«Em 1992 a revista Forum Estudante, criada por Rui Marques, na altura um jovem ligado ao associativismo juvenil católico, lançou a iniciativa chamada Lusitânia Expresso ou Paz em Timor. A Missão Paz em Timor, foi uma ação de solidariedade com Timor Leste, levando até ao mar de Timor o navio Lusitânia Expresso, com estudantes de 23 países, para protestar contra o que estava a acontecer naquela terra ocupada pela Indonésia, que tinha cometido contra a resistência um massacre horrível no Cemitério de Santa Cruz. A iniciativa contou com o apoio de jovens de muitos países e a participação de um ex-Chefe de Estado, Ramalho Eanes. Foi largamente apoiada pelos portugueses, muitos dos quais nunca tinham tido uma experiência coletiva de solidariedade internacional. E seguido passo a passo pela comunicação social.
Agora, largou de Barcelona uma flotilha com destino a Gaza. Parte com 50 embarcações e 300 tripulantes. Tem a bordo pessoas como a ex-autarca de Barcelona, Greta Thunberg, Liam Cunningham e muitos outros. Destina-se a levar mantimentos ao povo palestiniano, vítima de etnocídio, debaixo dos nossos olhos, uma das maiores ignomínias na nossa história de vida.
Mariana Mortágua participa com outros portugueses. Apelou à incorporação de figuras do Estado e a um estatuto de imunidade diplomática, à semelhança do que a Espanha fez aos seus nacionais.
A reação de Paulo Rangel foi a que se pensava. Cínico, como um Maquiavel de opereta, veio apressadamente dizer que não havia imunidade nenhuma. Nem uma palavra para a iniciativa, para o sofrimento dos palestinianos, para os crimes de guerra diariamente cometidos pela IDF. Com a flotilha da Paz o homem não quer nada.
A imprensa portuguesa e os meios de comunicação dão à iniciativa pouco relevo. Vi uma pivot muito preocupada por Mariana ter abandonado a corrida autárquica, essa coisa entusiasmante de saber se elegemos para a Câmara de Arronches o senhor Francisco que saíu do PSD e é candidato independente ou a D. Emília, defecção da CDU.
Ou classificar a flotilha como um ato de propaganda.
Bendita propaganda. O Lusitânia Expresso foi parado por aviões e barcos de guerra indonésios quando fazia a última etapa, a partir de Darwin. Deitou nas águas flores de homenagem aos mortos do Cemitério de Santa Cruz e voltou para Darwin. Mas a sua ação chamou a atenção do mundo para a luta dos timorenses.
Dois pesos e dua medidas. O que se passa em Gaza questiona-nos a todos como seres humanos. Terraplanagem de cidades, ataques a hospitais, escolas, edifícios públicos, deslocamento forçado de populações, bloqueio das ações humanitárias de fornecimento de comida e de medicamentos. Gaza era uma prisão a céu aberto. Agora é um campo de matança onde os jornalistas são impedidos de entrar ou abatidos. Ao mesmo tempo que na Casa Branca aparece o projeto Trump de uma Riviera-Gaza distópica, sem palestinianos, com a colaboração de criminosos de guerra como Toni Blair, em quem alguns já viram a bandeira de “uma terceira via” e hoje é testa de ferro de uma Fundação de investidores.
Tal como agradeci a Rui Marques em 1922, obrigado Mariana.»
Luís Januário no Facebook.
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