15.10.10

Esclarecido o mistério das ostras


O povo caiu de espanto com uma notícia ontem divulgada por muitos órgãos de comunicação social: entre os produtos cujo IVA vai subir de 13 para 23% estarão conservas de vários tipos, como carne, miudezas e moluscos, com excepção das ostras, frutos e produtos hortícolas.

Adiantavam-se palpites, procuravam-se nomes sonantes de donos de conserveiros, tentava-se identificar valores nutritivos, até agora desconhecidos, nesse manjar onde no passado só era esperado encontrar pérolas.

Mas afinal, apenas e uma vez mais, jornalismo apressado que uma simples pesquisa no Google poderia ter corrigido: as conservas de ostras não sobem para o escalão máximo de IVA porque… já lá estão! Basta ler atentamente…
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Vivó o OE2011!!!

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14.10.10

E a China vai mexendo…


Um grupo de 23 antigos dirigentes do Partido Comunista chinês, que inclui um secretário pessoal de Mao Tsé-Tung, escreveu uma carta aberta ao governo em que pede uma série de reformas políticas, nomeadamente o fim da censura à liberdade de expressão. Preparado antes de ser conhecida a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo, este importante documento foi rapidamente retirado de vários sites da internet pelas autoridades do país, mas foi obviamente divulgado fora da China e pode ser lido na íntegra, em inglês.

Alguns excertos:
«We have for 61 years "served as master" in the name of the citizens of the People's Republic of China. But the freedom of speech and of the press we now enjoy is inferior even to that of Hong Kong before its return to Chinese sovereignty, to that entrusted to the residents of a colony. (…)

When our country was founded in 1949, our people cried that they had been liberated, that they were not their own masters. Mao Zedong said that "from this moment, the people of China have stood". But even today, 61 years after the founding of our nation, after 30 years of opening and reform, we have not yet attained freedom of speech and freedom of the press to the degree enjoyed by the people of Hong Kong under colonial rule. (…) For our nation to advertise itself as having "socialist democracy" with Chinese characteristics is such an embarrassment.

Not only the average citizen, but even the most senior leaders of the Communist party have no freedom of speech or press. (…)

Our core demand is that the system of censorship be dismantled in favour of a system of legal responsibility.»
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Barroso, às vezes Durão


«Fico sempre muito sensibilizado com as preocupações que José Manuel Barroso demonstra em relação aos problemas do governo de Portugal e suas urgências. Tenho mesmo a certeza que daqui a 5 anos ele estará entre nós para recuperar o nacional-til (caso ainda o haja nesta era informática) na grande e gloriosa campanha presidencial da altura... »

(Roubado, ao José Medeiros Ferreira, título incluído)
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Nos bastidores das eleições brasileiras – o caso de Cesare Battisti


Somos inundados por notícias sobre os grandes protagonistas da campanha eleitoral no Brasil, sondagens e debates vencidos por uns e perdidos por outros, mas nada sabemos sobre histórias de vida complexas que dela dependem e que agitam neste momento uma parte da sociedade brasileira, como a de Cesare Battisti, escritor italiano, antigo membro de um grupo de luta armada, muito activo nos últimos anos da década de 70.

Embora se tenha declarado inocente, foi condenado a prisão perpétua em 1987 por vários crimes que lhe foram atribuídos, partiu a tempo para França e depois para o México, regressando mais tarde a Paris onde viveu e trabalhou. Acabou por ter de fugir para o Brasil antes que se concretizasse a decisão do Conselho de Estado francês que autorizou a sua extradição, na sequência de um terceiro pedido feito por Itália (depois dos dois primeiros terem sido recusados). A mesma solicitação viria a ser feita ao Brasil, onde Battisti foi preso preventivamente em 2007, e o seu caso está agora dependente do desenrolar da ponta final da campanha eleitoral brasileira e, ainda mais, do seu desfecho.

Desenvolve-se por isso, neste momento, um conjunto de acções com o objectivo de chamar a atenção para Battisti, a nível brasileiro e mundial, como se pode ver neste cartaz.

No Passa-Palavra, um dossier muito completo que ajuda a compreender a situação e tudo o que a rodeia.
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As Cidades e as Praças (18)



Praça da Constituição, Santiago do Chile (2003)

(Mas hoje!)
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13.10.10

Detalhes, em Atacama


À margem da alegria pelo sucesso que o resgate dos mineiros tem registado até ao momento, um fait divers absolutamente anedótico: alguns representantes de três agremiações religiosas (chamemo-las assim..) – Evangélica, Adventista e Católica – terão reivindicado créditos pela intervenção divina nos acontecimentos, rivalizando entre si.

«Deus falou claramente comigo e guiou-me em cada passo do resgate», disse um deles. «Quis que os mineiros fossem resgatados e eu sou o seu instrumento.» E assim por diante. Enfim…

O que parece também ter acontecido – e isso já se entende, e de que maneira - é que alguns dos 33 mineiros, não crentes até ao acidente, se terão agarrado a uma qualquer forma de fé quando se viram encurralados a 700 metros de profundidade.


(Via Artur Neves no Facebook)
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Jerónimo e a China


Acontecimentos dos últimos dias trouxeram para a boca de cena dois países que se consideram na rota certa para a construção do verdadeiro socialismo, bem como reacções aos mesmos um pouco por todo o mundo.Estou a pensar, obviamente, nas comemorações do 65º aniversário da fundação do Partido Comunista norte-coreano, em que «debutou» publicamente o sucessor de Kim Jong-il, e a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo.

O carácter dinástico do primeiro foi amplamente comentado, bem como o militarismo exacerbado e tenebroso do respectivo desfile militar. (Entretanto, ocorreu no Vietname a celebração do 1000º aniversário de Hanói, também musculado mas menos espectacular.)

Mas «o caso» da semana foi certamente o Nobel da Paz e eu nem sequer voltaria ao assunto, não se tivesse dado o caso de, ontem à noite, em desespero de zapping para fugir à quarta hora sobre futebol, ter ido parar à TVI24, onde Constança Cunha e Sá se preparava para entrevistar Jerónimo de Sousa.

Durante quase nove minutos (os primeiros), a jornalista tentou, nem sei quantas vezes e com as mais variadas formulações, que o secretário-geral do PCP dissesse se condenava, ou não, a existência de presos políticos como Liu Xiaobo. Não conseguiu. O diálogo era mais ou menos como se nos perguntassem se hoje está Sol e respondêssemos sempre: «Choveu muito a semana passada.». Absolutamente impressionante!

A persistência da entrevistadora foi tão grande que cheguei a ter esperança que Jerónimo de Sousa perdesse a cabeça e lhe dissesse que sim, que aprovava aquela e todas as outras prisões em tudo o que tem a etiqueta de comunista, as actuais e as do tempo da URSS, Tiananmen e até os gulags. Eu respiraria fundo e aplaudiria de pé, mas claro que não aconteceu.

Paredes de vidro? Aquilo é muralha de aço.
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Do Alentejo para Atacama

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Uma enorme Havana!


Em Portugal, um milhão de prédios precisa de reabilitação.
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12.10.10

As Cidades e as Praças (17)


Praça Austurvöllur, Reykjavik (1987)

(Ah, pois...)
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Actualizar ou democratizar


«Actualmente, cualquier medida gubernamental dirigida al aumento de la producción y la productividad, dictada desde la mentalidad totalitaria, está condenada al fracaso. Si la ampliación del trabajo por cuenta propia tiene como objetivo brindar empleo a una parte del millón y medio de trabajadores que serán desempleados, además de generar producciones y servicios que el Estado es incapaz de crear, entonces el listado de 178 actividades permitidas habría que anularlo y, en su lugar, definir solamente las pocas actividades no permitidas. De lo demás se ocupará la iniciativa ciudadana. (…)

Apesar de las declaraciones acerca de “cambiar todo lo que sea necesario cambiar”, las ataduras ideológicas y la responsabilidad e intereses contraídos durante más de medio siglo actúan como impedimento para que el castrismo enfrente con la voluntad política necesaria los cambios estructurales que nuestra realidad exige.(...)

Se trata de un proceso que, si bien el sujeto inicial lo que busca es la conservación del poder, la evolución de esos mismos cambios limitados podrían conducir a la verdadera democratización de Cuba. (…) El asunto no es oponerse a la actualización, sino convertirla en un paso hacia los cambios integrales y la democratización del país.»
(realce meu)

Dimas Castellanos, Actualización versus cambios integrales
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