mas é certo que o seu trabalho foi notável e que existe um excedente orçamental histórico. E qual é o resultado disto? É que novamente será a direita a fazer um brilharete às custas da sua herança.

Medina deixa a Luís Montenegro os meios para, por exemplo, satisfazer as reivindicações das classes profissionais a que o Governo de António Costa não cedeu. Porque não cedeu? Em nome de uma lógica governativa de gestão rigorosa, precisamente a que possibilitou gerar este excedente. Montenegro poderá colher os frutos dessa gestão e fazer a parte simpática: dar os aumentos que todos exigem legitimamente. E inverte-se assim aquilo de que as governações socialistas têm sido acusadas: de deixar o país em maus lençóis ou, como a direita gosta de dizer, em bancarrota.

Fica aberta uma brecha para Montenegro arrancar com uma governação em que a direita faz as pazes com funcionários públicos e sectores profissionais ressentidos. Esse arranque poderá garantir a Montenegro a sua reeleição caso não leve o seu mandato até ao fim, como é altamente previsível.

Viver em democracia e num sistema em que os governantes têm mandatos curtos de quatro ou cinco anos é uma conquista. Nunca se pensou em nada melhor, pelo menos melhor para as pessoas. Mas nada é perfeito. Este sistema democrático desmotiva os políticos a tomarem decisões e a fazerem políticas cujos impactos apenas se façam sentir findos os seus mandatos. É preciso ganhar eleições. Os cálculos são feitos de forma a deixar a parte da distribuição de riqueza e aumento da despesa para o final dos mandatos. Não costuma falhar.

Claro que, desta vez, trocaram as voltas a Fernando Medina. Num governo de maioria absoluta fazia sentido que contasse levar o mandato até ao fim. Haveria tempo, e mais importante: dinheiro, para distribuir numa segunda fase que não chegou a acontecer.

Não pretendo avaliar se acabei de escrever um elogio ou uma crítica a Fernando Medina. Como elogio, digo que é um dos políticos mais preparados e competentes que temos. Por onde passa os celeiros transbordam. Como crítica, digo que Medina melhorou o país, mas não melhorou a vida das pessoas. Uso as palavras que Montenegro usou para elogiar Passos Coelho. É justo. Montenegro é o filho barão que se segue.»

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24.3.24

Jornalistas

 

«Imaginemos 24 horas sem jornalistas em todo o mundo.

É um enredo para um livro distópico de terror.

Em 24 horas, todos estariam livres, humanos e máquinas, para produzir milhões de bytes de informação falsa ou até eventualmente verdadeira, mas não haveria ninguém para as distinguir. Nenhum órgão de comunicação social estaria em funcionamento para nos acalmar sobre as prováveis notícias loucas, alarmistas e falsas que circulariam.

E se não fossem 24 horas, mas uma semana de ausência total de jornalistas? Ou um mês? Ou um ano?

Nesse período, facilmente com notícias falsas indistinguíveis das verdadeiras, se escalariam ódios em relação a certas minorias, ou populações determinadas, e em relação a certas pessoas; poderiam circular notícias de tempestades iminentes na nossa cidade, notícias de assaltos numa certa zona da cidade; em suma, seria um caos total e uma desconfiança absoluta: o que será que está a acontecer? Ninguém saberia responder.

Poderíamos, então, fazer um livro de ficção com a premissa: e nesse dia acabaram os jornalistas em todo o mundo. E veríamos que esse livro de ficção descreveria a seguir um mundo em que ninguém saberia o que estava verdadeiramente a acontecer e que por isso seria gradualmente caótico, uma distopia que terminaria numa guerra civil generalizada. Porém, evidentemente, nunca saberíamos se essa guerra civil teria mesmo acontecido ou se seria apenas uma falsa informação.»

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Santo país dos três FFF


 

Só falta um! Não se arranja por aí um fadista?

Daqui.
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Alfredo Cunha, 25 de Abril (13)

 


«Amigos

A partir de agora, recomeço a publicar, na medida do possível, fotografias relativas ao livro "25 de Abril de 1974, Quinta feira". Espero que gostem tanto como eu gostei de o fazer.»

Alfredo Cunha no Facebook.
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Um PS acha que “há vida para lá do excedente”, o outro PS não

 


«A frase politicamente mais interessante deste sábado foi a do presidente do PS, Carlos César, a falar como “se não fosse presidente do PS”, uma vez que sendo, como é, presidente do PS, a declaração que decidiu fazer à entrada para a comissão nacional do partido é partidariamente incorrecta: “Espero que o excedente [orçamental] não seja um excesso.”

A alegada “esperança” de César é quase uma declaração de guerra ao passado governativo do PS. E tem um subtexto: a teimosia do Governo Costa em não resolver problemas sociais, como os de várias carreiras da Função Pública, professores, polícias, Serviço Nacional de Saúde, para não gastar o “ouro do Banco de Portugal”, pode muito bem ter custado as eleições ao PS.

Vamos a ficar a saber a percentagem exacta do excedente orçamental esta segunda-feira, mas o Banco de Portugal já diz que será de 1,1%, um valor superior à percentagem “excedentária” de 0,8% para que o Governo apontou. É provável que o número se confirme ou venha a ser superior e então o excedente é capaz mesmo de se revelar “um excesso”. É provável que nesse “excesso”, e nas inúmeras classes zangadas (com razão) com o Governo e com os serviços públicos, se possa explicar uma parte da votação no Chega.

Se é um facto que a votação no Chega torna absolutamente inequívoca a vitória da direita, a votação na AD não corresponde de todo à euforia que por estes dias se vive nas hostes sociais-democratas e centristas. Obviamente, ganharam. Mas o facto de o PSD vir a ter na Assembleia o mesmo número de deputados que o PS não é um cenário que possa deixar os sociais-democratas despreocupados com o futuro.

Segundo os dados finais das eleições, agora publicados, a coligação alcançou a vitória pela margem mais curta de sempre. O partido do primeiro-ministro elegeu o mesmo número de deputados que o partido do líder da oposição – 78. Só dois deputados do CDS perfazem a maioria que permitiu a Montenegro ser esta semana indigitado primeiro-ministro. A diferença de votos entre PS e AD é de uns minimais 54 mil votos. Claro que por um voto se ganha e por um voto se perde – mas isto obriga a que, depois do desgaste de oito anos de Governo PS, PSD e CDS não se iludam com a euforia do regresso ao poder e façam uma reflexão tão séria como aquela a que o PS está, neste momento, obrigado.

A verdade é que na campanha do PS, Pedro Nuno Santos abraçou todo o legado, incluindo o excedente. Apesar de ser opositor de António Costa e de Fernando Medina nesta questão da utilização das margens orçamentais, só muito sibilinamente o ia dizendo em público. A súbita demissão de António Costa – por causa do dinheiro encontrado na sala do chefe de gabinete e do famoso parágrafo do comunicado da PGR – obrigava a uma rápida união do PS, o que podia não ser fácil.

Na campanha, o Pedro Nuno Santos que muitas vezes foi contra a linha oficial do partido sumiu e deu lugar a uma figura deslocada, com extrema necessidade de defender todo o legado (repetiu milhões de vezes o mantra das contas certas) e minimizar as diferenças. Pode-se fazer o raciocínio oposto: teria o PS ainda menos votos se não abraçasse como abraçou o “legado”? Não descartar.

Mas a verdade (e eleições à parte) é que, dentro do PS, o legado dos excedentes orçamentais – em detrimento da solução dos problemas das pessoas – já começa a ser fortemente questionado. A declaração de César, que é hoje o principal conselheiro de Pedro Nuno Santos, é disso prova. Só faltou ao presidente do PS recuperar um slogan velhinho, de há quase 30 anos, de António Guterres quando combatia Cavaco Silva: “As pessoas primeiro.” »

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