14.1.26

Os “inimigos figadais” apoiam Seguro

 


«Gouveia e Melo estava desalentado em Alcobaça – era um homem quase traído – quando afirmou não perceber como é que muitos socialistas que não apoiaram inicialmente Seguro (ou eram mesmo “inimigos figadais”, como disse) estão agora a defender o voto no antigo secretário-geral do PS.

Ainda não sabia, quando acusou todas essas personalidades do PS de serem “cínicas”, de que Carlos César, o presidente do PS, iria anunciar o seu apoio pessoal a António José Seguro.

Entre os vários erros que Gouveia e Melo cometeu nesta campanha, um deles foi achar que, com a sua indefinição política, (“nem de esquerda nem de direita”) iria tornar-se no “candidato do campo político do PS”, como chegou a dizer no debate com Seguro.

No PS há “inimigos figadais”, sim. E muitos não queriam Seguro candidato, que foi pintado com as cores do inferno. Aconteceu o mesmo com Jorge Sampaio. Seguro avançou sozinho e ninguém mais quis avançar.

A sondagem do PÚBLICO/RTP/Católica mostra que Gouveia e Melo não está a conseguir captar o eleitorado que votou PS, tal como disse que iria fazer. Jorge Sampaio estava cheio de “inimigos figads” no PS e por isso avançou sozinho. O PS é, nestas coisas, diferente do PSD, que apaga os “inimigos figadais” das listas de deputados, consoante o líder de turno. O “inimigo figadal” de Seguro, António Costa, incluiu seguristas nos seus governos. Alguém não explicou bem ao almirante como funciona o PS.»


13.1.26

Vinícius

 


Catarina

 


Irão: como se vai sair da crise que o país atravessa?

 



E você, já escolheu que comentador quer ver em Belém?

 


«Para mal dos que andam na estrada a trabalhar para chegar ao lugar mais alto do serviço público em Portugal, o comentariado já decidiu: os candidatos são todos fracos e é por isso que não dá para adivinhar quem, dos cinco das sondagens, vai à segunda volta. É certo que nenhum liderou uma ação militar para impedir um golpe, como calhou de acontecer a Ramalho Eanes. Nem tinham idade para estar na oposição ao Estado Novo e na transição para a Democracia, como fez questão de estar Mário Soares. De igual forma, nem todos podem ser como Jorge Sampaio na defesa dos direitos humanos, com um trabalho notável em defesa da autodeterminação de Timor-Leste. Nem sequer, tendo aparecido com a democracia em andamento, tiveram a sorte de estar no sítio certo à hora certa, como Cavaco ilva no congresso da Figueira da Foz. E também é certo que ninguém passou de afilhado do anterior regime a político dos afetos, como Marcelo, tendo estado na Constituinte e tendo-se afirmado como o comentador-mor do atual regime.

Dito isto, temos de assumir que nada é o que era: nem os candidatos, nem os comentadores, nem os jornalistas. Dá-se o caso de até a maioria dos eleitores já não serem os mesmos. O país é como o resto do mundo e acontece-lhe andar para trás, perdendo qualidades, quando lhe parece estar a evoluir em direção ao futuro. É pouco provável que seja uma responsabilidade geracional. Afinal de contas, chegámos aqui porque as gerações mais velhas (onde me incluo) não fizeram bem o trabalho de casa.

Quero acreditar que já aí andam os grandes políticos, os grandes pensadores, os grandes ativistas que um dia nos vão ajudar a progredir até à humanidade que fomos perdendo pelo caminho. É uma questão de tempo: ainda vai ser preciso tudo ficar um bocadinho pior para que a maioria das pessoas queira ouvir os grandes homens e as grandes mulheres, desligando do enxame de influencers. E mesmo — porque não dizê-lo, como disse Francisco Pinto Balsemão — livrando-se da infestação de comentadores.

A julgar pelo que tem sido esta campanha, tudo isso está ainda muito longe de acontecer. Os oito candidatos da primeira divisão — o almirante que se fez importante e os sete dos partidos com assento parlamentar — estão transformados em comentadores da atualidade. Não há onda que bata na areia, fazendo a espuma dos dias, que não mereça comentário dos putativos presidentes. Deve ser contágio do atual inquilino do Palácio de Belém. Eu percebo a comunicação social, liderada pelos canais televisivos, que vê um maná neste modelo de campanha. A cada polémica, oito comentadores - já bem promovidos por 28 debates - disponíveis para alimentar um dia de televisão. Saltam do voto útil para o direito internacional e a Venezuela; da roupa suja de uns e de outros para os doentes que morrem à espera de ambulância; e até dão palpites sobre quem apoiaria hoje em dia um primeiro-ministro que morreu fez, no mês passado, 45 anos.

Como se tudo isso não chegasse, os candidatos vivem, eles e todos nós que fazemos profissionalmente parte desta campanha, viciados numa tracking poll que mais parece informação do jogo online para determinar as probabilidades e levar os eleitores a fazer a sua aposta. As sondagens, para lá do retrato do momento e da informação sobre as tendências, sempre tiveram algum impacto sobre a decisão do voto daqueles que esperam até ao último momento, principalmente quando há muito voto útil, mas temo que desta vez estejam já a contaminar as campanhas. A forma errática dos candidatos de cima ou é puro amadorismo ou é nervosismo com o que as pesquisas de continuidade. Tendo, por exemplo, Marques Mendes, não se pode dizer que seja falta de experiência.

E você, já escolheu que comentador quer ver a ocupar o Palácio de Belém? O que não faltam são candidatos.»


12.1.26

Nisto, somos Ronaldos

 


«A comparação com outros países europeus mostra que Portugal era o país da Europa com o maior excesso de mortalidade. De acordo com dados da rede EuroMOMO, na semana 52 de 2025, a última do ano, registava-se um excesso de mortalidade “muito elevado” quando nos restantes países já nem sequer se verifica uma situação de excesso de óbitos. (…)

Para Bernardo Gomes, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, este ciclo longo de excesso de mortalidade acaba por não ser surpreendente, dadas as condições reunidas — baixas temperaturas, a estirpe gripal em circulação e uma população envelhecida, num país onde persistem carências habitacionais e pobreza energética, que intensificam o risco durante períodos de frio intenso e circulação de vírus respiratórios.»


Votómetro do Expresso – Divirtam-se

 


Está AQUI.

Caixadòclos

 




Marques Mendes: revelação, desespero e... queda?

 


«Foi a fraqueza dos principais candidatos que determinou esta fragmentação nos votos e uma quase total imprevisibilidade nos resultados. Houvesse, à esquerda e à direita, candidatos agregadores, e estaríamos a caminhar, nesta campanha, para uma concentração de votos em quem, em cada campo político, tivesse capacidade de chegar a uma segunda volta que, com o espaço ocupado por André Ventura e a extrema-direita, seria sempre inevitável.

À direita, aconteceu exatamente o oposto. O espaço político e mediático da direita liberal achou que Marques Mendes repetiria o fenómeno Marcelo. O palco televisivo foi fundamental para o atual Presidente, mas Marcelo era popular porque era Marcelo. As televisões não inventam presidentes. Marques Mendes nunca teve o estatuto intelectual, o magnetismo pessoal, a excentricidade emocional e a densidade política de Rebelo de Sousa, Presidente de que fui e sou crítico e que até considero, em parte, responsável pelo momento que estamos a viver. Mendes é uma personagem plana, que durante uma década se dedicou a um comentário pedagogicamente eficaz, mas com pouquíssimo rasgo. Houve, como acontece frequentemente, uma confusão entre notoriedade e popularidade. Não é o último e não será o primeiro político a esbarrar com os limites do poder da televisão.

Estando, apesar de tudo, consciente dos limites da sua popularidade, Marques Mendes tomou a decisão certa – concentrar-se no eleitorado da AD, suficiente para o levar à segunda volta, para só depois trabalhar no voto útil. Só que Gouveia e Melo estragou-lhe os planos. O ataque que lhe fez, que costuma vir de candidatos sem ambições maiores, teve um efeito mais poderoso do que eu próprio supunha. Porque revelou um Marques Mendes que o mundo mediático e político conhece e, por isso, já enquadrou e relativizou, mas que era absolutamente desconhecido do eleitorado – o lobista.

Para a generalidade dos eleitores, Marques Mendes era um ex-lider do PSD, advogado e comentador. Fora isso, nada sabiam sobre ele. Porque, verdade seja dita, as pessoas não querem saber mais do que as opiniões de quem opina. Quando quem opina quer ser eleito (e estas foram as primeiras eleições a que Marques Mendes concorreu), as coisas mudam. E o problema de ser um lobista não é legal ou ético. É político. É verdade que os portugueses relevaram a Spinumviva (um caso com contornos éticos realmente graves) a Montenegro. Mas Montenegro já era primeiro-ministro e uma maior severidade teria um preço político. Marques Mendes só é candidato. Há outros para escolher.

Atarantado com o ataque, incapaz de reescrever o seu próprio currículo, Marques Mendes agarrou-se ainda mais a Montenegro. E o que era a medida certa de proximidade passou a descarada subserviência. Até a ministra da Saúde, que se mantém no cargo para não queimar mais ninguém numa pasta em que o Governo não tem soluções, teve direito à sua proteção, responsabilizando pelo que acontece no SNS um diretor executivo que ela escolheu depois de afastar gente competente. Como disse a demissionária chefe de enfermagem da ULS Amadora-Sintra, uma ministra que resolve todos os problemas demitindo pessoas fica no lugar porque não é demitindo ministros que os problemas se resolvem.

Tenho dúvidas de que mesmo o eleitorado da AD queira um Presidente adjunto, incapaz de fazer pressão sobre um governo que domina as autarquias e os governos regionais e tem conseguido amansar a imprensa pública e privada, mostrado crescentes sinais de autossuficiência e arrogância. Não sendo absoluta (teve uma excepção com Jorge Sampaio, em 1996, depois de uma década de poder total do cavaquismo), a teoria dos ovos distribuídos por cestos continua a ser válida. Os portugueses tendem a apreciar esta ligeira dispersão de poder, que cria atrito sem bloquear. Muita coisa mudou. Veremos se isto também.

O aparente crescimento de Cotrim e de Seguro parece resultar do esvaziar do espaço de Marques Mendes. Não sei se será suficiente para tirar o candidato da AD da corrida. Não sei, no caso do candidato liberal, se é sequer tão significativo como surge em sondagens cuja metodologia impõe algum desvio social e etário. Sei que Marques Mendes não se preparou para justificar a forma como fez render a sua existência política. E isso diz alguma coisa sobre a sua própria fragilidade. Veremos se saltar para o colo do Governo chega para compensar. No passado, com governos bem mais populares (com maioria absoluta), não chegou. Os eleitores de direita podem preferir um Presidente colaborante, mas autónomo.

A questão é se, numa segunda volta, o radicalismo doutrinário de Cotrim não deixa este espaço num canto político. O centro prefere Seguro a Cotrim e não sei se toda a esquerda escolhe Cotrim contra Ventura. Seja como for, a divisão do eleitorado da AD deu uma inesperada esperança à esquerda.»


Uma imagem

 


11.1.26

Um pouco de humor em tarde de chumbo

 


Catarina

 


«"Amanhã e no próximo domingo esqueçam os candidatos do costume. Votem pela esperança de quem trabalha, votem por quem faz este país", afirmou a candidata apoiada pelo BE num discurso durante um almoço na cantina do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

Perante cerca de 400 pessoas, no maior evento da campanha até ao momento, Catarina Martins definiu-se como a candidata que levará a força a Belém e que mostrará ao país "as lutas que os candidatos do costume querem esconder". "É esse o futuro que eu quero representar", disse, deixando críticas aos candidatos da direita.»