30.4.13

Até quando gasparemos?

Contra a criação de editorias únicas da Rádio e da Televisão públicas


«Isto não diz apenas respeito aos jornalistas da RTP/RDP. A fusão das editorias contribui para a diminuição do pluralismo informativo, a redução do número de jornalistas contribui para a degradação da qualidade informativa. E o jornalismo é indispensável à democracia.» (Diana Andringa) 




COMUNICADO DO SINDICATO DOS JORNALISTAS:

SJ contra editorias únicas da rádio e da televisão públicas

1. Termina na próxima sexta-feira, dia 3 de Maio, o prazo para os jornalistas ao serviço da rádio e da televisão públicas manifestarem a sua oposição às ordens de serviço 25 e 28, do Conselho de Administração da RTP, que alteram seriamente a sua relação de trabalho, são vias directas para o despedimento maciço de jornalistas e põem em causa a diversidade e o pluralismo informativo a que a RTP está obrigada.

2. Com efeito, a criação das chamadas editorias partilhadas, atingindo todas as áreas editoriais vitais de qualquer órgão de informação (Arte e Espectáculos, Desporto, Economia, Internacional, Política e Sociedade), e a ampliação de tarefas dos jornalistas repórteres terá como consequência inevitável a dispensa de significativo número de profissionais, que a empresa pretenderá considerar redundantes e excedentários. Não será aliás por acaso que a RTP está a avaliar os custos com cada programa informativo, incluindo quanto aos jornalistas a ele afectos.

3. Tais intenções devem ser inequivocamente rejeitadas e combatidas pelos jornalistas, não apenas em defesa do seu legítimo direito aos postos de trabalho, mas também em defesa do direito dos cidadãos a uma informação de qualidade, diversificada e pluralista.

4. Na verdade, ao fundir editorias – aliás, praticamente redacções inteiras! –, a RTP pretende transformar os jornalistas em pau para toda a obra, liquidar o Acordo de Empresa e impor aos ouvintes e aos espectadores uma informação uniformizada, tipo pronta a servir, pensada e dirigida para ser executada por unidades editoriais únicas ainda que servidas através de dois órgãos de comunicação social distintos.

5. É manifesto que o pluralismo está ameaçado e que os direitos dos jornalistas estão atingidos, como de resto reconheceu a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) numa recente deliberação, na apreciação de uma participação do Sindicato dos Jornalistas sobre a fusão das editorias de Economia nas publicações da Global Notícias.

6. Por conseguinte, a Direcção do SJ, em reforço de outras medidas já tomadas – como é o caso da queixa apresentada à Autoridade para as Condições de Trabalho – e sem prejuízo de outras em estudo, vai elaborar uma participação à ERC, para que seja impedida a concretização das ordens de serviço em causa.

7. O SJ aproveita para voltar a apelar aos jornalistas, para que resistam a mais esta ofensiva e defendam os seus legítimos direitos, a começar pela defesa dos seus postos de trabalho, e os direitos dos cidadãos a uma informação de qualidade, bem como a autonomia funcional dos serviços públicos de rádio e de televisão.

Lisboa, 29 de Abril de 2013
A Direcção

(Daqui)

O PS no seu labirinto



No Público de hoje, um excelente texto (sem link) de José Vítor Malheiros: «Será que podemos confiar na alternativa do PS?»

Alguns excertos e na íntegra.

«Alguém faz uma ideia, com um mínimo de consistência, do que seria um governo do Partido Socialista? Alguém sabe quais seriam as suas apostas estratégicas, o que faria às actuais medidas de "austeridade", quais seriam as suas medidas para gerir a dívida, como garantiria o financiamento à economia? (...)

É difícil ter alguma ideia do que faria um governo do PS quando este critica a troika mas lhe jura amor eterno, quando se proclama como alternativa ao actual Governo mas reage com coqueteria perante os secretos gestos de sedução do CDS. E é difícil imaginar uma vontade séria de resolver os profundos problemas do país quando vemos um congresso que prefere esconder as divisões reais e fugir ao debate de ideias para não prejudicar a possibilidade de aceder ao poder. (...)

Num momento como o actual, onde os portugueses são ameaçados pela pobreza, onde o futuro de tudo o que construíram está em risco, incluindo a sua família, a independência nacional e a União Europeia, num momento onde até a democracia e a paz se vêem ameaçadas, os portugueses precisam de política a sério e não de marketing, precisam de lideranças capazes de falar verdade e de correr riscos, de propostas políticas claras e não de negociatas clandestinas, de justiça social e não de defesa dos privilégios, de democracia e não de oligarquias, de iniciativa na Europa e não de servilismo. (...)

Seguro espera que os eleitores votem no PS depois de terem experimentado o PSD, como alguém muda de marca de água, por tédio ou por curiosidade, só porque se cansaram da outra. Espera que votem PS quer este faça alianças à direita ou à esquerda, só porque o PS se chama PS, mas esquece-se de que, para um número crescente de cidadãos, a política deixou de ser uma escolha indiferente para ser uma questão de vida ou de morte.»

A ler na íntegra.

O fim de uma terrível guerra


Há 38 anos, em 30 de Abril de 1975, a rendição de Saigão (actual Ho Chi Minh) pôs fim à Guerra do Vietname.

Ocupadíssimos que andávamos por cá com o rescaldo das primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte, que tinham ocorrido cinco dias antes, pouca atenção foi prestada ao fim deste terrível conflito, mesmo por aqueles que tinham andado pelas ruas de Lisboa em pelo menos duas proibidíssimas manifestações, em 1968 e 1970. Quem lá esteve não esqueceu a polícia a pé e a cavalo na Duque de Loulé, onde se situava a Embaixada dos EUA, a dispersar tudo e todos, à bastonada, nem as tradicionais correrias para lhe escapar. Mas se também lá estive, e se desde o início escolhi «o meu campo», confesso que só interiorizei verdadeiramente a dimensão do que foi o conflito em questão quando estive no Vietname, há quatro anos.

Nunca mais esquecerei o War Remnants Museum, um dos mais terríveis que percorri, onde se encontram muitas imagens, instrumentos de tortura e outros pavorosos testemunhos da ferocidade de que o homem foi, é e será capaz.

Devo dizer que me foi muito difícil percorrer este museu, depois de ter visitado Cu Chi, «Terra de ferro, cidadela de bronze», como se autodefine, localidade a 60 quilómetros a Noroeste de Ho Chi Minh, que se orgulha de ter contribuído de um modo muito especial para a vitória da «Guerra anti-Yankees». É em Cu Chi que se encontram 200 quilómetros de túneis que serviram de vias de comunicação, de esconderijo, de hospitais e até de salas de parto para os vietnamitas. Tinha lido varias descrições, mas o que vi toca os limites do inacreditável.

E, para além de tudo o resto, torna-se impossível perceber como é que os americanos alguma vez acreditaram que podiam ganhar aquela guerra, apesar dos dois milhões de mortos que ficaram para trás.

Veja-se ou reveja-se:

Dois vídeos, um sobre o Museu, outro sobre os túneis de Cu Chi:





Um álbum de fotografias.
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29.4.13

Entretanto, no Altis



Sobre o Congresso do PS já tudo foi escrito, mas o melhor que encontrei foi isto. É Imprensa Falsa, mas quase parece não o ser...

»Seguro pediu maioria absoluta e já está no Altis, onde vai aguardar pelos resultados eleitorais

António José Seguro pediu este domingo a maioria absoluta aos portugueses e foi logo a seguir para o hotel Altis, onde vai aguardar pelo resultado das eleições.

Questionado pelos jornalistas, à entrada do hotel, sobre se não seria um bocado cedo, o líder dos socialistas não quis fazer comentários: "Desculpem, mas só falo mais logo, depois de conhecidos os resultados."

Entretanto, atrás de Seguro chegou Carlos Zorrinho, que tinha ido estacionar o carro: "Vamos aguardar pelos resultados, mas acredito que o PS provou ser uma alternativa, com aquele conjunto de propostas concretas que apresentámos aos portugueses e que vão desde coiso até sei lá eu, passando por pois é isso mesmo."

Sobre o facto de talvez ser um bocado cedo, Zorrinho explicou que o PS alugou a sala por tempo indeterminado e que só terão de sair durante algumas horas, num sábado lá para meados de Julho, porque o hotel já estava reservado para um casamento. "Tirando isso, temos o hotel por nossa conta. Agora deixem-me entrar, porque o senhor secretário-geral não gosta de estar sozinho", concluiu.»

P.S. - Na mesma onda, ler: Está apressado o rapaz.
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Os avisos de Cavaco



Cavaco Silva foi ontem ao Algarve abrir um congresso de Cardiologia, falou dos riscos associados a sedentarismo, tabagismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, e de mais uns tantos, e aproveitou para nos avisar que, segundo o seu médico, não nos livraremos dele tão cedo porque procura «adoptar um estilo de vida saudável».

Mas, já entre portas, foi mandando outros recados pelos jornalistas. Afirmou e repetiu: «Não me venham dizer depois que eu não avisei em devido tempo que é preciso desde já, no fim de Abril de 2013, ter em consideração os desafios e as exigências que serão colocadas a Portugal depois de terminar o programa de ajustamento».

E terá especificado que é fundamental que todos os agentes políticos portugueses estudem muito cuidadosamente o que é que significa o «pós-troika» para que não sejam exigidos sacrifícios desnecessários aos portugueses.

Terá provavelmente razão porque o «pós-troika» é certamente a última das preocupações dos actuais governantes e dos que esperam vir a sê-lo em breve. Mas para nós, tristes governados, que nem sabemos o que nos vai acontecer esta semana (quanto mais no «pós-troika»!...), a mensagem é muito sibilina e não ajuda a entender os profundíssimos desígnios do presidente. A não ser que isto ande tudo ligado e que, quando Selassie & friends nos abandonarem, corramos o risco de alguém nos obrigar a sermos menos sedentários, a deixarmos mesmo de fumar e de beber umas pinguinhas, como Cavaco lembrou aos cardiologistas...

(Imagem daqui.)


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Se fosse só um camião...



(Jornal de Negócios)
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Monóculo ou funil



«Segundo os chineses, os ingleses gostavam de usar monóculo para só verem o que queriam. Em Portugal a classe política usa um funil no ouvido para só escutar o que deseja. É uma evolução digna de nota, mas é ela que também explica o remoinho que as palavras de Cavaco Silva, que quer tudo menos eleições, causaram no Parlamento. António José Seguro já tem um inimigo para unir o PS.

O PSD e o PP têm um álibi protector para os dislates do Governo e da UE. Enquanto isso o modelo dos cortes sociais e do aumento de impostos continua como obrigação ideológica, mesmo que os feridos vão aumentando. Na Península Ibérica já são mais de sete milhões de desempregados. (...)

As questões mais sérias que neste momento mereciam debate não foram ouvidas neste fogo-de-artifício débil entre facções. Por um lado se Portugal poderá algum dia sair do buraco sem deixar este euro ou sem a Europa mudar de ideologia económica. Por outro, numa reflexão mais profunda, se existe liberdade verdadeira sem segurança, como um dia disse Isaiah Berlin. E é toda esta segurança que tem sido retirada aos portugueses, deixando-os entre a perdição interna e a saída para o estrangeiro em busca da sua Ilha dos Amores.»

Fernando Sobral

(O link pode só funcionar mais tarde.)
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28.4.13

Cúpulas e mais cúpulas (17)



Catedral de Svetitskhoveli, Mtskheta (Geórgia, 2012)

(Para ver toda a série, clique na Label: «CÚPULAS».)
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Regressando a origens



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Maio ao contrário



«Mas o que diriam se os jovens catecúmenos de Paris investissem contra a polícia nos próximos meses, os rapazes de gravata e as raparigas de Marianne, gritando: "Somos nós os cães polícias do capitalismo. Olhem como gostamos do polícia que há dentro de cada um de nós." E com palavras de ordem e grafittis deste tipo: "Sejam realistas, peçam o possível! Deus, tenho a certeza de que és um activista da direita popular. Eu não faço amor. Procrio. É mesmo proibido. Tudo proibido. Metro!boulot!dodo! A arte está viva . No Palácio da Ajuda. Se debaixo do empedrado estiver a praia, privatizemo-la."»

Ide e lede na íntegra.
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Fia-te em eleições e não corras...